Archive for agosto, 2009

Drummond, Drummond, Drummond…

Carlos Drummond de Andrade é um de nossos poetas favoritos. Adoramos postar suas crônicas e poemas; admiramos o modo como via o mundo e também o estilo de colocar suas impressões no papel.

Uma característica recorrente na poesia de Drummond é a utilização do recurso da repetição.  Muitos poetas fazem uso de tal recurso, mas nem sempre o efeito é satisfatório. Carlos Drummond de Andrade usou a estilística da repetição com genialidade, sem se tornar enfadonho e com resultados espetaculares.

Um exemplo está no poema que reproduzimos a seguir:

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Ainda que mal


Ainda que mal pergunte,

ainda que mal respondas;

ainda que mal te entenda,

ainda que mal repitas;

ainda que mal insista,

ainda que mal desculpes;

ainda que mal me exprima,

ainda que mal me julgues;

ainda que mal me mostre,

ainda que mal me vejas;

ainda que mal te encare,

ainda que mal te furtes;

ainda que mal te siga,

ainda que mal te voltes;

ainda que mal te ame,

ainda que mal o saibas;

ainda que mal te agarre,

ainda que mal te mates;

ainda assim te pergunto

e me queimando em teu seio,

me salvo e me dano: amor.

Karina

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Frase da semana (23/08 a 29/08)

A partir de hoje, toda  sexta-feira será dia de uma frase especial aqui no blog. Procuraremos homenagear os mais diversos autores, assuntos e estilos. Esperamos que o nobre leitor aproveite. Aceitamos sugestões de frases interessantes também. As melhores serão oportunamente publicadas.

Telma

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“O destino é apenas o acaso com mania de grandeza.” (Mário Quintana)

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O Alienista

Machado de Assis, gênio falecido em 1908, no Rio de Janeiro, escreveu grandes e imperdíveis romances, tais como: “A Mão e a Luva”; “Helena”; “Memórias póstumas de Brás Cubas”; “Quincas Borba”; “Dom Casmurro”. Também produziu obras memoráveis na seara dos contos, poesias e teatro.

Trata-se, como é notório, de um autor completo e maravilhoso, de inteligência aguçada e talento incomparável. Pertencente à escola literária do Realismo e bastante adepto da digressão em suas obras, Machado é tido, sem favor nenhum, como o maior escritor de língua portuguesa de todos os tempos.

Um de nossos contos preferidos, escrito pelo admirável  Machado de Assis, é “O Alienista’, cuja temática gira em torno da tênue linha existente entre a loucura e a sanidade mental. Quem é louco? Quem é são? A conclusão a que se chega ao final é surpreendente.

A seguir, transcrevemos  um trecho do mencionado conto, esperando que o leitor, seguindo a dica, leia a obra na íntegra:

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Uma vez desonerado da administração, o alienista procedeu a uma vasta classificação dos seus enfermos. Dividiu-os primeiramente em duas classes principais: os furiosos e os mansos; daí passou às subclasses, monomanias, delírios, alucinações diversas. Isto feito, começou um estudo acurado e contínuo; analisava os hábitos de cada louco, as horas de acesso, as aversões, as simpatias, as palavras, os gestos, as tendências; inquiria da vida dos enfermos, profissões, costumes, circunstâncias da revelação mórbida, acidentes da infância e da mocidade, doenças de outra espécie, antecedentes na família, uma devassa, enfim, como a não faria o mais atilado corregedor.

… Mal dormia e mal comia; e ainda comendo, era como se trabalhasse, porque ora interrogava um texto antigo, ora ruminava uma questão, e ia muitas vezes de um cabo a outro do jantar sem dizer uma só palavra a D. Evarista.

–  A Casa Verde é um cárcere privado, disse um médico sem clínica.

Nunca uma opinião pegou e grassou tão rapidamente. Cárecere privado: eis o que se repetia de norte a sul e de leste a oeste de Itaguaí, – a medo, é verdade, porque durante a semana que se seguiu à captura do pobre Mateus, vinte e tantas pessoas, duas ou três de consideração – foram recolhidas à Casa Verde. O alienista dizia que só eram admitidos os casos patológicos, mas pouca gente lhe dava crédito. Sucediam-se as versões populares. Vingança, cobiça de dinheiro, castigo de Deus, monomania do próprio médico, plano secreto do Rio de Janeiro com o fim de destruir em Itaguaí qualquer germe de prosperidade que viesse a brotar, arvorecer, florir, com desdouro e míngua daquela cidade, mil outras explicações, que não explicavam nada, tal era o produto diário da imaginação pública.

