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Frase da Semana

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“A vida é um campo de urtigas onde a única rosa é o amor.”

(Guimarães Rosa)

Karina

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Riobaldo: um sábio

Claro que não iremos nos arvorar na impossível missão de elucidar o gênio Guimarães Rosa. Deixamos isso para os grandes estudiosos do assunto. Fato é que Riobaldo, jagunço sertanejo, o personagem central do incrível “Grande Sertão Veredas” é um dos protagonistas mais cativantes e desafiadores da história da literatura mundial.

Marcado por trechos arrasadoramente inteligentes, a obra é daquelas que não podem deixar de ser lidas. Abaixo, apenas para aguçar a curiosidade do sagaz leitor, transcrevo alguns trechos:

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“… Relembro Diadorim. Minha mulher que não me ouça. Moço: toda saudade é uma espécie de velhice.”

“… Toda mãe vive de boa, mas cada uma cumpre sua paga prenda singular, que é a dela e dela, diversa bondade. E eu nunca tinha pensado nessa ordem. Para mim, minha mãe era a minha mãe, essas coisas. Agora, eu achava. A bondade especial de minha mãe tinha sido a de amor constando com a justiça, que eu menino precisava. E a de, mesmo punir meus demaseios, querer bem às minhas alegrias. A lembrança dela me fantasiou, fraseou – só face dum momento – feito grandeza cantável, feito entre madrugar e manhecer. “

“Refiro ao senhor: um outro doutor, doutor rapaz, que explorava as pedras turmalinas no vale do Arassuaí, discorreu me dizendo que a vida da gente encarna e reencarna, por progresso próprio, mas que Deus não há. Estremeço. Como não ter Deus? Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo.”

“…Eu careço que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero todos os pastos demarcados. Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado.”

Telma

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Frase da Semana

“Saudade é ser, depois de ter.”

(Guimarães Rosa)

Karina

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Feliz Dia do Amigo

Em homenagem ao Dia do Amigo:

Amigos

Tenho amigos que não sabem o

quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes

devoto e a absoluta

necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais

nobre do que o amor,

eis que permite que o objeto dela

se divida em outros afetos,

enquanto o amor tem intrínseco o ciúme,

que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar,

embora não sem dor,

que tivessem morrido todos os

meus amores, mas enlouqueceria

se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem

o quanto são meus amigos e o quanto

minha vida depende de suas existências ….

A alguns deles não procuro, basta-me

saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir

em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com

assiduidade, não posso lhes dizer o

quanto gosto deles.

Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica

e não sabem que estão incluídos na

sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta

que os adoro, embora não declare e

não os procure.

E às vezes, quando os procuro,

noto que eles não tem

noção de como me são necessários,

de como são indispensáveis

ao meu equilíbrio vital,

porque eles fazem parte

do mundo que eu, tremulamente,

construí e se tornaram alicerces do

meu encanto pela vida.

Se um deles morrer,

eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam,

eu rezo pela vida deles.

E me envergonho,

porque essa minha prece é,

em síntese, dirigida ao meu bem estar.

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos

sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de

lugares maravilhosos, cai-me alguma

lágrima por não estarem junto de mim,

compartilhando daquele prazer …

Se alguma coisa me consome

e me envelhece é que a

roda furiosa da vida não me permite

ter sempre ao meu lado, morando

comigo, andando comigo,

falando comigo, vivendo comigo,

todos os meus amigos, e,

principalmente os que só desconfiam

ou talvez nunca vão saber

que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

(Vinicius de Moraes)

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“Amigo? Aí foi isso que eu entendi? Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça aos demais. Amigo, para mim, é só isto; é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.”

(Guimarães Rosa in Grande Sertão: Veredas)


Karina


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Mais Guimarães Rosa

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Ontem falamos sobre o genial Guimarães Rosa e seu estilo único e inconvencional de escrever.

