Archive for abril, 2014

Gabriel Garcia Márquez

Lamentamos muito a morte do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, cuja obra, reconhecida mundialmente, é fantástica e vale a pena ser conferida.

Deixamos aqui alguns trechos escritos por Gabo, como costumava ser chamado:

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“Confessou que não passava um instante sem pensar nela, que tudo o que comia tinha gosto dela, que a vida era ela a toda em toda parte, como só Deus tinha o direito e o poder de ser, e que o gozo supremo de seu coração seria morrer com ela.” (Do amor e outros demônios)

“Até então parecera a ambos que o amor bastava para serem felizes” (Do amor e outros demônios)

(…) – E enquanto isso? – perguntou o Marquês.
– Enquanto isso – disse Abrenuncio -, toquem música, encham a casa de flores, façam cantar os passarinhos, levem-na para ver o pôr-do-sol no mar, dêem-lhe tudo o que possa fazê-la feliz. – Despediu-se rodando o chapéu no ar e com a frase latina de rigor. Mas dessa vez traduziu-a em homenagem ao Marquês: – “Não há remédio que cure o que a felicidade não cura.” (Do amor e outros demônios)

“Ela lhe parecia tão bela, tão sedutora, tão diferente da gente comum, que não compreendia que ninguém se transtornasse como ele com as castanholas dos seus saltos nas pedras do calçamento, ou tivesse o coração descompassado com os ares e suspiros de suas mangas, ou não ficasse louco de amor o mundo inteiro com os ventos de sua trança, o voo de suas mãos, o ouro de seu riso.” (O amor nos tempos do cólera)

“… Mas se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão a luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (O amor nos tempos do cólera).

“Se você pretende ficar louco, fique sozinho.” (Cem anos de solidão)

 

(Gabriel Garcia Márquez – 1927-2014)

Karina

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Abraça-me

ABRAÇA-ME

Lovers with half moon - Marc Chagall

Lovers with half moon – Marc Chagall

Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas. Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos.
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.
Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais.
Uma vez que nem sei se tu existes.

(Joaquim Pessoa)

Joaquim Maria Pessoa, nascido em 1948, é um poeta português.

Karina

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