Daí em diante foi uma coleta desenfreada. Um homem não podia dar nascença ou curso à mais simples mentira do mundo, ainda daquelas que aproveitam ao inventor ou divulgador, que não fosse logo metido na Casa Verde. Tudo era loucura. Os cultores de enigmas, os fabricantes de charadas, de anagramas, os maldizentes, os curiosos da vida alheia, os que põem todo o seu cuidado na tafularia, um ou outro almotacé enfunado, ninguém escapava aos emissários do alienista. Ele respeitava as namoradas e não poupava as namoradeiras, dizendo que as primeiras cediam a um impulso natural e as segundas a um vício. Se um homem era avaro ou pródigo, ia do mesmo modo para a Casa Verde; daí a alegação de que não havia regra para a completa sanidade mental.

Telma

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Da Solidão

Reproduzimos hoje esta bela crônica da escritora Cecília Meireles, a qual sugere que olhemos mais ao nosso redor, que prestemos mais atenção na essência das coisas e também que nos voltemos para dentro de nós mesmos. Certamente desse modo, jamais estaremos sós.

Da Solidão

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Há muitas pessoas que sofrem do mal da solidão. Basta que em redor delas se arme o silêncio, que não se manifeste aos seus olhos nenhuma presença humana, para que delas se apodere imensa angústia: como se o peso do céu desabasse sobre sua cabeça, como se dos horizontes se levantasse o anúncio do fim do mundo.

No entanto, haverá na terra verdadeira solidão? Não estamos todos cercados por inúmeros objetos, por infinitas formas da Natureza e o nosso mundo particular não está cheio de lembranças, de sonhos, de raciocínios, de idéias, que impedem uma total solidão?

Tudo é vivo e tudo fala, em redor de nós, embora com vida e voz que não são humanas, mas que podemos aprender a escutar, por muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a esclarecer o nosso próprio mistério. Como aquele sultão Mamude, que entendia a fala dos pássaros, podemos aplicar toda a nossa sensibilidade a esse aparente vazio de solidão: e pouco a pouco nos sentiremos enriquecidos.

Pintores e fotógrafos andam em volta dos objetos à procura de ângulos, jogos de luz, eloqüência de formas, para revelarem aquilo que lhe parece não só o mais estático dos seus aspectos, mas também o mais comunicável, o mais rico de sugestões, o mais capaz de transmitir aquilo que excede os limites físicos desses objetos, constituindo, de certo modo, seu espírito e sua alma.

Façamo-nos também desse modo videntes: olhemos devagar para a cor das paredes, o desenho das cadeiras, a transparência das vidraças, os dóceis panos tecidos sem maiores pretensões. Não procuremos neles a beleza que arrebata logo o olhar, o equilíbrio das linhas, a graça das proporções: muitas vezes seu aspecto – como o das criaturas humanas – é inábil e desajeitado. Mas não é isso que procuramos, apenas: é o seu sentido íntimo que tentamos discernir. Amemos nessas humildes coisas a carga de experiências que representam, e a repercussão, nelas sensível, de tanto trabalho humano, por infindáveis séculos.

Amemos o que sentimos de nós mesmos, nessas variadas coisas, já que, por egoístas que somos, não sabemos amar senão aquilo em que nos encontramos. Amemos o antigo encantamento dos nossos olhos infantis, quando começavam a descobrir o mundo: as nervuras das madeiras, com seus caminhos de bosques e ondas e horizontes; o desenho dos azulejos; o esmalte das louças; os tranqüilos, metódicos telhados… Amemos o rumor da água que corre, os sons das máquinas, a inquieta voz dos animais, que desejaríamos traduzir.

Tudo palpita em redor de nós, e é como um dever de amor aplicarmos o ouvido, a vista, o coração a essa infinidade de formas naturais ou artificiais que encerram seu segredo, suas memórias, suas silenciosas experiências. A rosa que se despede de si mesma, o espelho onde pousa o nosso rosto, a fronha por onde se desenham os sonhos de quem dorme, tudo, tudo é um mundo com passado, presente, futuro, pelo qual transitamos atentos ou distraídos. Mundo delicado, que não se impõe com violência: que aceita a nossa frivolidade ou o nosso respeito; que espera que o descubramos, sem se anunciar nem pretender prevalecer; que pode ficar para sempre ignorado, sem que por isto deixe de existir; que não faz da sua presença um anúncio exigente. “Estou aqui, estou aqui!” Mas, concentrado em sua essência, só se revela quando os nossos sentidos estão aptos para o descobrirem. E que em silêncio nos oferece sua múltipla companhia, generosa e invisível.