Hoje colocaremos aqui belíssimos trechos da obra do escritor para deleite dos que já leram e para atiçar a vontade de ler naqueles que ainda não leram:

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem o perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.” (Riobaldo em “Grande Sertão: Veredas”)

“O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Divêrjo de todo o mundo… Eu quase nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.” (Grande Sertão: Veredas)

“A gente morre é para provar que viveu.” (Grande Sertão: Veredas)

“O sertão está em toda a parte.” (Grande Sertão: Veredas)

O sertão é dentro da gente.” (Grande Sertão: Veredas)

“Viver é muito perigoso: sempre acaba em morte.” (Grande Sertão: Veredas)

“… quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade”.(Grande Sertão: Veredas)

“Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e campinas. Coração mistura amores. Tudo cabe.” (Grande Sertão: Veredas)

“O senhor… mire e veja: o mais importante e bonito, do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior.” (Grande Sertão: Veredas)

“Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo no meio do fel do desespero. Ao que, esse mundo é muito misturado…” (Grande Sertão: Veredas)

“Viver é um descuido prosseguido.” (Grande Sertão: Veredas)

“A gente vive, eu acho, é mesmo para se desiludir e se desmisturar. A senvergonhice reina, tão leve e leve pertencidamente, que por primeiro não se crê no sincero sem maldade.” (Grande Sertão: Veredas)

“Feito flecha, feito fogo, feito faca.” (Grande Sertão: Veredas)

“O perigo saca toda a tristeza.” (Grande Sertão: Veredas)

“Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver.” (Grande Sertão: Veredas)

“A força de Deus quando quer – moço! – me dá o medo pavor! Deus vem vindo: ninguém não vê. Ele faz é na lei do mansinho – assim é o milagre. E Deus ataca bonito, se discutindo, se economiza.” (Grande Sertão: Veredas)

“Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas” (Grande Sertão: Veredas)

“A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação – porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada.”

“O senhor sabe o que silêncio é? É a gente mesmo, demais.” (Grande Sertão: Veredas)

“Quem desconfia, fica sábio.” (Grande Sertão: Veredas)

“Ser chefe – por fora um pouquinho amargo; mas, por dentro, é risonhas flores.” (Grande Sertão: Veredas)

“Todo caminho da gente é resvaloso. Mas, também, cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta! Deus resvala? Mire e veja. Tenho medo? Não. Estou dando batalha.” (Grande Sertão: Veredas)

“De mim, pessoa, vivo para minha mulher, que tudo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem-querer de minha mulher foi que auxiliou, rezas dela, graças. Amor vem de amor. Digo. Em Diadorim penso também. Mas Diadorim é minha neblina”.(Grande Sertão: Veredas)

“Julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado.” (Grande Sertão: Veredas)

“Até que, um dia, eu estava repousando, no claro estar, em rede de algodão rendada. Alegria me espertou, um pressentimento. Quando eu olhei, vinha vindo uma moça. Otacília. (…) Meu coração rebateu, estava dizendo que o velho era sempre novo. Afirmo ao senhor, minha Otacília ainda se orçava mais linda, me saudou com o salvável carinho, adianto de amor.” (Grande Sertão: Veredas)

“Arranjeizinho lá um lugar de guarda-civil” (Sagarana)

“(…) Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria… Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua”. (Sagarana)

“Antes bonita, olhos de viva mosca, morena mel e pão.” (Desenredo)

” (…) Como o pai podia imaginar judiação, querer amarrar um menino no escuro do mato? Só o pai de Joãozinho e Maria, na estória, o pai e a mãe levaram eles dois, para desnortear no meio da mata, em distantes, porque não tinham de comer para dar a eles. Miguilim sofria tanta pena, por Joãozinho e Maria, que voltava a vontade de chorar.” (Campo Geral)

“Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo…” (Campo Geral)

“Você me ensinazinho a dançar, Chica?” (Campo Geral)

“O gato Sossõe, certa hora, entrava. Ele vinha sutil para o paiol, para a tulha, censeando os ratos, entrava com o jeito de que já estivesse se despedindo, sem bulir com o ar. Mas, daí, rodeando como quem não quer, o gato Sossõe principiava a se esfregar em Miguilim, depois deitava perto, se prazia de ser, com aquela ronqueirinha que era a alegria dele, e olhava, olhava, engrossava o ronco, os olhos de um verde tão menos vazio – era uma luz dentro de outra, dentro doutra, dentro doutra, até não ter fim”.(Campo Geral)

Karina

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