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Trecho para reflexão

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“Já perscrutamos bastante as profundezas dessa consciência e é chegado o momento de continuarmos a examiná-la. Não o fazemos sem emoção ou estremecimento. Nada existe mais terrível que esse tipo de contemplação. Os olhos do espírito não podem encontrar em nenhum lugar nada mais ofuscante, nada mais tenebroso que o homem; não poderão fixar-se em nada mais temível, mais complicado, mais misterioso e mais infinito. Existe uma coisa que é maior que o mar: o céu. Existe um espetáculo maior que o céu: é o interior de uma alma.”

 (Victor Hugo, Os Miseráveis)

 

Karina

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Sexta-feira com Baudelaire

Mais um belo poema do grande poeta francês Charles Baudelaire:

As Jóias

A amada estava nua e, por ser eu seu amante,

Das jóias só guardara as que o bulício inquieta,

Cujo rico esplendor lhe dava esse ar triunfante

Que em seus dias de glória a escrava moura afeta.

/

Quando ela dança e entorna um timbre acre e sonoro,

Este universo mineral que à luz figura

Ao êxtase me leva, e é com furor que adoro

As coisas em que o som ao fogo se mistura.

/

Ela estava deitada e se deixava amar,

E do alto do divã, imersa em paz, sorria

A meu amor profundo e doce como o mar,

Que ao corpo, como à escarpa, em ondas lhe subia.

/

O olhar cravado em mim, como um tigre abatido,

Com ar vago e distante ela ensaiava poses,

E o lúbrico fervor à candidez unido

Punha-lhe um novo encanto às cruéis metamorfoses.

/

E sua perna e o braço, a coxa e os rins, untados

Como de óleo, imitar de um cisne a fluida linha,

Passavam diante de meus olhos sossegados;

E o ventre e os seios, como cachos de uma vinha,

/

Se aproximavam, mais sutis que Anjos do Mal,

Para agitar minha alma enfim posta em repouso,

Ou arrancá-la então a rocha de cristal

Onde, calma e sozinha, ela encontra pouso.

/

Como se a luz de um novo esboço, unidade eu via

De Antíope a cintura a um busto adolescente,

De tal modo que os quadris moldavam-lhe a bacia.

E a maquilagem lhe era esplêndida e luzente!

/

– E estando a lamparina agora agonizante,

Como na alcova houvesse a luz só da lareira

Toda vez que emitia um suspiro faiscante,

Inundava de sangue essa pele trigueira.

Karina

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Indicação de Leitura

Já falamos aqui no blog sobre a notável escritora francesa Simone de Beauvoir e sobre como ela consegue captar o universo feminino com tanta sensibilidade e maestria.

A Mulher Desiludida,  livro da autora que indicamos hoje, traz três novelas (A idade da discrição, Monólogo e A mulher desiludida) que relatam a trajetória de vida de três mulheres. Cada uma delas passa por uma situação diferente de desilusão diante do que planejou para si mesma e relata as suas impressões na forma de diário e monólogo.

As narrativas  trazem reflexões sobre a proximidade da velhice, o abandono e o ódio alimentado pelas desilusões, adentrando a fundo o psicológico das personagens.

A seguir trazemos trechos deste grande e impressionante livro,  cujas narrativas têm muito em comum com a realidade de muitas mulheres ainda hoje.

“Alguma coisa mudou, eu me dizia, enquanto viajávamos, a 140 por hora na auto-estrada. Estava sentada ao lado de André, nossos olhos viam o mesmo aterro, o mesmo céu, mas havia invisível, impalpável, uma camada isolante entre nós. Teria ele consciência disso? Sim, sem dúvida. Se tinha proposto esse passeio era na esperança de que, ressuscitando aqueles de outrora, ele terminasse por nos aproximar. Mas o passeio não se parecia com os outros posto que não lhe conferia nenhum prazer.”

 “É necessário dizer também que, outrora, tínhamos na cama reconciliações fogosas; no desejo, na perturbação, no prazer, os agravos ociosos eram calcinados. Reencontrávamo-nos, um em frente do outro, novos e joviais. Agora, estávamos privados desse recurso.”

 “Ficaríamos, então, separados quinze dias: nunca ele me deixava mais que três ou quatro, salvo para ir a congressos. Teria me mostrado desagradável? Ele deveria ter discutido comigo em lugar de fugir. No entanto, não era de seu estilo tirar o corpo. Só via uma explicação e sempre a mesma: ele envelhecia.”

“O tempo estagnava. É terrível. Tenho vontade de dizer é injusto – que ele possa passar ao mesmo tempo tão veloz e tão lentamente. Eu transpunha a porta do liceu de Bourg, quase tão jovem como as próprias alunas, eu olhava apiedada os professores de cabelos grisalhos. E upa! Tornei-me velha professora e as portas do liceu se fecharam.”

