Archive for janeiro, 2010

Frase da Semana

“Às cinco da manhã, a angústia se veste de branco.” (Vinicius de Moraes)


Karina


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Todas as cores de Lygia Bojunga

Lygia Bojunga, sem favor nenhum, é uma das maiores escritoras brasileiras voltadas ao público infantil. Ela é inteligente, original, densa e inspirada.  Mais do que isso: é uma verdadeira especialista quando o assunto é entender a cabeça e o comportamento de crianças e adolescentes. Todas as suas obras são encantadoras.

Hoje nosso objetivo é recomendar ao nobre leitor a leitura de um dos grandes livros da referida autora. Trata-se de “O meu amigo pintor”,  escrito em 1987, que conta a envolvente estória de amizade entre um esperto adolescente e um pintor muito sensível e solitário. O sentimento que nasce entre os dois personagens que protagonizam o enredo é muito bonito e gera um aprendizado mútuo entre eles. Vale a pena conhecer.

A seguir, trazemos alguns trechos de “O meu amigo pintor”, para aguçar o espírito curioso dos frequentadores do blog:

“Eu não sei se eu já nasci desse jeito ou se eu fui ficando assim por causa do meu amigo pintor, mas quando eu olho pra uma coisa eu me ligo logo é na cor.

Gente, casa, livro, é sempre igual: primeiro eu fico olhando pra cor do olho: da porta, da capa: só depois eu começo a ver o jeito que o resto tem.

Um dia o meu amigo me disse que eu era um garoto com alma de artista, e me deu um álbum com uns trabalhos que ele tinha efeito em aquarela, tinta a óleo e pastel. Disse que tinha arrumado os trabalhos no álbum pra eu entender melhor esse negócio de cor. Nas primeiras páginas só tinha cor. Quer dizer, no princípio, nem cor tinha: era só branco e preto; depois começavam as cores: amarelo, azul, vermelho, e depois essas três cores iam se misturando pra formar uma porção, nuns desenhos que às vezes eu gostava e outras vezes não.

O meu amigo me disse que quanto mais a gente prestava atenção numa cor, mais coisa saía de dentro dela. Eu fiquei olhando pra cara dele sem entender. Não entendi  mesmo aquela história de tanta coisa ir saindo de dentro de uma cor.

De tudo que eu conversava com o meu Amigo tem duas coisas que eu lembro mais. Não sei por quê. A primeira é um papo que a gente teve num domingo. tava chovendo. A gente tinha acabado de jogar. O meu Amigo levantou, acendeu o cachimbo, começou a preparar umas tintas, e então conversou de amor:

Amor de trabalhar. De pintar. Amor de homem e de mulher, de pai, de mãe, amor de cidade-de país- e-de mundo onde a gente mora, amor de filho, de amigo.

– Amor assim feito a gente tem um pelo outro – ele falou.

O meu coração pulou.

Toda a vida eu gostei do meu Amigo assim… assim bem grande; mas eu sempre pensei que ele gostava menor de mim. Não sei se porque eu era criança e ele não; ou se porque ele era um artista e eu não; só sei que quando ele falou de amor o meu coração pulou daquele jeito: será que então a gente se gostava igual?”

Telma

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Frase da Semana

“Por certo, os que não obtêm dentro de si os recursos necessários para viver na felicidade acharão execráveis todas as idades da vida.”

Cícero

Telma

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Sempre Clarice

Não podemos deixar de render nossas eternas homenagens a uma escritora tão completa, profunda e maravilhosa como foi Clarice Lispector. Lembrar dela é reverenciar a própria literatura. Clarice foi a mais inteligente escritora brasileira de todos os tempos.

Abaixo segue mais um conto da magnífica autora que integra o livro “Felicidade Clandestina”. A consciência da escritora, de uma lucidez pungente, sua clareza ao explicar coisas indescritíveis para a maioria dos pobres mortais é fascinante e avassaladora. Vale a pena conferir:


Perdoando Deus


Eu ia andando pela avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade. Não era tour de proprétaire, nada daquilo era meu, nem eu queria. Mas parece-me que me sentia satisfeita com o que via.

Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho, mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso “fosse mesmo” o que eu sentia – e não possivelmente um equívoco de sentimento – que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo, e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.

E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.

Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contiguidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admito e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurando esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado podia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.

Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar – não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele – mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.

…mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, eu eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre  tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque eu ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia seu eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer da minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho da minha natureza? Enquanto eu imaginar que “Deus” é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim mesma consegui foi me submeter a mim mesma, pois ou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.

Telma

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Conversa de Botequim

O texto abaixo é a letra da canção “Conversa de Botequim” escrita pelo compositor brasileiro Noel Rosa em 1935.

