Hino à Beleza, por Charles Baudelaire

Les_Fleurs_du_Mal_w (a tela acima veio daqui: http://spaceintext.wordpress.com/2010/04/10/the-flowers-of-evil-baudelaire/)

Charles Baudelaire – considerado um dos maiores poetas franceses de todos os tempos- nasceu em 1821 em Paris e a sua obra influenciou a poesia moderna do século XX. O reconhecimento absoluto do talento de Baudelaire, no entanto, se deu somente após a sua morte em 1867. O escritor, “avançado” para a época, teve que lidar com críticas e hostilidades durante toda a sua carreira.
O poema reproduzido abaixo pertence ao livro “As Flores do Mal” (Les Fleurs du Mal), publicado em 1857. A obra causou grande polêmica na França, tendo sido apreendida na época pelas autoridades francesas, que a consideraram imoral. O livro contém cerca de cem poemas e é marcado pelo tom sombrio, com textos que trazem como tema a luxúria, a morte, a volúpia, a imundície etc.
“As Flores do Mal” só voltou a circular na íntegra após a morte do poeta.
Charles Baudelaire introduziu inovações na poesia ao misturar elementos sublimes e grotescos em seus textos. Os críticos literários consideram “As Flores do Mal” uma obra-prima e leitura obrigatória.
Carlos Drummond de Andrade, em seu livro “O Sentimento do Mundo” aconselha: “é preciso ler Baudelaire/ é preciso colher as flores/ de que falam velhos autores.”
Nada mais é preciso dizer. Vamos a Charles Baudelaire:

HINO À BELEZA

Vens tu do céu profundo ou sais do precipício,
Beleza? Teu olhar, divino mas daninho,
Confusamente verte o bem e o malefício,
E pode-se por isso comparar-te ao vinho.

Em teus olhos refletes toda a luz diuturna;
Lanças perfumes como a noite tempestuosa;
Teus beijos são um filtro e tua boca uma urna
Que torna o herói covarde e a criança corajosa.

Provéns do negro abismo ou da esfera infinita?
Como um cão te acompanha a Fortuna encantada;
Semeias ao acaso a alegria e a desdita
E altiva segues sem jamais responder nada.

Calcando mortos vais, Beleza, a escarnece-los;
Em teu escrínio o Horror é a jóia que cintila,
E o Crime, esse berloque que te aguça os zelos,
Sobre teu ventre em amorosa dança oscila.

A mariposa voa ao teu encontro, ó vela,
Freme, inflama-se e diz: “Ó clarão abençoado!”
O arfante namorado aos pés de sua bela
Recorda um moribundo ao túmulo abraçado.

Que venhas lá do céu ou do inferno, que importa,
Beleza! Ó monstro ingênuo, gigantesco e horrendo!
Se teu olhar, teu riso, teus pés me abrem a porta
De um infinito que amo e que jamais desvendo?

De Satã ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,
Que importa, se é quem fazes – fada de olhos suaves,
Ó rainha de luz, perfume e ritmo cheia! –
Mais humano o universo e as horas menos graves?

Karina

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6 Respostas so far »

  1. 1

    Yasmim-Deschain said,

    já leram esse poema pra mim em francês! *-*

  2. 3

    dani2 said,

    De quem é a pintura acima flores do mal?

    • 4

      Telma e Karina said,

      Dani, foi um equívoco não termos colocado o autor da tela. Pesquisei bastante e descobri a fonte da qual peguei a imagem, mas não descobri o seu autor. Mas a fonte foi colocada no texto. Não lembra um pouco Munch ou Van Gogh? Se souber, dê notícia. Um abraço!

  3. 5

    Robert Farias said,

    que merda de tradução foi essa nesse poema ¨¨¨¨ com ctza quem escreveu isso ai não sabia o frances .


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