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Eduardo Galeano

at-the-beach-1066064-m“Dia a dia nega-se às crianças o direito de ser criança. Os fatos, que zombam desse direito, ostentam seus ensinamentos na vida cotidiana. O mundo trata os meninos ricos como se fossem dinheiro, para que se acostumem a atuar como o dinheiro atua. O mundo trata os meninos pobres como se fossem lixo, para que se transformem em lixo. E os do meio, os que não são ricos nem pobres, conserva-os atados à mesa do televisor, para que aceitem, desde cedo, como destino, a vida prisioneira. Muita magia e muita sorte têm as crianças que conseguem ser crianças.”

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O Caderno

Antonio Pecci Filho, mais conhecido como “Toquinho”, é um grande compositor brasileiro. Nascido em São Paulo e autor de inesquecíveis sucessos, trata-se de um poeta nato. Dentre as maravilhosas letras que compôs, destacamos “O Caderno”, voltada para o público infanto-juvenil. Criada em 1983, em parceria com Mutinho, a composição é parte do  disco “Casa de Brinquedos”. Sublime. Apreciem!

 

 

O CADERNO

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel…

Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel…

Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel…

O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer…

Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer…

 

 

Telma

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Cantigas de Roda

As cantigas de roda, também chamadas de cirandas, são um tipo de brincadeira na qual as crianças formam uma roda e cantam músicas folclóricas, que podem ser acompanhadas de gestos e coreografias.

As cantigas de roda fazem parte do folclore brasileiro e se destacam pelas letras simples, divertidas e por expressar a cultura local.

Trazemos hoje algumas das mais populares, para divertir crianças e adultos:

 

O CRAVO E A ROSA

O Cravo brigou com a rosa

Debaixo de uma sacada

O Cravo ficou ferido

E a Rosa despedaçada

O Cravo ficou doente

A Rosa foi visitar

O Cravo teve um desmaio

A Rosa pôs-se a chorar.

NESTA RUA

Nesta rua, nesta rua, tem um bosque

Que se chama, que se chama, Solidão

Dentro dele, dentro dele mora um anjo

Que roubou, que roubou meu coração

Se eu roubei, se eu roubei seu coração

É porque tu roubastes o meu também

Se eu roubei, se eu roubei teu coração

É porque eu te quero tanto bem

Se esta rua se esta rua fosse minha

Eu mandava, eu mandava ladrilhar

Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante

Para o meu, para o meu amor passar.

ESCRAVOS DE JÓ

Escravos de Jó jogavam caxangá

Tira, bota deixa o Zé Pereira ficar

Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue za (bis)

A BARATA DIZ QUE TEM

A Barata diz que tem sete saias de filó

É mentira da barata, ela tem é uma só

Ah ra ra, iá ro ró, ela tem é uma só !

A Barata diz que tem um sapato de veludo

É mentira da barata, o pé dela é peludo

Ah ra ra, Iu ru ru, o pé dela é peludo !

A Barata diz que tem uma cama de marfim

É mentira da barata, ela tem é de capim

Ah ra ra, rim rim rim, ela tem é de capim

A Barata diz que tem um anel de formatura

É mentira da barata, ela tem é casca dura

Ah ra ra , iu ru ru, ela tem é casca dura

A Barata diz que tem o cabelo cacheado

É mentira da barata, ela tem coco raspado

Ah ra ra, ia ro ró, ela tem coco raspado

CIRANDA CIRANDINHA

Ciranda Cirandinha

Vamos todos cirandar

Vamos dar a meia volta

Volta e meia vamos dar

O Anel que tu me destes

Era vidro e se quebrou

O amor que tu me tinhas

Era pouco e se acabou

Por isso dona Rosa

Entre dentro desta roda

Diga um verso bem bonito

Diga adeus e vá se embora.

TEREZINHA DE JESUS

Terezinha de Jesus deu uma queda

Foi ao chão

Acudiram três cavalheiros

Todos de chapéu na mão

O primeiro foi seu pai

O segundo seu irmão

O terceiro foi aquele

Que a Tereza deu a mão

Terezinha levantou-se

Levantou-se lá do chão

E sorrindo disse ao noivo

Eu te dou meu coração

Dá laranja quero um gomo

Do limão quero um pedaço

Da morena mais bonita

Quero um beijo e um abraço.

A CANOA VIROU

A canoa virou

Por deixá-la virar

Foi por causa da “Fulana”

Que não soube remar

Se eu fosse um peixinho

E soubesse nadar

Tirava a “Fulana”

Do fundo do mar.

BORBOLETINHA

Borboletinha

Tá na cozinha

Fazendo chocolate

Para a vizinha

Poti, poti

Perna de pau

Olho de vidro

Nariz de pica pau.

POMBINHA BRANCA

Pombinha Branca, que está fazendo?

Lavando roupa pro casamento

Vou me lavar, vou me trocar

Vou na janela pra namorar

Passou um homem, te terno branco

Chapéu de lado, meu namorado

Mandei entrar, mandei sentar

Cuspiu no chão, limpa aí seu porcalhão

Tenha mais educação

Limpa aí seu porcalhão

Tenha mais educação

Limpa aí seu porcalhão

Tenha mais educação

La,la,la,la,la,la,la

la,la,la,la,la,la,la.

COELHINHO

De olhos Vermelhos

De pêlo branquinho

Orelhas bem grandes

Eu sou o coelhinho

Sou muito assustado

Porém sou guloso

Por uma cenoura

Eu fico manhoso

Eu pulo pra frente

Eu pulo pra trás

Dou mil cambalhotas

Sou forte demais

Comi uma cenoura

Com casca e tudo

Tão grande ela era

Fiquei barrigudo.

 

Karina

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Lições de Montaigne

Pretendemos postar, pelo menos a cada quinze dias,  alguma lição do pensador francês Michel de Montaigne.

Os trechos, extraídos do livro Os Ensaios – Editora Martins Fontes – são de uma sabedoria singular. Confiram hoje palavras sobre a educação das crianças e de como o preceptor – hoje poderíamos chamar educador – deve se conduzir nesse mister:

Da educação das crianças


(…) Assim como na agricultura as regras que vêm antes do plantio são fixas e fáceis, e também o próprio plantio, mas depois que o que está plantado começa a tomar vida há uma grande variedade de regras e dificuldades para criá-lo, da mesma forma com os homens há pouca engenhosidade em plantá-los; mas depois que nascem sobrecarregamo-nos de um cuidado diferente, cheio de trabalhos e de temor, para formá-los e criá-los.

Nessa pouca idade a manifestação de suas inclinações é tão frágil e tão obscura, as promessas tão incertas e falsas que é difícil estabelecer sobre elas um julgamento firme.

(…) Os filhotes dos ursos, dos cães, mostram inclinação natural; mas os homens, entregando-se incontinenti a costumes, a ideias, a leis, mudam ou se disfarçam facilmente.

No entanto é difícil forçar as propensões naturais. Disso advém que, por falta de ter escolhido bem o caminho delas, frequentemente nos afainamos por nada e empregamos muito tempo em formar crianças em coisas nas quais não podem tomar pé. Entretanto, nessa dificuldade, minha opinião é a de encaminhá-las para as coisas melhores e mais proveitosas, e que pouco devemos nos empenhar nessas levianas adivinhações e prognósticos que extraímos das iniciativas de sua infância.

(…)

Não cessam de martelar em nossos ouvidos, como quem despejasse em um funil, e nossa tarefa é apenas  repetir o que nos disseram. Gostaria que ele (preceptor) corrigisse esse ponto e que já desde o início, dependendo do alcance da alma que tiver nas mãos, começasse a colocá-la na parada, fazendo-a experimentar as coisas, escolhê-las e discernir por si mesma; às vezes abrindo-lhe o caminho, às vezes deixando-a abri-lo. Não quero que ele invente e fale sozinho, quero que escute o discípulo falar por sua vez.

É bom que ele o faça trotar à sua frente para julgar-lhe a andadura, e julgar até que ponto deve conter-se para se acomodar à sua força. Por falta dessa proporção estragamos tudo; e saber escolhê-la é uma das tarefas mais árduas que conheço; e é a ação de uma alma elevada e muito forte saber condescender com seus passos infantis e guiá-los. Ando com mais segurança e mais firmeza ao subir que ao descer.

