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Dia Nacional do Leitor

No Dia Nacional do Leitor, presenteamos os leitores do blog com esse belo trecho de José Saramago:

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“Vivi, olhei, li, senti, Que faz aí o ler, Lendo, fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou certa, Terás então de ler doutra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados às página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser, quê, A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ele, a sua própria margem, que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá que chegar…” (A Caverna)

Karina

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Ler

Foto de Cara Borer

Foto de Cara Borer

Leia vagarosamente,

brincando com as palavras, sem querer chegar ao fim,

como se estivesse fazendo amor com a pessoa amada.

A leitura nos leva por mundos que nunca existiram e nem existirão,

por espaços longínquos que nunca visitaremos.

É desse mundo diferente, estranho ao nosso,

que passamos a ver o mundo em que vivemos de uma outra forma.

 

(Rubem Alves)

Karina

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Saramago

“Começar a ler foi para mim como entrar num bosque pela primeira vez e dar de repente com todas as árvores, todas as flores, todos os pássaros. Quando fazes isso, o que te deslumbra é o conjunto. Não dizes: gosto mais desta árvore que das outras. Não, cada livro que eu entrava, eu considerava algo único.”

José Saramago

(As palavras de Saramago – Companhia das Letras)

Karina

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1 ano de Blog!

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Hoje faz um ano que o nosso blog está no ar!

Estamos muito felizes pois, por ser um blog voltado para a literatura, no início pensamos que não haveria tanta procura, já que sabemos que nosso povo é muito carente de cultura e não gosta de ler.  Porém, surpreendentemente e para nosso imenso orgulho, o número de visitantes cresce a cada dia e isso nos dá ânimo para continuar procurando textos e fragmentos literários de qualidade para entreter os  nossos leitores.

Para comemorar, não podemos deixar de postar um texto sobre livros e o prazer da leitura, tema principal do blog.

Um abraço a todos e boa leitura!

Loucura Mansa

José Mindlin

Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros,porque em matéria de livros meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem acompanhado a vida inteira, e ainda acima disto, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem acompanhado em todo este longo percurso, faz com que tenha procurado, permanentemente,  desejar que muito mais pessoas possam também desfrutá-los. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não tenham adquirido anteriormente.

O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspectos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo  exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro, informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção, é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.

Brincadeiras à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro, não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior à que resultou da informática, pelo menos até agora.

De lá para cá, foram se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia, ou encadernação. O primeiro livro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por suas vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.

Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la.

José Mindlin é o mais importante bibliófilo brasileiro e sua biblioteca possui mais de 30.000 volumes, incluindo-se aí raridades e exemplares únicos. O público pode conferir seu acervo na Universidade de São Paulo, na “Biblioteca de Guta e José Mindlin”.

Karina e Telma

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Da Areopagítica, por John Milton

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                                                   Ilustração de Leticia Plate  

“Livros não são coisas absolutamente mortas; contêm um espécie de vida em potência tão prolífica quanto a da alma que os engendrou. E mais: eles preservam, como num frasco, o mais puro e eficaz extrato do intelecto que os produziu. Estou convencido de que eles são tão vivos e tão vigorosamente fecundos quanto aqueles dentes de dragão da fábula. E que, uma vez semeados aqui e ali, podem dar nascimento a homens armados. E, por outro lado, vale refletir que matar um homem pode ser até melhor que matar um bom livro. Quem mata um homem mata uma criatura racional, feita à imagem de Deus, mas aquele que destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus como no olho. Muitos homens não passam de um fardo sobre a Terra. Mas um bom livro é o precioso sangue do espírito superior, conservado e guardado com vistas a uma vida para além da vida.”

 

John Milton (1608-1678) foi poeta, orador e político inglês. Areopagítica, publicada em 1644, foi um manifesto em favor da liberdade de imprensa e contra a censura imposta pelo Parlamento.

A obra mais famosa de Milton foi Paraíso Perdido, poema editado em 10 volumes e que fala sobre o mal no mundo e suas consequências.

Karina

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O incomparável prazer da leitura

Marcel Proust, no fragmento abaixo, extraído de sua obra “O prazer da leitura”, nos transmite como um livro pode ser capaz de nos marcar pela vida toda.

Vejam:

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“Não há talvez dias da nossa infância que tenhamos tão intensamente vivido como aqueles que julgamos passar sem tê-los vivido, aqueles que passamos com um livro preferido. Tudo quanto, ao que parecia, os enchia para os outros, e que afastávamos como um obstáculo vulgar a um prazer divino: a brincadeira para a qual um amigo nos vinha buscar na passagem mais interessante, a abelha ou o raio de sol incomodativos que nos obrigavam a erguer os olhos da página ou a mudar de lugar, as provisões para o lanche que nos obrigavam a levar e que deixávamos ao nosso lado no banco, sem lhes tocar, enquanto, sobre a nossa cabeça, o sol diminuía de intensidade no céu azul, o jantar que motivara o regresso a casa e durante o qual só pensávamos em nos levantarmos da mesa para acabar, imediatamente a seguir, o capítulo interrompido, tudo isto, que a leitura nos devia ter impedido de perceber como algo mais do que a falta de oportunidade, ela pelo contrário gravava em nós uma recordação de tal modo doce (de tal modo mais preciosa no nosso entendimento atual do que o que líamos então com amor) que, se ainda hoje nos acontece folhear esses livros de outrora, é apenas como sendo os únicos calendários que guardamos dos dias passados, e com a esperança de ver refletidas nas suas páginas as casas e os lagos que já não existem.”

