Machado de Assis poeta

Machado de Assis, como já dissemos, foi um escritor diferenciado. Tanto é assim, que muitos estudiosos não o enquadram a nenhuma escola literária específica.

Realmente. Machado de Assis esceveu prosa, peças de teatro, críticas, correspondências, crônicas e poesia. Tudo com a maestria que lhe era peculiar.

Hoje dedicaremos o post à poesia do grande gênio.  Aqueles que estudam  Machado de Assis costumam dividir a sua obra poética em duas fases: a romântica, onde a temática é amorosa ou nacionalista; e a fase realista, na qual o escritor revela preocupação formal excessiva (assim como os parnasianos), discute questões filosóficas e  apresenta uma visão pessimista do mundo.

Para nós tanto faz a fase da poesia de Machado de Assis. Ele foi perfeito em tudo o que escreveu.

Confiram:

Flor da mocidade


“Eu conheço a mais bela flor;
És tu, rosa da mocidade,
Nascida aberta para o amor.
Eu conheço a mais bela flor.
Tem do céu a serena cor,
E o perfume da virgindade.
Eu conheço a mais bela flor,
És tu, rosa da mocidade.


Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.
Teme acaso indiscreta mão;
Vive às vezes na solidão.
Poupa a raiva do furacão
Suas folhas de azul celeste.
Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.


Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno;
Que a flor morta já nada val.
Colhe-se antes que venha o mal.
Quando a terra é mais jovial
Todo o bem nos parece eterno.
Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno
.”

Círculo vicioso


“Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
“Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:


“Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela”
Mas a lua, fitando o sol com azedume:


“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume”!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

Pesa-me esta brilhante auréola de nume…
Enfara-me esta luz e desmedida umbela…
Por que não nasci eu um simples vagalume?”

 Karina

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