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Florbela Espanca

A poetisa portuguesa soube como ninguém, e com muita sensibilidade, retratar a condição de mulher. Feliz Dia das Mulheres a todas as leitoras do blog!

A MULHER

 

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!

Como sabes ser doce e desgraçada!

Como sabes fingir quando em teu peito

A tua alma se estorce amargurada!

/

Quantas morrem saudosa duma imagem.

Adorada que amaram doidamente!

Quantas e quantas almas endoidecem

Enquanto a boca rir alegremente!

/

Quanta paixão e amor às vezes têm

Sem nunca o confessarem a ninguém

Doce alma de dor e sofrimento!

/

Paixão que faria a felicidade.

Dum rei; amor de sonho e de saudade,

Que se esvai e que foge num lamento!

Karina

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“Voz que se cala”, de Florbela Espanca

Oferecemos aos leitores mais um poema da sensível e atormentada escritora portuguesa Florbela Espanca.

Voz Que Se Cala
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Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!…

Karina

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A intensidade de Florbela

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Florbela Espanca sempre presenteia seus leitores com poemas ardentes e muitas vezes sofridos, mas de inigualável sensibilidade.

Para os eternos românticos:

Eu (II)*

“Até agora eu não me conhecia.
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.

Mas que eu não era Eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, o não dissera…
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim… e não me via!

Andava a procurar-me – pobre louca! –
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!

E esta ânsia de viver, que nada acalma,
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma

 O poema acima pertence ao livro “Charneca em flor”, publicado em 1931 e considerado a obra-prima da poetisa portuguesa.

* há outro poema de escritora com este título.

Karina

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Para Florbela Espanca sempre pedimos bis

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Já homenageamos a inigualável poetisa portuguesa nesse espaço. Mas nunca é demais ler e reler Florbela Espanca. Porque o que ela escreveu ilumina a alma e acalenta o coração Dá pra sentir a paixão que corria em suas veias.

Caro leitor: quando estiver desalentado, triste ou sem inspiração, leia pausadamente uma bela poesia de Florbela e o mundo até parecerá mais colorido…

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Desdém:

“Andas dum lado pro outro
Pela rua passeando;
Finges que não queres ver
Mas sempre me vais olhando.

É um olhar fugidio,
Olhar que dura um instante,
Mas deixa um rasto de estrelas
O doce olhar saltitante…

É esse rasto bendito
Que atraiçoa o teu olhar,
Pois é tão leve e fugaz
Que eu nem o sinto passar!

Quem tem uns olhos assim
E quer fingir o desdém,
Não pode nem um instante
Olhar os olhos d’alguém…

Por isso vai caminhando…
E se queres a muita gente
Demonstrar que me desprezas
Olha os meus olhos de frente.”

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Oração de Joelhos

Bendita seja a mãe que te gerou!
Bendito o leite que te fez crescer!
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama pra te adormecer!

Bendito seja o brilho do luar
Da noite em que nasceste tão suave,
Que deu essa candura ao teu olhar
E à tua voz esse gorjeio d’ave!

Benditos sejam todos que te amarem!
Os que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão, fervente, louca!

E se mais, que eu, um dia te quiser
Alguém, bendita seja essa mulher!
Bendito seja o beijo dessa boca! “

Telma

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Flor Bela de Alma da Conceição Espanca

A poetisa portugesa Florbela Espanca nasceu em 1894. Encabeçou o movimento feminista português, foi a primeira mulher a ingressar no Curso de Direito da Universidade de Lisboa e faleceu em 1930, não sem nos deixar todo um legado poético do mais alto nível. Suas poesias têm um forte traço romântico e feminino e é possível perceber que, de fato, Florbela era uma mulher à frente de seu tempo. Forte e bela como uma verdadeira flor.

A seguir, postamos uma de suas belíssimas poesias. Aproveitem!

Fanatismo

“Minh´alma de sonhar-te anda perdida.

Meus olhos andam cegos de te ver.

Não és, sequer, a razão do meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida.

 

Não vejo nada, assim enlouquecida!

Passo no mundo, meu amor, a ler,

No misterioso livro do teu ser,

A mesma história tantas vezes lida.

 

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa.”

Quando me dizem isso, toda a graça

Duma boca divina fala em mim.

 

E, olhos postos em ti, digo de rastros:

“Ah! podem voar mundos, morrer astros,

que tu és como Deus: princípio e fim!”

Telma

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