Marcel Proust nasceu em 1871, em Auteuil, subúrbio de Paris. Tinha a saúde muito debilitada desde a infância, o que o levou a mudar-se na adolescência para  as Champs-Élysées, onde o ar menos poluído melhorava suas crises de asma.

Ingressou na faculdade de Direito mas não seguiu carreira, tendo em vista sua dedicação à literatura. Juntamente com amigos fundou a revista literária Le Banquet, ao mesmo tempo em que atuava como colaborador em outros periódicos.

Considerado um dos maiores nomes da literatura mundial, Proust é famoso por sua obra “Em Busca do Tempo Perdido”, com oito volumes.

Marcel Proust faleceu em 1922, na cidade de Paris.

Karina

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Drummond e o livro

 Ler é sempre a melhor opção.

Vejam o que Carlos Drummond de Andrade fala sobre o livro:

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“Que coisa é o livro? Que contém na sua
frágil arquitetura aparente?
São palavras, apenas, ou é a nua
exposição de uma alma confidente?
De que lenho brotou? Que nobre instinto
da prensa fez surgir esta obra de arte
que vive junto a nós, sente o que sinto
e vai clareando o mundo em toda parte?”

Karina

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Pensamento do dia

O homem deveria ler como quem vê, como quem ouve, como quem respira. Ou mais: o homem deveria ler com o mesmo prazer como quem vê um pôr-do-sol, ouve uma canção ou enche de ar seus pulmões numa manhã de outono. Afinal, o prazer passa pelos sentidos.” (Ensaio para um poema – Ziraldo)

Karina

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Ler: conhecimento e diversão

 

Já dissemos aqui que ler é essencial para abrir novos horizontes. Algumas pessoas, entretanto, dizem que não conseguem ter vontade de sequer abrir um livro. Será preguiça? Coisas mais interessantes para fazer? Falta de tempo?

Seja o que for, nunca é tarde para começar. E, descoberto o mundo maravilhoso contido nos livros, o vício é para sempre.

Abaixo colacionamos algumas frases e pensamentos sobre a riqueza que nos oferecem os livros:

Outro dia me perguntaram por que eu gostava tanto de ler. Vejamos.

Ler é melhor do que ir ao cinema, viajar ou usar porcarias que tiram o sujeito do sério. Ao ler você produz, dirige e estrela o filme dentro de sua cabeça; viaja sem os inconvenientes da viagem; e penetra em mundos dos quais volta mais humano e mais sábio. Nada expande mais a consciência do que um bom romance ou qualquer livro inteligente…” Ruy Castro (jornalista)

O vírus do amor ao livro é incurável, e eu procuro inocular esse vírus no maior número possível de pessoas.” José Mindlin (jornalista e escritor)

Mostre-me uma família de leitores, e lhe mostrarei o povo que dirigirá o mundo“. Napoleão Bonaparte

O país se faz com homens e livros“.

Os livros não podem mudar o mundo. As pessoas podem mudar o mundo. Os livros podem mudar as pessoas

“Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar.” Monteiro Lobato

Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.” Nelson Rodrigues

Quando o homem quis ser como Deus, criador do mundo, inventou os livros que multiplicam o mundo. Graças a esse engenhoso artifício de tinta e de papel, podemos sentir tudo, de todas as maneiras, observar o universo com cem olhos, viajar no tempo, descer ao interior da terra e ao outro interior, mais remoto, de nós mesmos.” José Luís Garcia Martin (escritor espanhol)

“O cinema e a televisão criam imagens, a leitura cria imaginação” Jorge Furtado (diretor de cinema)

“O livro é uma extensão da memória e da imaginação”

“Creio que uma forma de felicidade é a leitura.”

“Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.” Jorge Luis Borges (escritor argentino)

“Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não lêem.”

“O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.” Mário Quintana

“O mundo dos livros
É a criação mais notável do homem,
Nada que ele constrói perdura.
Os monumentos ruem,
As nações perecem,
As civilizações envelhecem e morrem
E depois de uma era de obscurantismo,
Novas raças constroem outras.
Mas no mundo dos livros, há volumes
Que viram isto acontecer repetidas vezes
E continuam vivos
E continuam novos.
Continuam tão vigorosos como no dia em que foram escritos.
Falando ainda aos corações dos vivos
Dos corações dos mortos, há séculos.”
Clarence Day  (escritor americano)

Leio e estou liberto, adquiro objectividade. Deixei de ser eu e disperso. E o que leio, em vez de ser um trajo meu que mal vejo e por vezes me pesa, é a grande clareza do mundo externo.” Fernando Pessoa

“O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler”. Mark Twain

“Há crimes piores do que queimar livros. Um deles é não lê-los.” Joseph Brodsky (poeta russo)

“Caminhais em direção da solidão. Eu, não, eu tenho os livros.” Marguerite Duras (escritora)

  É isso aí! Vamos ler!

  Karina

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