Archive for março, 2013

Astrologia e Literatura

O gênio Vinícius de Moraes conseguiu misturar de forma ímpar astrologia e poesia, criando belos poemas para a mulher de cada signo do zodíaco. Confiram o poema dedicado à mulher ariana:

 

Áries

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Ilustração de Mustafa Soydan

Branca, preta ou amarela

A ariana zela.

 

Tem caráter dominador

Mas pode ser convencida

E aí, então, fica uma flor:

Cordata… e nada convencida.

 

Porque o seu dominador

É o amor.

Eu cá por mim não tenho nenhum

Preconceito racial:

Mas sou ariano!

Karina

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Dia da Poesia

Para comemorar, nada melhor do que um poema de um dos maiores poetas que o mundo já conheceu: Fernando Pessoa!

Imagem

Tenho tanto sentimento

Que é freqüente persuadir-me

De que sou sentimental,

Mas reconheço, ao medir-me,

Que tudo isso é pensamento,

Que não senti afinal.

 

Temos, todos que vivemos,

Uma vida que é vivida

E outra vida que é pensada,

E a única vida que temos

É essa que é dividida

Entre a verdadeira e a errada.

 

Qual porém é a verdadeira

E qual errada, ninguém

Nos saberá explicar;

E vivemos de maneira

Que a vida que a gente tem

É a que tem que pensar.

 Telma

 

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Dia da Mulher

A todas as leitoras do blog desejamos que continuem suavizando o mundo com doçura e tolerância.

Abaixo trechos do escritor Eduardo Galeano, que no livro “Mulheres” traz seu olhar sobre a alma feminina.

 

Janela sobre uma mulher/1

 Di Cavalcanti Mulheres Facetadas

Essa mulher é uma casa secreta.

Em seus cantos, guarda vozes e esconde fantasmas.

Nas noites de inverno, jorra fumaça.

Quem entra nela, dizem, não sai nunca mais.

Eu atravesso o fosso profundo que a rodeia. Nessa casa serei habitado. Nela me espera o vinho que me beberá. Muito suavemente bato na porta, e espero.

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Janela sobre uma mulher/2

picasso[1]

A outra chave não gira na porta da rua.

A outra voz, cômica, desafinada, não canta no chuveiro.

No chão do banheiro não há marcas de outros pés molhados.

Nenhum cheiro quente vem da cozinha.

Uma maçã meio comida, marcada por outros dentes, começa a apodrecer em cima da mesa.

Um cigarro meio fumado, lagarta de cinza morta, tinge a beira do cinzeiro.

Uma água suja chove dentro de mim.

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Janela sobre uma mulher/3

 chagall

Ninguém conseguirá matar aquele tempo, ninguém vai conseguir jamais: nem nós. Digo: enquanto você existir, onde quer que esteja, ou enquanto eu existir.

Diz o almanaque que aquele tempo, aquele pequeno tempo, já não existe; mas nesta noite meu corpo nu está transpirando você.

 

Karina

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