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Mais Vinicius

Todo mundo sabe que  Vinicius de Moraes foi expert em falar de amor. Não é à toa que o “poetinha” teve nove casamentos com belas mulheres.

Hoje trazemos um soneto lindíssimo que o escritor dedicou a argentina  Marta Rodrigues Santamaria , sua oitava mulher:

SONETO DE MARTA

  

vinicius

Teu rosto amada minha

É tão perfeito

Tem uma luz tão cálida e divina

Que é lindo vê-lo quando se ilumina

 

Como se um cílio ardesse no teu peito

É tão leve teu corpo de menina

Assim de amplos quadris e de busto

estreito

Que dir-se-ia uma jovem dançarina

 

De pele branca e fina

De olhar direito

Deveria chamar-te claridade

 

Pelo modo espontâneo

Franco e aberto

Com que encheste de cor meu

mundo escuro

 

E sem olhar, nem vida, nem idade.

Me deste em tempo certo

Os frutos verdes deste amor maduro.

 

(Vinicius de Moraes)

Karina

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Soneto para oferecer ao seu amor

Depois de amanhã já é o dia dos namorados. Os amantes-amados costumam dar vários tipos de presentes, como roupas, perfumes, flores e bombons. Mas, como não podia ser diferente, acreditamos que o presente mais especial é um belo poema! Se você tiver o dom, escreva por si mesmo; deixe seu coração falar mais alto. Porém, se achar que escrever poesias amorosas não é muito o seu forte, não faltam opções para te socorrer. Seu amor com certeza vai adorar um cartão com um poema apaixonante!

Abaixo segue um belo presente: um dos inúmeros sonetos de amor do inspiradíssimo Pablo Neruda.

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“Não te quero senão porque te quero

e de querer-te a não querer-te chego

e de esperar-te quando não te espero

passa meu coração do frio ao fogo.


Te quero só porque a ti te quero

te odeio sem fim, e odiando-te rogo-te

e a medida de meu amor viageiro

é não ver-te e amar-te como um cego.


Talvez consumirá a luz de janeiro

seu raio cruel, meu coração inteiro,

roubando-me a chave do sossego.


Nesta história só eu morro

e morrerei de amor porque te quero

porque te quero, amor a sangue e fogo.”

Telma

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Lirismo de Pablo Neruda

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Em posts anteriores revelamos nossa intensa admiração pelo consagradíssimo escritor Pablo Neruda, não só no que se refere à sua veia política, como também aos maravilhosos sonetos de amor publicados pelo autor.
Hoje, adicionamos mais um belo poema romântico de Neruda para degustação do assíduo leitor.

Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como o âmbar dormido.

Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos.
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma viajará pela sombra comigo,
só tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.

Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo
teus olhos se fecharam como duas asas cinzas,

enquanto eu sigo a água que levas e me leva:
a noite, o mundo, o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho.

Telma

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2009 cheio de amor!

Nós, aqui do blog, desejamos que todos os leitores iniciem 2009 cercados de bons sentimentos. Principalmente muito amor, amor intenso e verdadeiro, forte e inesgotável.

Por isso, hoje decidimos presentear vocês com mais um belo soneto de Pablo Neruda, um mestre ao falar de amor.

Aproveitem!

Porque é o amor que colore a vida!

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“Se não fosse porque têm cor-de-lua teus olhos,

de dia com argila, com trabalho, com fogo,

e aprisionada tens a agilidade do ar,

se não fosse porque uma semana és de âmbar.

 

se não fosse porque és o momento amarelo

em que o outono sobe pelas trepadeiras

e és ainda o pão que a lua fragrante

elabora passeando sua farinha pelo céu,

 

oh, bem-amada, eu não te amaria!

Em teu abraço eu abraço o que existe,

a areia, o tempo, a árvore da chuva.

 

e tudo vive para que eu viva:

sem ir tão longe posso ver tudo:

vejo em tua vida todo o vivente”.

Telma

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Machado de Assis e sua Carolina

Já falamos aqui que o genial Machado de Assis foi casado durante 35 anos com D. Carolina Augusta Xavier de Novais, uma portuguesa culta que apresentou o escritor aos grandes clássicos portugueses.

A união de Machado de Assis com Carolina foi duradoura e feliz, porém sem filhos.

Pois é. O que parece, ao lermos a obra de Machado é que o grande mestre da literatura brasileira, com suas ironias, sarcasmo e agudo realismo, não era dado ao sentimentalismo.

Mas as aparências enganam. O gênio tinha coração, claro! Carolina foi o amor da vida de Machado de Assis e sua morte, em 1904, foi uma grande perda para o escritor, que em homenagem à falecida esposa escreveu o belíssimo soneto que reproduzimos abaixo.

A CAROLINA

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, – restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos
“.

 Karina

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