Archive for setembro, 2010

Lei

Lei


O que é preciso é entender a solidão!

O que é preciso é aceitar, mesmo, a onda amarga

que leva os mortos.


O que é preciso é esperar pela estrela

que ainda não está completa.


O que é preciso é que os olhos sejam cristal sem névoa,

e os lábios de ouro puro.


O que é preciso é que a alma vá e venha;

e ouça a notícia do tempo,

e,  entre os assombros da vida e da morte,

estenda suas diáfanas asas,

isenta por igual,

de desejo e de desespero.


(Cecília Meireles in Poemas -1954)

Karina

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Frase da Semana

“Quem teme o sofrimento sofre já aquilo que teme.”

(Michel de Montaigne)

Karina

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Indicação de Leitura

A nossa indicação de hoje é o livro  “A Convidada”, da escritora francesa Simone de Beauvoir.

Simone de Beauvoir nasceu em 1908, na cidade de Paris. Lá se formou em Filosofia e durante esse período conheceu o filósofo Jean-Paul Sartre, que se tornou seu companheiro de toda a vida.

Feminista, Beauvoir escreveu diversos romances que causaram polêmica na época. Adepta do existencialismo – movimento filosófico que, em síntese, analisa o homem e a sua relação com o mundo, acreditando que o ser humano é definido pelas suas ações – a escritora traz muita de tal corrente filosófica em toda a sua obra.

Simone de Beauvoir morreu em Paris no ano de 1986 e deixou livros que valem a pena ser lidos, como este que indicamos hoje.

“A Convidada” se trata de um romance com traços autobiográficos da autora. Foi escrito nos anos 40 e tem como pano de fundo a cidade de Paris pré 2ª Guerra Mundial. A personagem principal é Françoise, uma escritora de 30 anos de idade que tem um relacionamento estável com Pierre, um diretor de teatro. O relacionamento dos dois é pouco convencional para a época, pois ambos têm liberdade para se envolverem com outras pessoas. Assim,  Pierre tem relações superficiais com outras mulheres, enquanto dedica a Françoise um amor amplo e total cumplicidade.

Parece que nada vai abalar a felicidade sem intercorrências do casal. Mas aí aparece Xavière, uma jovem provinciana que chega a Paris e invade completamente a vida dos dois. No início, Françoise – segura do amor de seu companheiro – se encanta com a jovem e, junto com Pierre, se dedica a apresentar-lhe Paris.

Mas, pouco a pouco, a presença constante da outra começa a se tornar uma ameaça ao seu estável relacionamento.  A mudança drástica nas atitudes de Pierre com a chegada de Xavière, passa a ser uma angústia sufocante que Françoise não sabe como colocar fim.

Simone de Beauvoir leva o leitor a compartilhar a aflição, as inquietações e todos os pensamentos de Françoise de uma forma extraordinária. Vale a pena ler!

Eis um trecho do livro para que o leitor sinta na pele as agruras de Françoise:

Françoise sentou-se à mesa de trabalho e olhou desalentada as folhas de papel. Tinha a cabeça pesada e dor na nuca e nas costas. Não se sentia com disposição para trabalhar. Xavière, mais uma vez, roubara-lhe meia hora: era terrível o tempo que ela devorava, provocando um estado de tensão sobre-humana em que não havia solidão, nem lazeres, nem mesmo simplesmente repouso. Não, repetia. Diria não com todas as suas forças e Pierre a ouviria. Sentiu que dentro dela qualquer coisa naufragava: Pierre renunciaria facilmente a essa viagem, pois seu desejo não era assim tão violento. E depois? De que servia essa renúncia? O que a angustiava era o fato de Pierre não ter se manifestado contra tal projeto. Ligaria assim tão pouca importância à sua obra? Teria já passado da perplexidade a uma indiferença completa?

(…)

Teve um sobressalto: alguém, que subira a escada precipitadamente, bateu à porta.

– Entre – disse.

Surgiram dois rostos ao mesmo tempo na soleira da porta. Ambos sorriam: Xavière escondera os cabelos num capuz escocês. Pierre segurava o cachimbo na mão.

– Vai achar ruim, se substituirmos a lição por um passeio na neve? – perguntou ele.

Françoise sentiu o coração parar. Regozijara-se tanto ao imaginar a surpresa de Pierre e a satisfação de Xavière perante os seus elogios! Entregara-se de corpo e alma à tarefa de obrigar Xavière a trabalhar. Afinal, tinha que reconhecer sua ingenuidade; as lições para eles não eram coisa séria e, além disso, pretendiam ainda fazê-la assumir a responsabilidade pela preguiça que sentiam.

– Isso é com vocês – respondeu. – Nada tenho a ver com isso.

Os sorrisos desapareceram: essa voz séria não estava prevista na brincadeira deles.

– Você nos censura de verdade? – perguntou Pierre, um pouco desorientado, olhando para Xavière, que o fixava também hesitante sobre a atitude a tomar. Pareciam dois culpados. Pela primeira vez, devido a essa cumplicidade em que Françoise os colocava, surgiam perante esta como um par. Ambos tinham consciência disso e a situação era incômoda.

– Não, não. Aproveitem o passeio.

Fechou a porta, talvez rapidamente demais, e ficou encostada à parede. Eles desciam a escada em silêncio. Françoise adivinhava as expressões penalizadas. De qualquer forma, eles não trabalhariam e ela apenas com sua atitude conseguira estragar-lhes o passeio. Teve uma espécie de soluço. Para que servia isso?

Karina

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Gandhi e a Descoberta do Amor

Mahatma Gandhi, cujo nome completo era Mohandas Karamchand Gandhi, nasceu em 02 de outubro de 1869, na Índia. Foi um dos maiores pacifistas da humanidade, tendo pregado durante toda a sua vida a doutrina da não-violência. Morreu assassinado em 1948. Político, líder independentista e criador do consagrado princípio do satyagraha (traduzido como busca pela verdade), Mahatma ainda era um grande escritor, tendo deixado um legado de memoráveis obras.

Abaixo, transcrevemos uma de suas poesias, que bem reflete sua filosofia de vida e prova que esse magnífico homem mereceu ser chamado de Mahatma, que significa “grande alma”.


A Descoberta do Amor

Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive à sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.

Telma

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