Posts tagged livros

Dia Nacional do Leitor

No Dia Nacional do Leitor, presenteamos os leitores do blog com esse belo trecho de José Saramago:

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“Vivi, olhei, li, senti, Que faz aí o ler, Lendo, fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou certa, Terás então de ler doutra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados às página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser, quê, A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ele, a sua própria margem, que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá que chegar…” (A Caverna)

Karina

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Ler

Foto de Cara Borer

Foto de Cara Borer

Leia vagarosamente,

brincando com as palavras, sem querer chegar ao fim,

como se estivesse fazendo amor com a pessoa amada.

A leitura nos leva por mundos que nunca existiram e nem existirão,

por espaços longínquos que nunca visitaremos.

É desse mundo diferente, estranho ao nosso,

que passamos a ver o mundo em que vivemos de uma outra forma.

 

(Rubem Alves)

Karina

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Os livros

“Agora não há outra música senão a das palavras, e essas, sobretudo as que estão nos livros, são discretas, ainda que a curiosidade trouxesse a escutar à porta alguém do prédio, não ouviria mais do que um murmúrio solitário, este longo fio de som que poderá infinitamente prolongar-se, porque os livros do mundo, todos juntos, são como dizem que é o universo, infinitos.”

José Saramago

Karina

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Jean-Paul Sartre sobre os livros

Os livros foram meus passarinhos e meus ninhos, meus animais domésticos, meu estábulo e meu campo; a biblioteca era o mundo preso num espelho; tinha uma espessura infinita, variedade, imprevisibilidade. […] nada me pareceu mais importante do que um livro.

Na biblioteca eu via um templo.

Karina

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Frase da Semana

“Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.” (Mário Quintana)

Telma

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O vírus do amor ao livro

Morreu hoje na cidade de São Paulo, aos 95 anos de idade, o bibliófilo brasileiro José Mindlin, cuja biblioteca conta com quase 40.000 volumes.

Mindlin começou a sua biblioteca aos 13 anos e ele mesmo calculava ter lido aproximadamente 6.000 livros.

Nosso blog lamenta a perda desse culto brasileiro, que contribuiu para a nossa cultura deixando um acervo imenso e repleto de raridades  na Universidade de São Paulo, na “Biblioteca de Guita e José Mindlin”.

Em homenagem a Mindlin, colocaremos aqui alguns dos pensamentos desse homem que era completamente apaixonado pelos livros:

A gente passa e os livros ficam.”

“ O livro é um mágico artefato (…) que nos abre portas, fantasias e mundos”.

” (…) eu gostaria de viver 300 anos para ler todos os livros que tenho aqui em casa…”

” Eu chamo essa compulsão patológico pelos livros de loucura mansa.Mas não sei como viveria nesse mundo se os livros não existissem.”

“Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico está irremediavelmente perdido.”

“Eu procuro, nos muitos contatos que tenho com a mocidade, inocular o vírus do amor aos livros, porque uma vez inoculado está resolvido – a pessoa não se livra mais.”

Karina

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1 ano de Blog!

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Hoje faz um ano que o nosso blog está no ar!

Estamos muito felizes pois, por ser um blog voltado para a literatura, no início pensamos que não haveria tanta procura, já que sabemos que nosso povo é muito carente de cultura e não gosta de ler.  Porém, surpreendentemente e para nosso imenso orgulho, o número de visitantes cresce a cada dia e isso nos dá ânimo para continuar procurando textos e fragmentos literários de qualidade para entreter os  nossos leitores.

Para comemorar, não podemos deixar de postar um texto sobre livros e o prazer da leitura, tema principal do blog.

Um abraço a todos e boa leitura!

Loucura Mansa

José Mindlin

Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros,porque em matéria de livros meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem acompanhado a vida inteira, e ainda acima disto, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem acompanhado em todo este longo percurso, faz com que tenha procurado, permanentemente,  desejar que muito mais pessoas possam também desfrutá-los. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não tenham adquirido anteriormente.

O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspectos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo  exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro, informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção, é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.

Brincadeiras à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro, não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior à que resultou da informática, pelo menos até agora.

De lá para cá, foram se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia, ou encadernação. O primeiro livro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por suas vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.

Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la.

José Mindlin é o mais importante bibliófilo brasileiro e sua biblioteca possui mais de 30.000 volumes, incluindo-se aí raridades e exemplares únicos. O público pode conferir seu acervo na Universidade de São Paulo, na “Biblioteca de Guta e José Mindlin”.