A música retrata a figura do famoso “malandro carioca”, com seus truques e artimanhas e foi regravada por diversos cantores. Trata-se de uma composição extremamente  inteligente e bem humorada! Lamentavelmente, Noel Rosa faleceu em 1936, com apenas 26 anos!

O vídeo traz Chico Buarque interpretando “Conversa de Botequim” com o brilhantismo que lhe é peculiar.


Conversa de botequim

Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa

Uma boa média que não seja requentada.

Um pão bem quente com manteiga à beça,

Um guardanapo e um copo d´água bem gelada.

Feche a porta da direita com muito cuidado

Que não estou disposto a ficar exposto ao sol,

Vá perguntar ao seu freguês do lado

Qual foi o resultado do futebol.


Se você ficar limpando a mesa

Não me levanto nem pago a despesa…

Vá pedir ao seu patrão

Uma caneta, um tinteiro, um envelope e um cartão.

Não se esqueça de me dar palito

E um cigarro pra espantar mosquito.

Vá dizer ao charuteiro

Que me empreste umas revistas.

Um cinzeiro e um isqueiro.


Telefone ao menos uma vez

Para 34-4333

E ordene ao seu Osório

Que me mande um guarda-chuva

Aqui pro nosso escritório.

Seu garçom me empreste algum dinheiro

Que eu deixei o meu com o bicheiro.

Vá dizer ao seu gerente

Que pendure esta despesa

No cabide ali em frente.


Telma

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O Pavão, bela crônica de Rubem Braga

O PAVÃO


Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Karina

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Frase da Semana

“O silêncio é um amigo que nunca trai.” (Confúcio)

Karina

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Para relaxar: crônica de Fernando Sabino

O GATO SOU EU


– Aí então, eu sonhei que tinha acordado. Mas continuei dormindo.

– Continuou dormindo.

– Continuei dormindo e sonhando. Sonhei que estava acordado na cama, e ao lado, sentado na cadeira, tinha um gato me olhando.

– Que espécie de gato?

– Não sei. Um gato. Não entendo de gatos. Acho que era um gato preto. Só sei que me olhava com aqueles olhos parados de gato.

– A que você associa essa imagem?

– Não era uma imagem: era um gato.

– Estou dizendo a imagem do seu sonho: essa criação onírica simboliza uma profunda vivência interior. É uma projeção do seu subconsciente. A que você associa ela?

– Associo a um gato.

– Eu sei: aparentemente se trata de um gato. Mas na realidade o gato, no caso, é a representação de alguém. Alguém que lhe inspira um temor reverencial. Alguém que a seu ver está buscando desvendar o seu mais íntimo segredo. Quem pode ser essa alguém, me diga? Você deitado aí nesse divã como na cama em seu sonho, eu aqui nesta poltrona, o gato na cadeira… Evidentemente esse gato sou eu.

– Essa não, doutor. A ser alguém, neste caso o gato sou eu.

– Você está enganado. E o mais curioso é que, ao mesmo tempo, está certo, certíssimo, no sentido em que tudo o que se sonha não passa de uma projeção do eu.

– Uma projeção do senhor?

– Não: uma projeção do eu. O eu, no caso, é você.

– Eu sou o senhor? Qual é, doutor? Está querendo me confundir a cabeça ainda mais? Eu sou eu, o senhor é o senhor, e estamos conversados.

– Eu sei: eu sou eu, você é você. Nem eu iria pôr em dúvida uma coisa dessas, mais do que evidente. Não é isso que eu estou dizendo. Quando falo no eu, não estou falando em mim, por favor, entenda.

– Em quem o senhor está falando?

– Estou falando na individualidade do ser, que se projeta em símbolos oníricos. Dos quais o gato do seu sonho é um perfeito exemplo. E o papel que você atribui ao gato, de fiscalizá-lo o tempo todo, sem tirar os olhos de você, é o mesmo que atribui a mim. Por isso é que eu digo que o gato sou eu.

– Absolutamente. O senhor vai me desculpar, doutor, mas o gato sou eu, e disto não abro mão.

– Vamos analisar essa sua resistência em admitir que eu seja o gato.

– Então vamos começar pela sua insistência em querer ser o gato. Afinal de contas, de quem é o sonho: meu ou seu?

– Seu. Quanto a isto, não há a menor dúvida.

– Pois então? Sendo assim, não há também a menor dúvida de que o gato sou eu, não é mesmo?

– Aí é que você se engana. O gato é você, na sua opinião. E sua opinião é suspeita, porque formulada pelo consciente. Ao passo que, no subconsciente, o gato é uma representação do que significo para você. Portanto, insisto em dizer: o gato sou eu.

– E eu insisto em dizer: não é.

– Sou.

– Não é. O senhor por favor saia do meu gato, que senão eu não volto mais aqui.

– Observe como inconscientemente você está rejeitando minha interferência na sua vida através de uma chantagem…

– Que é que há, doutor? Está me chamando de chantagista?

– É um modo de dizer. Não vai nisso nenhuma ofensa. Quero me referir à sua recusa de que eu participe de sua vida, mesmo num sonho, na forma de um gato.

– Pois se o gato sou eu! Daqui a pouco o senhor vai querer cobrar consulta até dentro do meu sonho.

– Olhe aí, não estou dizendo? Olhe a sua reação: isso é a sua maneira de me agredir. Não posso cobrar consulta dentro do seu sonho enquanto eu assumir nele a forma de um gato.

– Já disse que o gato sou eu!

– Sou eu!

– Ponha-se para fora do meu gato!

– Ponha-se para fora daqui!

– Sou eu!

– Eu!

– Eu! Eu!

– Eu! Eu! Eu!

Fernando Tavares Sabino nasceu em Belo Horizonte no dia 12 de outubro de 1923.

Considerado um dos principais cronistas do país , Fernando Sabino possuía um estilo simples e bem-humorado e retratou em seus textos cenas do cotidiano.

Suas obras mais famosas foram “O Encontro marcado” de 1956, “O homem nu” de 1960 e “O grande mentecapto” de 1979, que lhe rendeu o prêmio Jabuti.

Em 1999, pelo conjunto de sua obra,  recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio Machado de Assis.

Faleceu aos 81 anos de idade,em outubro de 2004.

Karina

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Mário Quintana para crianças

O poeta gaúcho Mário Quintana além de escrever para adultos, dedicou seu talento também ao público infantil. Quintana escreveu para as crianças de forma simples e bem-humorada e soube, como poucos, adentrar facilmente o universo infantil.

Confiram:


Canção de nuvem e vento


Medo da nuvem

Medo Medo

Medo da nuvem que vai crescendo

Que vai se abrindo

Que não se sabe

O que vai saindo

Medo da nuvem Nuvem Nuvem

Medo do vento

Medo Medo

Medo do vento que vai ventando

Que vai falando

Que não se sabe

O que vai dizendo

Medo do vento Vento Vento

Medo do gesto

mudo

Medo da fala

Surda

Que vai movendo

Que vai dizendo

Que não se sabe

Que bem se sabe

Que tudo é nuvem que tudo é vento

Nuvem e vento Vento Vento!

A GENTE AINDA NÃO SABIA


A gente ainda não sabia que a Terra era redonda.

E pensava-se que nalgum lugar, muito longe,

Deveria haver num velho poste uma tabuleta qualquer

— uma tabuleta meio torta

E onde se lia, em letras rústicas: FIM DO MUNDO.

Ah! Depois nos ensinaram que o mundo não tem fim

E não havia remédio senão irmos andando às tontas

Como formigas na casca de uma laranja.

Como era possível, como era possível, meu Deus,

Viver naquela confusão?

Foi por isso que estabelecemos uma porção de fins de mundo…

Karina

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Início de Ano: renovação da esperança

Toda vez que um novo ano se inicia, ela aparece e enche os corações. Sim, estamos falando da esperança. Esperança de dias melhores, de realização daquilo que não foi possível no ano que findou, de paz e de amor. E realmente a esperança é um sentimento fundamental para levarmos a vida adiante, sempre à espera de bons acontecimentos.

Abaixo, trazemos uma coletânea com algumas frases sábias acerca da esperança. Aproveitem!


“Já dei tudo. Nada me resta de tudo quanto tive, exceto tu, esperança!”

Friedrich Nietzsche


“Vão-se as esperanças, uma após outra, mas o coração continua a esperar; quebram-se as ondas, uma após outra, mas o mar não se acaba.”

F.Rueckert


“O coração do homem necessita de molas. No infortúnio poderosa mola é a esperança. E se todos os homens de bem a perdessem, que seria de nós?”

Jaime Balmes


“A esperança é para o homem o que é o cão para o cego, o que é a água para a planta; é o guia, a âncora de salvação nas suas perambulações por este mundo.”

Vicente Manterola


“Deus disse ao corpo: vive; e à alma: espera.”

José Selgas


“Ainda esperamos, quando já desesperamos.”

Remy de Gourmont


“A esperança é o único bem comum a todos os homens; até os que já nada possuem a possuem ainda.”

Tales de Mileto


“Os homens cometem sempre o erro de não saber pôr limites às suas esperanças.”

Maquiavel


“Enquanto há vida, há esperança.”

Cícero


“Divina mentira, dano ao homem o dom de suportar o mundo.”

Olavo Bilac


“Em tudo que alvorece há um sorriso de esperança.”

Coelho Neto


Telma

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