Oh! se vos queixais de solidão humana, prestai atenção, em redor de vós, a essa prestigiosa presença, a essa copiosa linguagem que de tudo transborda, e que conversará convosco interminavelmente.

(Cecília Meireles in Janela Mágica – Editora Moderna)

Karina

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O Relógio, por João Cabral de Melo Neto

Já falamos aqui no blog sobre o grande escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto, autor, dentre outras obras incríveis, de Morte e Vida Severina.

Hoje trazemos o poema “O Relógio”, que retrata o tema tempo e sua inexorabilidade.

Saboreiem:

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O Relógio


1.

Ao redor da vida do homem

há certas caixas de vidro,

dentro das quais, como em jaula,

se ouve palpitar um bicho.


Se são jaulas não é certo;

mais perto estão das gaiolas

ao menos, pelo tamanho

e quadradiço de forma.


Uma vezes, tais gaiolas

vão penduradas nos muros;

outras vezes, mais privadas,

vão num bolso, num dos pulsos.


Mas onde esteja: a gaiola

será de pássaro ou pássara:

é alada a palpitação,

a saltação que ela guarda;


e de pássaro cantor,

não pássaro de plumagem:

pois delas se emite um canto

de uma tal continuidade


que continua cantando

se deixa de ouvi-lo a gente:

como a gente às vezes canta

para sentir-se existente.


2.

O que eles cantam, se pássaros,

é diferente de todos:

cantam numa linha baixa,

com voz de pássaro rouco;


desconhecem as variantes

e o estilo numeroso

dos pássaros que sabemos,

estejam presos ou soltos;


têm sempre o mesmo compasso

horizontal e monótono,

e nunca, em nenhum momento,

variam de repertório:


dir-se-ia que não importa

a nenhum ser escutado.

Assim, que não são artistas

nem artesãos, mas operários


para quem tudo o que cantam

é simplesmente trabalho,

trabalho rotina, em série,

impessoal, não assinado,


de operário que executa

seu martelo regular

proibido (ou sem querer)

do mínimo variar.


3.

A mão daquele martelo

nunca muda de compasso.

Mas tão igual sem fadiga,

mal deve ser de operário;


ela é por demais precisa

para não ser mão de máquina,

a máquina independente

de operação operária.


De máquina, mas movida

por uma força qualquer

que a move passando nela,

regular, sem decrescer:


quem sabe se algum monjolo

ou antiga roda de água

que vai rodando, passiva,

graçar a um fluido que a passa;


que fluido é ninguém vê:

da água não mostra os senões:

além de igual, é contínuo,

sem marés, sem estações.


E porque tampouco cabe,

por isso, pensar que é o vento,

há de ser um outro fluido

que a move: quem sabe, o tempo.


4.

Quando por algum motivo

a roda de água se rompe,

outra máquina se escuta:

agora, de dentro do homem;


outra máquina de dentro,

imediata, a reveza,

soando nas veias, no fundo

de poça no corpo, imersa.


Então se sente que o som

da máquina, ora interior,

nada possui de passivo,

de roda de água: é motor;


se descobre nele o afogo

de quem, ao fazer, se esforça,

e que ele, dentro, afinal,

revela vontade própria,


incapaz, agora, dentro,

de ainda disfarçar que nasce

daquela bomba motor

(coração, noutra linguagem)


que, sem nenhum coração,

vive a esgotar, gota a gota,

o que o homem, de reserva,

possa ter na íntima poça.

Karina

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O Mosquito e o Pato

Hoje trazemos mais duas poesias infantis escritas pelo eterno Vinicus de Moraes. Ambas tratam de animais, temática bastante recorrente do autor em seus poemas para crianças, sendo que uma delas é a famosíssima “O Pato”. Não deixem de mostrá-las aos pequenos. O gosto pela leitura deve se desenvolver o mais cedo possível.


O MOSQUITO

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O mundo é tão esquisito:

Tem mosquito.


Por que, mosquito, por que

Eu… e você?


Você é o inseto

Mais indiscreto

Da Criação

Tocando fino

Seu violino

Na escuridão.


