Canção, de Emílio Moura

CANÇÃO

 old_rose

Viver não dói. O que dói

é a vida que se não vive.

Tanto mais bela sonhada,

quanto mais triste perdida.

 

Viver não dói. O que dói

é o tempo, essa força onírica

em que se criam os mitos

que o próprio tempo devora.

 

Viver não dói. O que dói

é essa estranha lucidez,

misto de fome e de sede

com que tudo devoramos.

 

Viver não dói. O que dói,

ferindo fundo, ferindo,

é a distância infinita

entre a vida que se pensa

e o pensamento vivido.

 

Que tudo o mais é perdido.

 

(Emílio Moura)

 

 

Nascido em 1901, o mineiro Emílio de Guimarães Moura, fez parte da geração modernista da literatura nacional. Foi jornalista, redator e escritor e nunca saiu de sua cidade natal. Segundo Carlos Drummond de Andrade, amigo pessoal de Emílio, suas poesias poderiam ser resumidas como música de câmara: “Peculiar surdina, íntimo violino, jeito manso de ser”. (fonte: poesia.net)

 

Karina

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: