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Canção quase melancólica

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Parei as águas do meu sonho
Para teu rosto mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
Ficou por cima, a procurar… Os pássaros da madrugada
Não têm coragem de cantar,
Vendo o meu sonho interminável
E a esperança do meu olhar.

Procurei-te em vão pela terra,
Perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
Por que insisto em te imaginar?

Quando vierem fechar meus olhos,
Talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
E que vens, se o tempo voltar.

(Cecília Meireles)

 

Karina

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Lei

Lei


O que é preciso é entender a solidão!

O que é preciso é aceitar, mesmo, a onda amarga

que leva os mortos.


O que é preciso é esperar pela estrela

que ainda não está completa.


O que é preciso é que os olhos sejam cristal sem névoa,

e os lábios de ouro puro.


O que é preciso é que a alma vá e venha;

e ouça a notícia do tempo,

e,  entre os assombros da vida e da morte,

estenda suas diáfanas asas,

isenta por igual,

de desejo e de desespero.


(Cecília Meireles in Poemas -1954)

Karina

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4° Motivo da Rosa, por Cecília Meireles

4º Motivo da Rosa:

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“Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.”

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O poema reproduzido acima integra o livro Mar Absoluto de Cecília Meireles e é um dos meus preferidos.

Os versos falam, de forma belíssima, da fugacidade e ao mesmo tempo da eternidade da vida: a morte da rosa é passageira, pois suas pétalas desfolhadas continuarão a espalhar seu aroma e ela será eterna…

Karina

 

 

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