Que ele lhe peça contas não apenas das palavras de sua lição mas sim do sentido e da substância, e que julgue sobre o benefício que tiver feito não pelo testemunho de sua memória e sim pelo de sua vida. Aquilo que tiver acabado de ensinar, faça a criança colocá-lo em cem facetas e adaptar a tantos outros diversos assuntos, para ver se ela realmente o captou e incorporou (…)

É prova de crueza e de indigestão regurgitar o alimento que foi engolido. O estômago não realizou sua operação, se não fez mudar a característica e a forma do que lhe deram para digerir.

(…)

Que ele o faça passar tudo pelo crivo e nada aloje em sua cabeça por simples autoridade e confiança; (…) Que lhe proponham essa diversidade de opiniões; ele escolherá se puder; se não, permanecerá em dúvida. Seguros e convictos só os loucos.

Pois se ele abraçar as opiniões de Xenofonte e de Platão por seu próprio julgamento, não serão mais as opiniões deles, serão as suas. Quem segue um outro nada segue. Nada encontra, e até mesmo nada procura. Que ele saiba que sabe, pelo menos. É preciso que se impregne dos humores deles, não que aprenda seus preceitos. E que, se quiser, esqueça de onde os obtém, mas que saiba assimilá-los. A verdade e a razão são comuns a todos, e não pertencem a quem as disse primeiramente mais do que a quem as diz depois. Não é segundo Platão mais do que segundo eu mesmo, já que ele e eu o entendemos e vemos da mesma forma. As abelhas sugam das flores aqui e ali, mas depois fazem o mel, que é todo delas: já não é tomilho nem manjerona. Assim também são as peças emprestadas de outrem que ele irá transformar e misturar, para construir uma obra toda sua: ou seja, seu julgamento. Sua educação, seu trabalho e estudo visam tão-somente a formá-lo.

(…)

Ensina-lo-ão a só entrar em argumentação ou discussão quando encontrar um campeão digno de sua luta, e mesmo então não empregar todas as estratégias que lhe possam servir, mas apenas as que lhe possam servir mais. Que o tornem escrupuloso na escolha e triagem de suas razões, e amando a pertinência, e consequentemente a brevidade. Que o instruam principalmente a render-se e a entregar as armas à verdade, tão logo a divise, quer nasça nas mãos de seu adversário, quer nasça em si mesmo por alguma reconsideração.

(…)

Que o façam compreender que admitir o erro que descobriu em seu próprio raciocínio, ainda que seja percebido apenas por ele, é um ato de discernimento e de sinceridade, que são as principais qualidades que ele procura; que obstinar-se e contestar são características comuns, que se manifestam nas almas mais baixas; que reconsiderar e corrigir-se, abandonar no ímpeto do ardor uma opinião errônea são características raras, fortes e filosóficas.

(…)

Essa educação deve conduzir-se por uma severa doçura, e não como se faz. Em vez de incitar as crianças para as letras, não lhes apresentam, na verdade, mais do que horror e crueldade. Eliminai a violência e a força; não há nada, em minha opinião, que degenere e estupidifique tão fortemente uma alma bem nascida. Se desejais que ele tema a desonra e o castigo, não o calejeis para eles. Calejai-o para o suor e o frio, o sol  e os riscos que deve menosprezar; tirai-lhe toda a frouxidão e delicadeza no vestir e no deitar, no comer e no beber; acostumai-o a tudo.

(…)

Não há nada como alimentar o apetite e a afeição; de outra forma fazemos apenas burros carregados de livros. A golpes de chicote, dão-lhes para guardar a bolsinha cheia de ciência – a qual, para ser  eficaz, não deve somente ser guardada em casa; é preciso desposá-la.

Karina

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Toquinho e as crianças

Já falamos sobre o cantor e compositor brasileiro Toquinho e de seu talento aqui no blog. O poeta – como achamos que devemos chamá-lo – sempre foi fã dos pequenos e em parceria com o grande Vinicius de Moraes compôs diversas músicas maravilhosas destinadas ao público infantil.

