O enterrado vivo

O ENTERRADO VIVO

É sempre no passado aquele orgasmo,

é sempre no presente aquele duplo,

é sempre no futuro aquele pânico.


É sempre no meu peito aquela garra.

É sempre no meu tédio aquele aceno.

É sempre no meu sono aquela guerra.


É sempre no meu trato o amplo distrato.

Sempre na minha firma a antiga fúria.

Sempre no mesmo engano outro retrato.


É sempre nos meus pulos o limite.

É sempre nos meus lábios a estampilha.

É sempre no meu não aquele trauma.


Sempre no meu amor a noite rompe.

Sempre dentro de mim meu inimigo.

E sempre no meu sempre a mesma ausência.

(Carlos Drummond de Andrade in o Fanzendeiro do Ar)

Karina

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2 Respostas so far »

  1. 1

    Beth Bucker said,

    Lindo ! adoro Drummond de Andrade,nosso poeta maior, infelizmente o país não tem mais escritores deste porte, agora a palavra escrita está rara, parabéns pelo blog
    Beth Bucker

    • 2

      Telma e Karina said,

      Beth, que prazer receber a sua visita! Obrigada e volte sempre! Pois é, infelizmente não há mais poetas como antigamente. Drummond é um gênio, será difícil surgir alguém do porte dele outra vez. Beijos.Karina


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