Mais um belo poema de Manuel Bandeira

O poema trazido hoje aos leitores do blog foi extraído do livro Antologia Poética  e revela uma vez mais a habilidade de Manuel Bandeira em descrever de forma emocionante e perfeita a beleza de sua musa inspiradora.

Vejam:

modigliani-amedeo-reclining-nude (Amedeo Modigliani)

Nu

Quando estás vestida,

Ninguém imagina

Os mundos que escondes

Sob as tuas roupas.


(Assim, quando é dia,

Não temos noção

Dos astros que luzem

No profundo céu.


Mas a noite é nua,

E, nua na noite,

Palpitam teus mundos

E os mundos da noite.


Brilham teus joelhos.

Brilha o teu umbigo.

Brilha toda a tua

Lira abdominal.


Teus seios exíguos

— Como na rijeza

Do tronco robusto

Dois frutos pequenos —


Brilham). Ah teus seios!

Teus duros mamilos!

Teu dorso! Teus flancos!

Ah, tuas espáduas!


Se nua, teus olhos

Ficam nus também;

Teu olhar mais longo,

Mais lento, mais líquido.


Então, dentro deles,

Boio num mergulho

Perpendicular!


Baixo até o mais fundo

Do teu ser, lá onde

Me sorri tua alma,

Nua, nua, nua.

Karina

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