Recompensa, por Judas Isgorogota

Agnelo Rodrigues de Melo, ou Judas Isgorogota, como é mais conhecido esse poeta e jornalista brasileiro, nasceu em Alagoas e faleceu no ano de 1979. Escreveu belíssimos poemas, entre eles o abaixo transcrito, intitulado “Recompensa”. Brilhantes versos extraídos do livro “As Amáveis Lembranças”.

RECOMPENSA

Certa vez deixei a minha casa…
Cinco e meia, talvez,
Talvez seis horas da manhã da vida…
Um sol vermelho, de um vermelho brasa,
Por sobre a estrada adormecida,
Em completa mudez,
Derramava-se todo
Numa tonalidade futurista…
Era manhã quando sai de casa…
E o sol, vermelho de zarcão, dizia:
– “Para onde vai esse menino doudo
Que nem espera que lhe venha o dia?”
Cheio de minha fé, saí disposto
Para a conquista
Da primeira curva
Do caminho; porém,
Logo à tardinha o sol esmaeceu
E eu vi que havia rugas em meu rosto
E a minha vista
Já ficava turva
Como a vista do sol que envelheceu…
E, passo a passo, envelheci também…
De volta,
Meus sonhos apagados,
Joelhos vertendo dor, pés descarnados,
Sem um gesto, entretanto, de revolta,
Ando a procura de uma cova rasa
Onde eu, mártir da fé, pobre e infeliz,
Possa, enfim, encontrar a recompensa
De uma conquista imensa
Que não fiz!
Era manhã quando saí de casa…

Telma


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5 Respostas so far »

  1. 1

    Teixeira said,

    Nossa eu não conhecia este autor, mas me encantei por esse poema chamado recompensa.
    Muito obrigado por por divulgar obras boas.

    • 2

      Telma e Karina said,

      Que bom que gostou, Teixeira! É preciso divulgar autores pouco conhecidos e talentosos. Volte sempre! Um abraço. Karina e Telma

  2. 3

    João Victor said,

    Voce poderia me dizer se Judas Isgorogota pertencia a algum movimento literário? Se sim, qual seria?

  3. 4

    Edilson Félix da Silva said,

    Recompensa – Poema a que tive acesso em dezembro de 1969 – é a criação literária que mais me emociona. É que ele descreve, com toda riqueza de detalhes possíveis, a minha aventura de, aos 16 anos, nos idos de 1967, ainda analfabeto, deixar a casa e guarida dos meus pais, no Maranhão – interior de Esperantinópolis, onde residi até então. Quase chorei de emoção quando, na oportunidade, o reencontrei. Pude recordar a minha prova de avaliação, para o título de “doutor alfabetizado”. Eu havia perdido esse Poema! Muito Obrigado, por terem me feito reviver um pedaço muito importante da minha vida! Edilson Felix da Silva – Fortaleza
    /Ceará.


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