Karina e Telma

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Da Areopagítica, por John Milton

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                                                   Ilustração de Leticia Plate  

“Livros não são coisas absolutamente mortas; contêm um espécie de vida em potência tão prolífica quanto a da alma que os engendrou. E mais: eles preservam, como num frasco, o mais puro e eficaz extrato do intelecto que os produziu. Estou convencido de que eles são tão vivos e tão vigorosamente fecundos quanto aqueles dentes de dragão da fábula. E que, uma vez semeados aqui e ali, podem dar nascimento a homens armados. E, por outro lado, vale refletir que matar um homem pode ser até melhor que matar um bom livro. Quem mata um homem mata uma criatura racional, feita à imagem de Deus, mas aquele que destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus como no olho. Muitos homens não passam de um fardo sobre a Terra. Mas um bom livro é o precioso sangue do espírito superior, conservado e guardado com vistas a uma vida para além da vida.”

 

John Milton (1608-1678) foi poeta, orador e político inglês. Areopagítica, publicada em 1644, foi um manifesto em favor da liberdade de imprensa e contra a censura imposta pelo Parlamento.

A obra mais famosa de Milton foi Paraíso Perdido, poema editado em 10 volumes e que fala sobre o mal no mundo e suas consequências.

Karina

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Livros: os melhores amigos

learnMeus Amigos

Tenho amigos cuja companhia me é extremamente agradável: são de todas as idades e vêm de todos os países. Eles se distinguiram tanto nos escritórios quanto nos campos, e obtiveram altas honrarias por seu conhecimento nas ciências. É fácil ter acesso a eles: estão sempre à disposição, e eu os admito em minha companhia, e os despeço, quando bem entendo. Nunca dão problemas, e respondem prontamente a cada pergunta que faço. Alguns me contam histórias de eras passadas, enquanto outros me revelam os segredos da natureza. Alguns, pela sua vivacidade, levam embora minhas preocupações e estimulam meu espírito, enquanto outros fortificam minha mente e me ensinam a importante lição de refrear meus desejos e de depender só de mim. Eles abrem, em resumo,  as várias avenidas de todas as artes e ciências, e eu confio em suas informações inteiramente, em todas as emergências. Em troca de todos esses serviços, apenas pedem que eu os acomode em algum canto de minha humilde morada, onde possam repousar em paz – pois esses amigos deleitam-se mais com a tranquilidade da solidão do que com os tumultos da sociedade.

O texto acima, de Francesco Petrarca, foi retirado do livro  “A Paixão pelos Livros” – Editora Casa da Palavra e organização de Martha Ribas e Júlio Silveira.

Petrarca (1304-1374) nasceu na Itália e foi um dos poetas mais reconhecidos de sua época, tendo influenciado positivamente a literatura ocidental com a sua obra. Seus textos mais conhecidos são os dedicados a sua musa inspiradora Laura de Noves.

Karina

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O incomparável prazer da leitura

Marcel Proust, no fragmento abaixo, extraído de sua obra “O prazer da leitura”, nos transmite como um livro pode ser capaz de nos marcar pela vida toda.

Vejam:

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“Não há talvez dias da nossa infância que tenhamos tão intensamente vivido como aqueles que julgamos passar sem tê-los vivido, aqueles que passamos com um livro preferido. Tudo quanto, ao que parecia, os enchia para os outros, e que afastávamos como um obstáculo vulgar a um prazer divino: a brincadeira para a qual um amigo nos vinha buscar na passagem mais interessante, a abelha ou o raio de sol incomodativos que nos obrigavam a erguer os olhos da página ou a mudar de lugar, as provisões para o lanche que nos obrigavam a levar e que deixávamos ao nosso lado no banco, sem lhes tocar, enquanto, sobre a nossa cabeça, o sol diminuía de intensidade no céu azul, o jantar que motivara o regresso a casa e durante o qual só pensávamos em nos levantarmos da mesa para acabar, imediatamente a seguir, o capítulo interrompido, tudo isto, que a leitura nos devia ter impedido de perceber como algo mais do que a falta de oportunidade, ela pelo contrário gravava em nós uma recordação de tal modo doce (de tal modo mais preciosa no nosso entendimento atual do que o que líamos então com amor) que, se ainda hoje nos acontece folhear esses livros de outrora, é apenas como sendo os únicos calendários que guardamos dos dias passados, e com a esperança de ver refletidas nas suas páginas as casas e os lagos que já não existem.”

Marcel Proust nasceu em 1871, em Auteuil, subúrbio de Paris. Tinha a saúde muito debilitada desde a infância, o que o levou a mudar-se na adolescência para  as Champs-Élysées, onde o ar menos poluído melhorava suas crises de asma.

Ingressou na faculdade de Direito mas não seguiu carreira, tendo em vista sua dedicação à literatura. Juntamente com amigos fundou a revista literária Le Banquet, ao mesmo tempo em que atuava como colaborador em outros periódicos.

Considerado um dos maiores nomes da literatura mundial, Proust é famoso por sua obra “Em Busca do Tempo Perdido”, com oito volumes.

Marcel Proust faleceu em 1922, na cidade de Paris.

Karina

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