Guimarães Rosa: o mágico das palavras

João Guimarães Rosa  nasceu no município de Cordisburgo – MG em 27 de junho de 1908. Filho de um pequeno comerciante rural, aprendeu as primeiras letras na própria cidade natal e fez o curso secundário em Belo Horizonte.

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Desde a infância, Guimarães Rosa demonstrou profundo interesse pelas línguas, pela natureza e pelo sertanejo em geral. Formou-se em Medicina, tendo exercido a profissão em cidades do interior de Minas Gerais. Médico competente e dedicado, ia a cavalo visitar seus pacientes e, durante esse período, ao observar a terra, as pessoas e seus costumes, fazia as anotações que mais tarde colocava nos livros que já escrevia. Aprendeu sozinho a falar mais de nove idiomas. Em 1934, ingressou na carreira diplomática, tendo exercido cargos diplomáticos em diversos países.

Em 1958, já de volta ao Brasil, foi nomeado ministro. A partir dessa época, o escritor obteve amplo reconhecimento, em decorrência da publicação, em 1956, de Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas. Teve sua obra publicada em diversas línguas e é, sem dúvida nenhuma, o maior nome da literatura brasileira do século XX.  Guimarães Rosa faleceu em 19 de novembro de 1967 de infarte e apenas três dias depois de ter tomado posse na Academia Brasileira de Letras.

A obra de João Guimarães Rosa nos convida a entrar num mundo particular. O escritor mostrou a realidade do sertão mineiro, a fala do sertanejo e o lirismo e o misticismo que envolvem o sertão. O sertão de Guimarães Rosa ultrapassa os limites geográficos e aparece como um meio de aprendizado sobre a existência do homem. Mas o mais genial na produção de Guimarães Rosa é a forma de escrever: o escritor apostou na liberdade linguística, na recriação e na invenção das palavras. Os neologismos, as metáforas e o uso de figuras de linguagem são presença marcante em sua obra e trazem originalidade, riqueza e ousadia antes nunca alcançados em nossa literatura.

Nós do blog, há muito fomos dominadas pelo rico e mágico mundo de Guimarães Rosa. Quem já leu algo do escritor, sabe do que estamos falando; sabe do fascínio que ele exerce sobre seus leitores e sabe que é impossível ficar imune diante da beleza de suas palavras. Quem não leu ainda, precisa ler com urgência e o efeito será impactante, temos certeza.

Para terminar o post, nada melhor do que o também genial Carlos Drummond de Andrade tentando decifrar o encanto de João Guimarães Rosa:

Um chamado João

“João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?

Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas,
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?

Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?

Vegetal ele era ou passarinho
sob a robusta ossatura com pinta
de boi risonho?

Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
ciranda multívoca?

João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?

Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso,
cada qual com a cor de suas águas?
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia nome,
curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?

Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
e precipites prodígios acudindo
a chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
de abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?

Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é esse?
E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com… (não sei
o nome) ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeíam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?

Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar.”

Karina

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3 Respostas so far »

  1. 1

    bvbg said,

    dsssssssssss

  2. 2

    hadassa said,

    por acaso arcabuzeíam é uma palavrra inventada???
    msm asimm putz
    kkk


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