“Sempre olháramos longe. Seria necessário aprender a viver o dia-a-dia? Estávamos sentados lado a lado sob as estrelas, tocados pelo aroma do cipreste, nossas mãos se encontravam; o tempo havia parado um instante. Iria continuar a escorrer. E então?” (trechos  de A idade da discrição)

(…)

“Eu me chateio o que eu me chateio não está no gibi. Se eu dormisse mataria o tempo. Mas há esse barulho lá fora. E eles escarnecem na minha cara: “ela está só.” Eles vão rir amarelo quando Tristan voltar para mim. Ele voltará eu tenho meios para forçá-lo. Voltarei para os costureiros, darei recepções coquetéis publicarão minha fotografia na Vogue com um grande decote meus seios não temem ninguém.”

“Qual o sentido de passear só? Com Dédé a gente se divertia é chique duas moças bonitas num conversível com os cabelos ao vento; à noite em Roma na Piazza del Popolo a gente fazia uma bagunça danada. Com outros companheiros também me diverti. Mas sozinha! Na minha idade o que se parece indo à praia, ao cassino sem ter um homem junto?”

“…Meu Deus mostre que o Senhor existe! Mostre que há um céu e um inferno eu vou passear nas alamedas do paraíso com nosso rapazinho e minha filha querida e eles todos vão se torcer nas chamas da inveja eu os verei assar e gemer eu vou rir rir e as crianças vão rir comigo” (trechos de Monólogo)

(…)

“A janela estava apagada. Eu já esperava. Desde, desde quando? – Extraordinariamente, quando saía sem Maurice, na volta, havia sempre um raio de luz filtrando entre as cortinas vermelhas. Subia os dois andares correndo, tocava a campainha, impaciente demais para procurar chaves. Subi sem correr, pus a chave na fechadura. Como o apartamento estava vazio!”

“Meia-noite. Tenho tanta pressa de encontrá-lo, de afogar essa cólera que ruge, ainda, em mim que meus olhos permanecem fixos na pendulazinha. Os ponteiros não andam.  Eu me enervo. A imagem de Maurice se decompõe. De que serve lutar contra a doença e o sofrimento se se trata da própria mulher com tamanha irreflexão? Trata-se de indiferença. De dureza. Inútil irritar-se. Basta.”

“Aconteceu. Aconteceu logo a mim.” (…) Maurice me mentiu, sim.”

“Subitamente tive vontade chorar: o mais triste é que não morrerei. Através das brumas azuis nós olhávamos a África, ao longe, as palavras que pronunciávamos não passavam de palavras… Atirei-me para trás. O golpe me estarrecia. O estupor esvaziava-me a cabeça.”

“Ele me bastou, só vivi para ele. Ele, por um capricho, traiu nosso juramento!”.

“O obstáculo ainda é mais intransponível para pessoas que, como nós, prezam tanto a sinceridade. (Eu reconheço: encarniçadamente, eu mentiria para esconder uma mentira.) Nunca a suportei. As primeiras mentiras de Lucienne e Colette me desolaram. Custei a admitir que todas as crianças mentem para suas mães. Não comigo! Não sou nem mãe nem mulher a quem se minta. Orgulho imbecil. Todas as mulheres acreditam-se singulares, todas pensam que determinadas coisas não lhes podem acontecer e todas se enganam.”

“O que mais me ajuda é não ter ciúme fisicamente. Meu corpo não tem mais trinta anos nem o corpo de Maurice. Eles se encontram com prazer – a bem dizer, raramente – mas sem ardor. Ah! Eu não me engano. Noellie possui a atração da novidade: em seu leito, Maurice rejuvenesce.”

“Eu não lutarei. Mas súbito, tenho medo. Será possível que Maurice a prefira a mim? Nunca tinha tido essa ideia. (…) Não. Impossível que prefira a mim alguém tão falsificada como Noellie. Ela é um cheap como se diz em inglês. Eu me inquieto por ele aceitar dela tantas coisas que eu julgo inaceitáveis.”

” – Seu maior erro foi me deixar dormindo, confiante… Eis-me aos quarenta e quatro anos, as mãos vazias, sem profissão, sem outro interesse na vida que você. Se você tivesse me prevenido há oito anos, ter-me-ia criado uma existência independente e aceitaria a situação mais facilmente.”

“Mas eu sei que me mexerei. A porta se abrirá lentamente e eu verei o que tem detrás. É o futuro. A porta do futuro vai se abrir. Lentamente. Implacavelmente. Estou no limiar.” (trechos de A mulher desiludida)

Karina

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Desejo

Desejo

 

Desejo primeiro, que você ame,

e que amando, também seja amado.