Tudo de mau

Você reúne

Mosquito pau

Que morde e zune.


Você gostaria

De passar o dia

Numa serraria

Gostaria?


Você parece uma serraria!


O PATO

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Lá vem o Pato

Pata aqui, pata acolá

Lá vem o Pato

Para ver o que é que há.

O Pato pateta

Pintou o caneco

Surrou a galinha

Bateu no marreco

Pulou do poleiro

No pé do cavalo

Levou um coice

Criou um galo

Comeu um pedaço

De jenipapo

Ficou engasgado

Com dor no papo

Caiu no poço

Quebrou a tigela

Tantas fez o moço

Que foi pra panela.

Telma

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A Terra, por Mário Quintana

Mário Quintana sempre consegue captar a essência das coisas com a sua genial simplicidade.

Vejam:

A Terra

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As fronteiras foram riscadas no mapa,

a Terra não sabe disso:

são para ela tão inexistentes

como esses meridianos com que os velhos sábios a recortavam

como se fosse um melão.

É verdade que vem sentindo há muito uns pruridos,

uma leve comichão que às vezes se agrava:

ela não sabe que são os homens…

Ela não sabe que são os homens com as suas guerras

e outros meios de comunicação.

Karina

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Persona, por Clarice Lispector

Já ficou claro que o blog Literatura em Conta-Gotas é fã incondicional da maravilhosa Clarice Lispector. E a cada dia percebemos mais e mais que realmente a coletânea de crônicas “A Descoberta do Mundo”, de autoria de Clarice, é um tesouro precioso que não pode passar despercebido do ávido leitor. É um verdadeiro baú de conhecimentos…

O artigo escrito em 02 de março de 1968 pela renomada escritora e intitulado “Persona” é prova cabal disso. Como é possível alguém descrever tão bem o mais recôndito da alma humana?

E você, caro leitor, que máscara usa para fugir de si mesmo?

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Persona

Não, não pretendo falar do filme de Bergman. Também emudeci ao sentir o dilaceramento de culpa de uma mulher que odeia seu filho, e por quem este sente um grande amor. A mudez que a mulher escolheu para viver a sua culpa: não quis falar, o que aliviria o seu sofrimento, mas calar-se para sempre como castigo. Nem quero falar da enfermeira que, se a princípio tinha a vida assegurada pelo futuro marido e filhos, absorve no entanto a personalidade da que escolhera o silêncio, transforma-se numa mulher que não quer nada e quer tudo – e o nada o que é? e o tudo o que é? Sei, oh sei que a humanidade se extravasou desde que apareceu o primeiro homem. Sei que a mudez, se não diz nada, pelo menos não mente, enquanto as palavras dizem o que não quero dizer. Também não vou chamar Bergman  de genial. Nós, sim, é que não somos geniais. Nós que não soubemos nos apossar da única coisa completa que nos é dada ao nascimento: o gênio da vida.

Vou falar da palavra pessoa, que persona lembra. Acho que aprendi o que vou contar com meu pai. Quando elogiavam demais alguém, ele resumia sóbrio e calmo: é, ele é uma pessoa. Até hoje digo, como se fosse o máximo que se pode dizer de alguém que venceu numa luta, e digo com o coração orgulhoso de pertencer à humanidade: ele, ele é um homem. Obrigada por ter desde cedo me ensinado a distinguir entre os que realmente nascem, vivem e morrem, daqueles que, como gente, não são pessoas.

Persona. Tenho pouca memória, por isso já não sei se era no antigo teatro grego que os atores, antes de entrar em cena, pregavam ao rosto uma máscara que representava pela expressão o que o papel de cada um deles iria exprimir.

Bem sei que uma das qualidades de um ator está nas mutações sensíveis de seu rosto, e que a máscara as esconde. Por que então me agrada tanto a idéia de atores entrarem no palco sem rosto próprio? Quem sabe , eu acho que a máscara é um dar-se tão importante quanto o dar-se pela dor do rosto. Inclusive os adolescentes, estes que são puro rosto, à medida que vão vivendo fabricam a própria máscara. E com muita dor. Porque saber que de então em diante se vai passar a representar um papel é uma surpresa amedrontadora. É a liberdade horrível de não ser. E a hora da escolha.

