Posts tagged leitura

Literatura em conta-gotas nas redes sociais

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Um abraço,

 

Karina e Telma

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Ler

Foto de Cara Borer

Foto de Cara Borer

Leia vagarosamente,

brincando com as palavras, sem querer chegar ao fim,

como se estivesse fazendo amor com a pessoa amada.

A leitura nos leva por mundos que nunca existiram e nem existirão,

por espaços longínquos que nunca visitaremos.

É desse mundo diferente, estranho ao nosso,

que passamos a ver o mundo em que vivemos de uma outra forma.

 

(Rubem Alves)

Karina

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Saramago

“Começar a ler foi para mim como entrar num bosque pela primeira vez e dar de repente com todas as árvores, todas as flores, todos os pássaros. Quando fazes isso, o que te deslumbra é o conjunto. Não dizes: gosto mais desta árvore que das outras. Não, cada livro que eu entrava, eu considerava algo único.”

José Saramago

(As palavras de Saramago – Companhia das Letras)

Karina

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Os livros

“Agora não há outra música senão a das palavras, e essas, sobretudo as que estão nos livros, são discretas, ainda que a curiosidade trouxesse a escutar à porta alguém do prédio, não ouviria mais do que um murmúrio solitário, este longo fio de som que poderá infinitamente prolongar-se, porque os livros do mundo, todos juntos, são como dizem que é o universo, infinitos.”

José Saramago

Karina

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Luis Fernando Veríssimo, para descontrair

TRISSEXUAL

As amigas se contavam tudo, tudo, do mais banal ao mais íntimo. Eram amigas desde pequenas e não passavam um dia sem se falar. Quando não se encontravam, se telefonavam. Cada uma fazia um relatório do seu dia e do seu estado, e não escapava uma ida ao super, um corrimento, uma indagação filosófica ou uma fofoca nova. Deus e todo o mundo, literalmente. Janice, Marília e Branca. Branca era a mais nova, mas já casara e já enviuvara, o que despertara um certo pânico protetor nas outras duas. Tudo acontecia rápido demais para a Branquinha, que precisava ser protegida da sua vida precipitada, da sua vida vertiginosa. Por isso Janice telefonou para Marília quando soube que a Branquinha estava namorando um homem chamado Futre, Amado Futre, Rosimar Amado Futre, e que, como se não bastasse isto, ele declarara à Branquinha que era trissexual.
– Marília de Deus – disse a Janice – o que é trissexual?!

– Bom… Bi é quando transa com os dois sexos.

– Isso eu sei.

– Tri deve ser quando transa com dois sexos e com bicho. Janice teve uma visão da Branquinha na cama com Rosimar Amado Futre, o porteiro do prédio e uma cabra. Ou um cabrito?

– Bichos dos dois sexos?

– E eu vou saber?! – gritou a Marília.

Era preciso proteger a Branquinha. Mas do quê, exatamente?

– O que é trissexual? – perguntou a Janice ao seu marido Rubião.

– Ahn? – disse Rubião, acordando.

Rubião dominara o truque de segurar um jornal na frente do rosto e dormir sem que a mulher notasse.  Janice não entendia como um homem que lia tanto jornal podia ser tão mal informado.

– O que é trissexual?

– É… é…
– Volta pro seu jornal, Rubião.

Apesar de ser a mais moça das três, Branquinha fora a primeira a perder a virgindade. Já fizera tudo que pode ser feito sobre uma cama. Ou, no caso dela, sobre uma cama, sobre uma mesa de cozinha, jantar ou pingue-pongue, sobre um estrado, na praia, no meio do campo, uma vez até no último banco de um ônibus intermunicipal – e sempre contando tudo, tudo, às outras duas. Que também contavam tudo que lhes acontecia, só não tinham tanto para contar. A Janice contava sua vida com o Rubião, que só transava nos sábados e vésperas de feriado. A Marília, que ainda não se casara e namorava um dentista chamado João, inventava, para não pensarem que ela também não tinha uma vida sexual. Mas nem as invenções mais criativas da Marília se igualavam às experiência da Branquinha. E agora um trissexual chamado Amado Futre! Branquinha talvez estivesse indo longe demais. Era preciso proteger a Branquinha.

Mas apesar de vários avisos (“Olhe lá, hein Branquinha?”) a Branquinha concordou em passar um fim de semana na serra com o Rosimar Amado Futre. E na volta, não telefonou para contar tudo, como ficara combinado. Teria lhe acontecido alguma coisa? Ela estaria num hospital, com um deslocamento, depois do que o Futre lhe fizera? Mordida por algum animal, nos arroubos da paixão? Janice e Marília não se contiveram, invadiram o apartamento de Branquinha e exigiram um relato completo. Mas cada pergunta sobre o fim de semana, Branquinha respondia “Nem te conto”. E não contou mesmo. Depois da experiência com Rosimar Amado Futre, estava tão na frente das outras que não tinham mais o que conversar. Não tinham mais pontos de referência, era isso.

Marília perguntou ao namorado João, o dentista, o que era trissexual.

– Tri?!

– É. Tri em vez de bi.

– Bi?!

– Esquece, João.