E que se não for, seja breve em esquecer

e esquecendo não guarde mágoa.


Desejo também que tenha amigos,

que mesmo maus e inconseqüentes,

sejam corajosos e fiéis,

e que em pelo menos num deles

você possa confiar sem duvidar.


E porque a vida é assim,

desejo ainda que você tenha inimigos;

Nem muitos, nem poucos,

e que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,

para que você não se sinta demasiado seguro.


Desejo ainda que você seja tolerante;

não com os que erram pouco, porque isso é fácil,

mas com os que erram muito e irremediavelmente,

e que fazendo bom uso dessa tolerância,

você sirva de exemplo aos outros.


Desejo que você sendo jovem,

não amadureça depressa demais

e sendo maduro, não insista em rejuvenescer,

e que sendo velho não se dedique ao desespero.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor

e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.


Desejo também, que você plante uma semente

por mais minúscula que seja,

e que acompanhe o seu crescimento

para que você saiba de quantas muitas vidas

é feita uma árvore.


Desejo por fim que você sendo um homem,

tenha uma boa mulher,

e que sendo uma mulher,

tenha um bom homem

e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte,

e que quando estiverem exaustos e sorridentes,

ainda haja amor para recomeçar.


E se tudo isso acontecer,

não tenho mais nada a desejar.


Victor Hugo

Karina

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Lições de Montaigne II

Confiram hoje palavras de Montaigne sobre o medo:

Do medo


Obstuoui, steteruntque comae, et vox faucibus haesit.

(Fiquei estupefato, meus cabelos eriçaram-se, minha voz prendeu-se na garganta. Virgílio)

Não sou bom naturalista (como se diz) e mal sei por quais mecanismos o medo age em nós; mas de qualquer maneira essa é uma estranha paixão e dizem os médicos que não há outra que mais depressa tire nosso discernimento fora de sua devida compostura. De fato, vi muitas pessoas que se tornaram insensatas de medo; mesmo nos mais serenos é indiscutível que, enquanto seu acesso dura, provoca terríveis perturbações. Deixo de lado o vulgo, a qual ela mostra ora os bisavôs saindo do túmulo, envoltos em seus sudários, ora lobisomens, duendes e quimeras. Mas, entre os próprios soldados, onde deveria encontrar menos espaço, quantas vezes transformou um rebanho de ovelhas em esquadrão de couraceiros? juncos e caniços em homens armados e lanceiros? nossos amigos em nossos inimigos? e a cruz branca na vermelha?

(…)

Ora ele nos dá asas nos pés; ora nos prega os pés e os entrava. (…)

Ele expressa sua extrema força quando para seu serviço nos impulsiona novamente para a valentia que subtraiu de nosso dever e de nossa honra. Na primeira batalha regular que os romanos perderam conta Aníbal, sob o comando do cônsul Semprônio, uma tropa de bem dez mil solados de infantaria, tomando-se de pavor e não vendo outro lugar por onde dar passagem à sua covardia, foi lançar-se em meio ao grosso dos inimigos, que atravessou com espantosa bravura, com grande mortícínio da cartagineses, comprando uma fuga vergonhosa pelo mesmo preço que teria por uma gloriosa vitória. É disso que tenho mais medo do que do próprio medo.

Ademais ele suplanta em violência todas as outras ocorrências.

(…)

Os que tiverem sido bastante maltratados em algum embate de guerra, no dia seguinte são levados de volta ao ataque, ainda feridos e ensanguentados. Mas os que tiverem concebido um grande medo do inimigo, não os faríeis sequer olhá-los de frente. Os que estão em opressivo temor de perder seus bens, de ser exilados, de ser subjugados, vivem em contínua angústia, perdendo o gosto pela comida, pela bebida e pelo descanso; ao passo que os pobres, os banidos, os servos amiúde vivem tão alegremente quanto os outros. E tantas pessoas que por não poderem suportar os aguilhões do medo enforcaram-se, afogaram-se, atiraram-se no abismo, ensinaram-nos que ele é ainda mais importuno e insuportável do que a morte.

Os gregos reconhecem uma outra espécie de medo, que não é causada por erro de nosso julgamento, surgindo, dizem eles, sem causa aparente e por impulso celeste.  Povos inteiros frequentemente se vêem tomados por ele, e exércitos inteiros. Assim foi o que levou a Cartago uma extrema aflição. Só se ouviam gritos e vozes apavoradas. Viam-se os habitantes sair de suas casas, como ante o alarme, e se atacarem, ferirem e matarem uns aos outros, como se fossem inimigos a ocupar sua cidade. Tudo nela estava em desordem e em tumulto, até que, por orações e sacrifícios, eles apaziguaram a ira dos deuses. Os gregos chamam isso de terrores pânicos.