Mesmo sem ser atriz nem ter pertencido ao teatro grego – uso uma máscara. Aquela mesma que nos partos de adolescência se escolhe para não se ficar desnudo para o resto da luta. Não, não é que se faça mal em deixar o próprio rosto exposto à sensibilidade. Mas é que esse rosto que estava nu poderia, ao ferir-se, fechar-se sozinho em súbita máscara involuntária e terrível. É, pois, menos perigoso escolher sozinho ser uma pessoa. Escolher a própria máscara é o primeiro gesto voluntário humano. E solitário. Mas quando enfim se afivela a máscara daquilo que se escolheu para representar-se e representar o mundo, o corpo ganha uma nova firmeza, a cabeça ergue-se altiva como a de quem superou um obstáculo. A pessoa é.

Se bem que pode acontecer uma coisa que me humilha contar.

É que depois de anos de verdadeiro sucesso com a máscara, de repente – ah, menos que de repente, por causa de um olhar passageiro ou uma palavra ouvida – de repente a máscara de guerra de vida cresta-se toda no rosto como lama seca, e os pedaços irregulares caem como um ruído oco no chão. Eis o rosto agora nu, maduro, sensível quando já não era mais para ser. E ele chora em silêncio para não morrer. Pois nessa certeza sou implacável: este ser morrerá. A menos que renasça até que dele se possa dizer “esta é uma pessoa”. Como pessoa teve que passar pelo caminho de Cristo.

Telma

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Fábulas de Esopo

Esopo foi um lendário fabulista grego. Não há dados precisos sobre a sua vida. O que se sabe, é que possivelmente Esopo viveu no século 6 a.C nos arredores da Grécia.

Esopo se tornou célebre em razão de suas singelas estórias sobre animais, sempre com um ensinamento ou lição de moral. As famosas fábulas de Esopo nunca foram por ele escritas, apenas eram contadas ao povo nos lugares por onde passava. De tanto serem repetidas, após quase 200 anos da morte do fabulista, as narrativas  foram transcritas para o papel e fazem sucesso até os dias atuais.

Reproduziremos hoje dois dos títulos mais famosos de Esopo, retirados do livro Fábulas – Esopo, da Editora Martin Claret:

A raposa e o cacho de uvas

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Uma raposa faminta viu uns cachos de uva pendentes de uma vinha: quis pegá-los mas não conseguiu. Então afastou-se murmurando: “- Estão verdes demais.”

Moral: Assim também, alguns homens, não conseguindo realizar seus negócios por incapacidade, acusam as circunstâncias.

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A galinha dos ovos de ouro

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Um zeloso adorador de Hermes fora agraciado por este com uma galinha que punha ovos de ouro. O homem porém não se contentava com este ganho, que achava modesto. Crendo que ela tinha nas estranhas um monte de ouro, não hesitou em matá-la. E viu então que era igual às outras galinhas. Assim, pela ganância, ficou privado até dos ovos, nos quais encontrava um pequeno ganho.

Moral: Os gananciosos, que querem sempre mais, chegam a perder até o que possuem.

Karina

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Pensando sobre poesia

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Sempre postamos poesias as mais variadas no blog, afinal esta é uma das expressões mais sublimes da literatura, seja lírica, dramática ou épica, a depender do sentimento sobre o qual o poeta pretende falar. Em verdade, a poesia é a arte em palavras.

Abaixo, seguem algumas reflexões acerca de poetas e poesias:

“Se a poesia não existisse, a vida não passaria de uma ferida sempre em sangue. É a poesia que nos dá o que a natureza nos nega: uma idade de ouro que não envelhece, uma primavera que não murcha, uma ventura sem nuvens e uma juventude eterna.” (L. Boerne)

“Nos poetas sonha a humanidade.” (Friedrich Hebbel)

“Há imagens nos poemas e poemas nas imagens.” (Provérbio Chinês)

“Fazer-se poeta é enfermidade incurável e contagiosa.” (Miguel de Cervantes)

“A poesia tem uma única fonte: o sentimento profundo daquilo que não se pode exprimir.” (L.Arréat)

“A poesia é uma pintura que se move e uma música que pensa.” (E. Deschamps)

“A indignação faz versos.” (Juvenal)

“A poesia não tem presente: ou é esperança ou saudade.” (Camilo Castelo Branco)

“Não é retórica a poesia, nem eloquência. É dor. Dor, estilizada, dor de amor, dor de saudades, dor de esperanças, dor de ilusões murchas, dor de anseios vagos, dor da impotência, dor do inexprimível.” (Monteiro Lobato)

Telma

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