 

(Luis Fernando Veríssimo in Sexo na Cabeça – Editora Objetiva)

Karina

 

 

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Indicação de Leitura

A nossa indicação de hoje é o livro  “A Convidada”, da escritora francesa Simone de Beauvoir.

Simone de Beauvoir nasceu em 1908, na cidade de Paris. Lá se formou em Filosofia e durante esse período conheceu o filósofo Jean-Paul Sartre, que se tornou seu companheiro de toda a vida.

Feminista, Beauvoir escreveu diversos romances que causaram polêmica na época. Adepta do existencialismo – movimento filosófico que, em síntese, analisa o homem e a sua relação com o mundo, acreditando que o ser humano é definido pelas suas ações – a escritora traz muita de tal corrente filosófica em toda a sua obra.

Simone de Beauvoir morreu em Paris no ano de 1986 e deixou livros que valem a pena ser lidos, como este que indicamos hoje.

“A Convidada” se trata de um romance com traços autobiográficos da autora. Foi escrito nos anos 40 e tem como pano de fundo a cidade de Paris pré 2ª Guerra Mundial. A personagem principal é Françoise, uma escritora de 30 anos de idade que tem um relacionamento estável com Pierre, um diretor de teatro. O relacionamento dos dois é pouco convencional para a época, pois ambos têm liberdade para se envolverem com outras pessoas. Assim,  Pierre tem relações superficiais com outras mulheres, enquanto dedica a Françoise um amor amplo e total cumplicidade.

Parece que nada vai abalar a felicidade sem intercorrências do casal. Mas aí aparece Xavière, uma jovem provinciana que chega a Paris e invade completamente a vida dos dois. No início, Françoise – segura do amor de seu companheiro – se encanta com a jovem e, junto com Pierre, se dedica a apresentar-lhe Paris.

Mas, pouco a pouco, a presença constante da outra começa a se tornar uma ameaça ao seu estável relacionamento.  A mudança drástica nas atitudes de Pierre com a chegada de Xavière, passa a ser uma angústia sufocante que Françoise não sabe como colocar fim.

Simone de Beauvoir leva o leitor a compartilhar a aflição, as inquietações e todos os pensamentos de Françoise de uma forma extraordinária. Vale a pena ler!

Eis um trecho do livro para que o leitor sinta na pele as agruras de Françoise:

Françoise sentou-se à mesa de trabalho e olhou desalentada as folhas de papel. Tinha a cabeça pesada e dor na nuca e nas costas. Não se sentia com disposição para trabalhar. Xavière, mais uma vez, roubara-lhe meia hora: era terrível o tempo que ela devorava, provocando um estado de tensão sobre-humana em que não havia solidão, nem lazeres, nem mesmo simplesmente repouso. Não, repetia. Diria não com todas as suas forças e Pierre a ouviria. Sentiu que dentro dela qualquer coisa naufragava: Pierre renunciaria facilmente a essa viagem, pois seu desejo não era assim tão violento. E depois? De que servia essa renúncia? O que a angustiava era o fato de Pierre não ter se manifestado contra tal projeto. Ligaria assim tão pouca importância à sua obra? Teria já passado da perplexidade a uma indiferença completa?

(…)

Teve um sobressalto: alguém, que subira a escada precipitadamente, bateu à porta.

– Entre – disse.

Surgiram dois rostos ao mesmo tempo na soleira da porta. Ambos sorriam: Xavière escondera os cabelos num capuz escocês. Pierre segurava o cachimbo na mão.

– Vai achar ruim, se substituirmos a lição por um passeio na neve? – perguntou ele.

Françoise sentiu o coração parar. Regozijara-se tanto ao imaginar a surpresa de Pierre e a satisfação de Xavière perante os seus elogios! Entregara-se de corpo e alma à tarefa de obrigar Xavière a trabalhar. Afinal, tinha que reconhecer sua ingenuidade; as lições para eles não eram coisa séria e, além disso, pretendiam ainda fazê-la assumir a responsabilidade pela preguiça que sentiam.

– Isso é com vocês – respondeu. – Nada tenho a ver com isso.

Os sorrisos desapareceram: essa voz séria não estava prevista na brincadeira deles.

– Você nos censura de verdade? – perguntou Pierre, um pouco desorientado, olhando para Xavière, que o fixava também hesitante sobre a atitude a tomar. Pareciam dois culpados. Pela primeira vez, devido a essa cumplicidade em que Françoise os colocava, surgiam perante esta como um par. Ambos tinham consciência disso e a situação era incômoda.

– Não, não. Aproveitem o passeio.

Fechou a porta, talvez rapidamente demais, e ficou encostada à parede. Eles desciam a escada em silêncio. Françoise adivinhava as expressões penalizadas. De qualquer forma, eles não trabalhariam e ela apenas com sua atitude conseguira estragar-lhes o passeio. Teve uma espécie de soluço. Para que servia isso?

Karina

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Jean-Paul Sartre sobre os livros

Os livros foram meus passarinhos e meus ninhos, meus animais domésticos, meu estábulo e meu campo; a biblioteca era o mundo preso num espelho; tinha uma espessura infinita, variedade, imprevisibilidade. […] nada me pareceu mais importante do que um livro.

Na biblioteca eu via um templo.

Karina

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O vírus do amor ao livro

Morreu hoje na cidade de São Paulo, aos 95 anos de idade, o bibliófilo brasileiro José Mindlin, cuja biblioteca conta com quase 40.000 volumes.

Mindlin começou a sua biblioteca aos 13 anos e ele mesmo calculava ter lido aproximadamente 6.000 livros.

Nosso blog lamenta a perda desse culto brasileiro, que contribuiu para a nossa cultura deixando um acervo imenso e repleto de raridades  na Universidade de São Paulo, na “Biblioteca de Guita e José Mindlin”.

Em homenagem a Mindlin, colocaremos aqui alguns dos pensamentos desse homem que era completamente apaixonado pelos livros:

A gente passa e os livros ficam.”

“ O livro é um mágico artefato (…) que nos abre portas, fantasias e mundos”.

” (…) eu gostaria de viver 300 anos para ler todos os livros que tenho aqui em casa…”

” Eu chamo essa compulsão patológico pelos livros de loucura mansa.Mas não sei como viveria nesse mundo se os livros não existissem.”

“Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico está irremediavelmente perdido.”

“Eu procuro, nos muitos contatos que tenho com a mocidade, inocular o vírus do amor aos livros, porque uma vez inoculado está resolvido – a pessoa não se livra mais.”

Karina

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Dia Nacional do Livro

Hoje é o Dia Nacional do Livro. Para nós, do Literatura em Conta-Gotas embora todo dia seja dia do livro e da leitura, prestaremos uma pequena homenagem a esse objeto de valor inestimável, com um texto de Montaigne:

books000 (ilustração by Quentin Blake)

“(…) A companhia dos livros é a mais segura. Não se compara às outras (de homens e de mulheres), mas apresenta a vantagem de estar sempre ao nosso alcance.

O convívio com o livro sempre me ajudou, em todas as circunstâncias; consola-me na velhice e na solidão. suaviza uma ociosidade que poderia ser aborrecida e livra-me das pessoas inoportunas; amortece, enfim, os latejos da dor quando não é demasiado aguda e é mais forte do que qualquer paliativo. Para afastar uma idéia desagradável, nada como recorrer aos livros; apossam-se de mim e fazem-me esquecê-la. Jamais se ressentem por só os procurarmos na falta de prazeres mais reais, mais vivos e naturais, que outorga a companhia dos homens e das mulheres; e sempre mostram a mesma expressão.

(…) Nunca viajo sem livros, haja paz ou haja guerra. Entretanto, passam dias e meses sem que os abra. Eu o farei daqui a pouco, digo, ou amanhã, ou quando assim decidir; e o tempo passa sem que me pese. Não posso dizer quanto me descansa o pensamento tê-los à mão. nem quanto me têm sido úteis na vida. Constituem a melhor provisão que pude obter para essa viagem que é a vida e tenho realmennte pena das pessoas inteligentes que não os possuem. E por saber que esse passatempo não me pode faltar, aceito com prazer qualquer outro.”

Michel de Montaigne, in Na companhia dos homens, das mulheres e dos livros

Michel Eyquem nasceu  em 1533, no Castelo de Montaigne, de propriedade de seu pai, na Dordonha – França. Adotou o nome da propriedade, depois da morte de seu pai.

Estudou direito e foi prefeito em Bordaux. Mas foram os seus Ensaios, publicados entre 1580 e 1588, que lhe trouxeram fama. Montaigne foi um grande pensador de sua época e e seus Ensaios, que analisam o homem em geral, são atuais e repletos de sabedoria.

Karina

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1 ano de Blog!

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Hoje faz um ano que o nosso blog está no ar!

Estamos muito felizes pois, por ser um blog voltado para a literatura, no início pensamos que não haveria tanta procura, já que sabemos que nosso povo é muito carente de cultura e não gosta de ler.  Porém, surpreendentemente e para nosso imenso orgulho, o número de visitantes cresce a cada dia e isso nos dá ânimo para continuar procurando textos e fragmentos literários de qualidade para entreter os  nossos leitores.

Para comemorar, não podemos deixar de postar um texto sobre livros e o prazer da leitura, tema principal do blog.

Um abraço a todos e boa leitura!

Loucura Mansa

José Mindlin

Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros,porque em matéria de livros meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem acompanhado a vida inteira, e ainda acima disto, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem acompanhado em todo este longo percurso, faz com que tenha procurado, permanentemente,  desejar que muito mais pessoas possam também desfrutá-los. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não tenham adquirido anteriormente.

O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspectos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo  exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro, informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção, é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.

Brincadeiras à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro, não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior à que resultou da informática, pelo menos até agora.

De lá para cá, foram se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia, ou encadernação. O primeiro livro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por suas vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.

Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la.

José Mindlin é o mais importante bibliófilo brasileiro e sua biblioteca possui mais de 30.000 volumes, incluindo-se aí raridades e exemplares únicos. O público pode conferir seu acervo na Universidade de São Paulo, na “Biblioteca de Guta e José Mindlin”.

Karina e Telma

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