Karina

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Indicação de Leitura

A nossa indicação de hoje é o livro  “A Convidada”, da escritora francesa Simone de Beauvoir.

Simone de Beauvoir nasceu em 1908, na cidade de Paris. Lá se formou em Filosofia e durante esse período conheceu o filósofo Jean-Paul Sartre, que se tornou seu companheiro de toda a vida.

Feminista, Beauvoir escreveu diversos romances que causaram polêmica na época. Adepta do existencialismo – movimento filosófico que, em síntese, analisa o homem e a sua relação com o mundo, acreditando que o ser humano é definido pelas suas ações – a escritora traz muita de tal corrente filosófica em toda a sua obra.

Simone de Beauvoir morreu em Paris no ano de 1986 e deixou livros que valem a pena ser lidos, como este que indicamos hoje.

“A Convidada” se trata de um romance com traços autobiográficos da autora. Foi escrito nos anos 40 e tem como pano de fundo a cidade de Paris pré 2ª Guerra Mundial. A personagem principal é Françoise, uma escritora de 30 anos de idade que tem um relacionamento estável com Pierre, um diretor de teatro. O relacionamento dos dois é pouco convencional para a época, pois ambos têm liberdade para se envolverem com outras pessoas. Assim,  Pierre tem relações superficiais com outras mulheres, enquanto dedica a Françoise um amor amplo e total cumplicidade.

Parece que nada vai abalar a felicidade sem intercorrências do casal. Mas aí aparece Xavière, uma jovem provinciana que chega a Paris e invade completamente a vida dos dois. No início, Françoise – segura do amor de seu companheiro – se encanta com a jovem e, junto com Pierre, se dedica a apresentar-lhe Paris.

Mas, pouco a pouco, a presença constante da outra começa a se tornar uma ameaça ao seu estável relacionamento.  A mudança drástica nas atitudes de Pierre com a chegada de Xavière, passa a ser uma angústia sufocante que Françoise não sabe como colocar fim.

Simone de Beauvoir leva o leitor a compartilhar a aflição, as inquietações e todos os pensamentos de Françoise de uma forma extraordinária. Vale a pena ler!

Eis um trecho do livro para que o leitor sinta na pele as agruras de Françoise:

Françoise sentou-se à mesa de trabalho e olhou desalentada as folhas de papel. Tinha a cabeça pesada e dor na nuca e nas costas. Não se sentia com disposição para trabalhar. Xavière, mais uma vez, roubara-lhe meia hora: era terrível o tempo que ela devorava, provocando um estado de tensão sobre-humana em que não havia solidão, nem lazeres, nem mesmo simplesmente repouso. Não, repetia. Diria não com todas as suas forças e Pierre a ouviria. Sentiu que dentro dela qualquer coisa naufragava: Pierre renunciaria facilmente a essa viagem, pois seu desejo não era assim tão violento. E depois? De que servia essa renúncia? O que a angustiava era o fato de Pierre não ter se manifestado contra tal projeto. Ligaria assim tão pouca importância à sua obra? Teria já passado da perplexidade a uma indiferença completa?

(…)

Teve um sobressalto: alguém, que subira a escada precipitadamente, bateu à porta.

– Entre – disse.

Surgiram dois rostos ao mesmo tempo na soleira da porta. Ambos sorriam: Xavière escondera os cabelos num capuz escocês. Pierre segurava o cachimbo na mão.

– Vai achar ruim, se substituirmos a lição por um passeio na neve? – perguntou ele.

Françoise sentiu o coração parar. Regozijara-se tanto ao imaginar a surpresa de Pierre e a satisfação de Xavière perante os seus elogios! Entregara-se de corpo e alma à tarefa de obrigar Xavière a trabalhar. Afinal, tinha que reconhecer sua ingenuidade; as lições para eles não eram coisa séria e, além disso, pretendiam ainda fazê-la assumir a responsabilidade pela preguiça que sentiam.

– Isso é com vocês – respondeu. – Nada tenho a ver com isso.

Os sorrisos desapareceram: essa voz séria não estava prevista na brincadeira deles.

– Você nos censura de verdade? – perguntou Pierre, um pouco desorientado, olhando para Xavière, que o fixava também hesitante sobre a atitude a tomar. Pareciam dois culpados. Pela primeira vez, devido a essa cumplicidade em que Françoise os colocava, surgiam perante esta como um par. Ambos tinham consciência disso e a situação era incômoda.

– Não, não. Aproveitem o passeio.

Fechou a porta, talvez rapidamente demais, e ficou encostada à parede. Eles desciam a escada em silêncio. Françoise adivinhava as expressões penalizadas. De qualquer forma, eles não trabalhariam e ela apenas com sua atitude conseguira estragar-lhes o passeio. Teve uma espécie de soluço. Para que servia isso?

Karina

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