Lembrança, de Guilherme de Almeida

O lindo poema reproduzido a seguir pertence ao livro “O Anjo de Sal”, de 1951:

autumn

LEMBRANÇA

Lembro o pudor da paisagem
e a fanfarra de perfumes
que o claro clarim dos lírios
abria nas madrugadas.

Lembro o susto dos insetos
na castidade das águas,
e as asas do pó fugindo
atrás da luz desnudada.

Lembro a fala dos caminhos
ao longo dos passos cegos,
e os ventos enovelados
na cabeleira das nuvens.

Lembro o bulício da palha
quando pisavas a tarde,
os olhos cheios de folhas
e as mãos repletas de ninhos.

Lembro a noite dos meus olhos
sem luas no seu silêncio,
quando ficavas na sombra
e a sombra ficava estrela.

Lembro a palavra parada
na flor adiada da boca,
e lembro o beijo retido
ao gesto alado de adeuses.

Karina

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1 Response so far »

  1. 1

    Pati Araújo said,

    Oi Karina,

    Obrigada pela visita!
    Realmente lindo poema…

    “Lembro a fala dos caminhos
    ao longo dos passos cegos…”

    Um poema sensível, amei.
    Beijos 🙂


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