Hoje trazemos a letra e vídeo da canção “Imaginem”, que foi inspirada na música “Imagine” do beatle John Lennon e traz uma mensagem de paz.

Vejam:

Imaginem todos vocês

Se o mundo inteiro vivesse em paz

A natureza, talvez, não fosse destruída jamais

Russo, cowboy e chinês

Num só país sem fronteiras

Armas de fogo, seria tão bom

Se fossem feitas de isopor

E aqueles mísseis de mil megatons

Fossem bombons de licor


Flores colorindo a terra

Toda verdejante, sm guerra

Nenhum seria tão rico

Nem outro tão pobrinho

Todos num caminho só

Os rios e mares limpinhos

Com peixes, baleias, golfinhos

Faríamos as usinas e as bombas nucleares

Virarem pão-de-ló


Imaginem todos vocês

Um mundo bom, que um Beatle sonhou

Peçam a quem fala inglês

Versão da canção que John Lennon cantou

Russo, cowboy e chinês

Num só país sem fronteiras

Armas de fogo, seria tão bom

Se fossem feitas de isopor

E aqueles mísseis de mil megatons

Fossem bombons de licor


Karina

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Mário Quintana para crianças

O poeta gaúcho Mário Quintana além de escrever para adultos, dedicou seu talento também ao público infantil. Quintana escreveu para as crianças de forma simples e bem-humorada e soube, como poucos, adentrar facilmente o universo infantil.

Confiram:


Canção de nuvem e vento


Medo da nuvem

Medo Medo

Medo da nuvem que vai crescendo

Que vai se abrindo

Que não se sabe

O que vai saindo

Medo da nuvem Nuvem Nuvem

Medo do vento

Medo Medo

Medo do vento que vai ventando

Que vai falando

Que não se sabe

O que vai dizendo

Medo do vento Vento Vento

Medo do gesto

mudo

Medo da fala

Surda

Que vai movendo

Que vai dizendo

Que não se sabe

Que bem se sabe

Que tudo é nuvem que tudo é vento

Nuvem e vento Vento Vento!

A GENTE AINDA NÃO SABIA


A gente ainda não sabia que a Terra era redonda.

E pensava-se que nalgum lugar, muito longe,

Deveria haver num velho poste uma tabuleta qualquer

— uma tabuleta meio torta

E onde se lia, em letras rústicas: FIM DO MUNDO.

Ah! Depois nos ensinaram que o mundo não tem fim

E não havia remédio senão irmos andando às tontas

Como formigas na casca de uma laranja.

Como era possível, como era possível, meu Deus,

Viver naquela confusão?

Foi por isso que estabelecemos uma porção de fins de mundo…

Karina

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Vale a pena ler Ruth Rocha

Mais um estória divertida de Ruth Rocha para mostrar que as crianças são bem mais espertas do que se imagina e que a sua inteligência não pode ser subestimada.

COMO SE FOSSE DINHEIRO

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Todos os dias Catapimba levava dinheiro para escola para comprar o lanche.

Chegava no bar, comprava um sanduíche e pagava seu Lucas.

Mas seu Lucas nunca tinha troco.

Um dia, Catapimba reclamou de seu Lucas:

– Seu Lucas, eu não quero bala, quero meu troco em dinheiro.

– Ora, menino, eu não tenho troco. Que é que eu posso fazer?

– Ah, eu não sei! Só sei que quero meu troco em dinheiro!

– Ora, bala é como se fossa dinheiro, menino? Ora essa…

Catapimba ainda insistiu umas duas ou três vezes.

A resposta era sempre a mesma:

– Ora, menino, bala é como se fosse dinheiro… Então, leve um chiclete, se não gosta de bala.

Aí, Catapimba resolveu dar um jeito.

No dia seguinte, apareceu com um embrulhão de baixo do braço. Os colegas queriam saber o que era. Catapimba ria e respondia;

– Na hora do recreio, vocês vão ver…

E, na hora do recreio, todo mundo viu.

Catapimba comprou o seu lanche. Na hora de pagar, abriu o embrulho. E tirou de dentro… uma galinha.

Botou a galinha em cima do balcão.

– Que é isso, menino? – perguntou seu Lucas.

