Teresinha

Chico Buarque é ídolo aqui no blog, os leitores assíduos já sabem. Resolvemos, então, uma vez mais homenageá-lo. Hoje trazemos a maravilhosa composição “Teresinha”, uma consagrada canção desse mestre.  A letra é genial e mostra um dos inúmeros trabalhos deste autor utilizando o eu-lírico feminino. Também postamos o vídeo da bela música na voz não menos bela de Maria Bethânia. Aproveitem!


TERESINHA

O primeiro me chegou
Como quem vem do florista:
Trouxe um bicho de pelúcia,
Trouxe um broche de ametista.
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha.
Me mostrou o seu relógio;
Me chamava de rainha.

Me encontrou tão desarmada,
Que tocou meu coração,
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse “não”.

O segundo me chegou
Como quem chega do bar:
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar.
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida.
Vasculhou minha gaveta;
Me chamava de perdida.

Me encontrou tão desarmada,
Que arranhou meu coração,
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse “não”.

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada,
Também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama,
Mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher.

Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não,
Se instalou feito posseiro
Dentro do meu coração.

Telma

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2 Respostas so far »

  1. 1

    Estimule leitura de livros escritos com português correto! Parabéns pelo seu Blog, e seja bem-vinda ao meu: LÍNGUA LUSO-BRASILEIRA – Estudos da Língua Portuguesa – Jornalista há quarenta anos (desde 1971), finalmente proclamei minha independência linguística: escancaro em meu Blog prístinas origens da língua lusitana e, para tanto, valho-me de livros centenários, castas gramáticas clássicas, elucidários investigativos, antigos dicionários de português, bem como de outros compêndios seculares, para salvar a língua portuguesa em minha mente, em meus textos, em meus livros, em minhas falas e onde mais quiser e puder. Ou seja: tomei por lei linguística estudar antigos filólogos lusitanos, que a nós legaram obras imortais, dentre as quais umas poucas que, em meu Blog, irei compartilhar, alegremente, como aprendiz deles.


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