– É pra pagar o sanduíche, seu Lucas. Galinha é como se fosse dinheiro… o senhor pode me dar troco, por favor?

Os meninos estavam esperando para ver o que seu Lucas ia fazer.

Seu Lucas ficou um tempão parado, pensando…

Aí colocou uma moedas no balcão:

– Está aí seu troco, menino!

E pegou a galinha, para acabar com a confusão.

No dia seguinte, todas as crianças apareceram com embrulhos debaixo do braço.

No recreio, todo mundo foi comprar lanche.

Na hora de pagar…

Teve gente que queria pagar com raquete de pingue-pongue, com papagaio de papel, com vidro de cola, com geléia de jabuticaba…

O Armandinho quis pagar um sanduíche de mortadela com o sanduíche de goiabada que ele tinha levado…

Teve gente que também levou galinha, pato, peru…

E, quando seu Lucas reclamava, a resposta era sempre a mesma;

– Ué, seu Lucas, é como se fosse dinheiro…

Mas seu Lucas ficou chateado mesmo quando apareceu o Caloca puxando um bode.

Aí, seu Lucas correu e chamou a diretora.

Dona Júlia veio e contaram pra ela o que estava acontecendo.

E sabe o que ela achou?

Pois achou que as crianças tinham razão..

– Sabe, seu Lucas – ela falou -, bode não é como se fosse dinheiro. Galinha também não é. Até aí o senhor tem razão. Mas bala também não é como se fosse dinheiro muito menos chiclete.

Seu Lucas se desculpava:

– É, mas eu não tive troco?

– Aí, o senhor anota, e no outro dia paga.

Os meninos fizeram uma festa, deram pique-pique pra dona Júlia e tudo.

Naquele dia, nem houve mais aula.

Mas o melhor de tudo é que todos do bairro ficaram sabendo do caso.

E, agora, seu Pedro da farmácia não dá mais comprimidos de troco, seu Ângelo do mercado não dá mais mercadoria como se fosse dinheiro.

Afinal, ninguém quer receber um bode em pagamento, como se fosse dinheiro. É, ou não é?

(Fonte: http://www.uol.com.br/ruthrocha/home.htm)

Karina

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O Girassol

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Já deu para perceber que aqui no blog travamos uma luta para que os adultos ofereçam às crianças leitura de qualidade. Por isso, não nos cansamos de trazer dicas de livros em prosa e poesia que instruem e divertem a garotada.

Vinicius de Moraes foi um autor maravilhoso e presenteou os pequenos com inúmeros poemas encantadores e educativos. Abaixo, reproduzimos “O Girassol”, um grande sucesso de Vinicius. Não deixem de apresentar a seus filhos, sobrinhos, netos e amigos.

“O GIRASSOL

Sempre que o Sol

Pinta de anil

Todo o céu

O girassol

Fica um gentil

Carrossel.

O girassol é o carrossel das abelhas.

Pretas e vermelhas

Ali ficam elas

Brincando, fedelhas

Nas pétalas amarelas.

 – Vamos brincar de carrossel, pessoal?

 – “Roda, roda, carrossel

Roda, roda, rodador

Vai rodando, dando mel

Vai rodando, dando flor.”

 – Marimbondo não pode ir que é bicho mau!

 – Besouro é muito pesado!

 – Borboleta tem que fingir de borboleta na entrada!

 – Dona Cigarra fica tocando seu realejo!

 – “Roda, roda, carrossel

Gira, gira, girassol

Redondinho como o céu

Marelinho como o Sol.”

E o girassol vai oirando dia afora…

O girassol é o carrossel das abelhas.”

Telma

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O Reizinho Mandão: aprendizado fundamental para crianças

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Já virou costume no blog darmos sugestões de livros e poemas infantis para atiçar o gosto pela leitura na garotada.

Hoje não será diferente. Convidamos os leitores a oferecerem um belo presente para seus filhos, sobrinhos, netos e amigos de tenra idade: o livro “O Reizinho Mandão” da consagrada escritora e membro da Academia Brasileira de Letras Ruth Rocha.

Ruth é paulistana, nasceu em 1931 e, ao longo de sua vida profissional, escreveu inúmeros títulos para a garotada, tendo recebido diversos prêmios em razão de seu brilhantismo e de sua vocação para falar para crianças. Seu livro mais conhecido é “Marcelo, Marmelo, Martelo”, que atingiu a espetacular marca de vender mais de 1 milhão de exemplares.

Já falamos de passagem neste livro aqui no blog. Mas vale a pena um post só pra ele. O “Reizinho Mandão” narra a estória de um rei arbitrário e prepotente, que cria leis absurdas para serem seguidas em seu reino. Tem mania de mandar as pessoas calarem a boca a todo momento e é tão egoísta e arrogante, que as pessoas passam a ficar cada dia mais caladas, até que não falam mais absolutamente nada, desaprendem a falar.

Neste momento da narrativa, finalmente o déspota percebe que está agindo mal. Trata-se de um livro infantil imperdível, pela narrativa e também pelas interessantes ilustrações, de autoria de Walter Ono. Um maravilhoso aprendizado para a criançada sobre caráter, atitude, liberdade de expressão e mesmo sobre a importância da democracia.

Abaixo, postaremos apenas um trecho da obra apenas a título de aperitivo:

“…

Precisa ver que reizinho chato que ele ficou!

Mandão, teimoso, implicante, xereta!

Ele era tão xereta, tão mandão

que queria mandar em

tudo o que acontecia no reino.

Quando eu digo tudo, era tudo mesmo!

A diversão do reizinho era fazer leis

e mais leis. E as leis que ele fazia

eram as mais absurdas do mundo.

Olhem só esta lei:

“Fica terminantemente proibido cortar a unha

do dedão do pé direito em noite de lua cheia!”

Agora, por que é que o reizinho queria mandar

no dedão das pessoas,

isso ninguém jamais vai saber.

As pessoas, então, foram ficando

cada vez mais quietas,

cada vez mais caladas.

É que todo mundo tinha medo

de levar pito do rei.

E de tanto ficarem caladas

as pessoas foram esquecendo

como é que se falava.”

 

Telma

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Fábulas de Esopo e Bilac

Como já mostramos aqui neste blog, o grande poeta Olavo Bilac escreveu para adultos e para crianças.

Hoje postaremos mais poesia de Bilac para crianças. Desta vez, o poeta da perfeição transformou os ensinamentos contidos nas fábulas do lendário escritor grego Esopo em belos poemas.

Confiram:

“O Leão e o Camundongo

Um camundongo humilde e pobre
Foi um dia cair nas garras de um leão.
E esse animal possante e nobre
Não o matou por compaixão.

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Ora, tempos depois, passeando descuidoso,
Numa armadilha o leão caiu:
Urrou de raiva e dor, estorceu-se furioso…
Com todo o seu vigor as cordas não partiu.

Então, o mesmo fraco e pequenino rato
Chegou: viu a aflição do robusto animal,
E, não querendo ser ingrato,
Tanto as cordas roeu, que as partiu afinal…

Vede bem: um favor, feito aos que estão sofrendo,
Pode sempre trazer em paga outro favor.
E o mais forte de nós, do orgulho esquecendo,
Deve os fracos tratar com caridade e amor.”

 …

A Rã e o Touro

Pastava um touro enorme e forte, à beira d’água.
Vendo-o tão grande, a rã, cheia de inveja e mágoa,
Disse: “Por que razão hei de ser tão pequena,
Que aos outros animais só faça nojo e pena?

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Vamos! quero ser grande! incharei tanto, tanto,
Que, imensa, causarei às outras rãs espanto!”
Pôs-se a comer e a inchar. E às rãs interrogava:
Já vos pareço um touro?” E inchava, inchava, inchava!

Mas em vão! tanto inchou que, num tremendo estouro,
Rebentou e morreu, sem ficar como o touro.
Essa tola ambição da rã que quer ser forte
Muitos homens conduz ao desespero e à morte.

Gente pobre, invejando a gente que é mais rica,
Quer como ela gastar, e inda mais pobre fica:
– Gasta tudo o que tem, o que não tem consome,
E, por querer ter mais, vem a morrer de fome
.”

 Karina

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