A velha contrabandista

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Stanislaw Ponte Preta era o pseudônimo usado pelo  escritor, jornalista, radialista e apresentador de TV Sérgio Porto, que nasceu no Rio de Janeiro em 1923 e faleceu em 1968. Suas marcas eram a inteligência, o humor e uma irreverência inconfundível. Foi certamente um dos maiores cronistas do Brasil, deixando muita saudade.

Em homenagem a este grande e multifacetado brasileiro, postamos abaixo um de seus mais divertidos contos, para apreciação do caro leitor. Podem esperar por mais de Stanislaw aqui no blog.

A velha contrabandista

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruta saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.

Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim para ela:

 – Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:

 – É areia.

Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.

Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido, o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.

Diz que foi aí que o fiscal se chateou:

 – Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

 – Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

 – Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

 – O senhor promete que não “espáia”? – quis saber a velhinha.

 – Juro – respondeu o fiscal.

 – É lambreta.

 

Telma

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6 Respostas so far »

  1. 1

    telminha21 said,

    Hahahaha! Muito bom! Bjos! Ká

  2. 2

    Amanda said,

    kk
    dá hora
    esta história

  3. 4

    Brenda said,

    muito bom kkkkk

  4. 6

    AMANDa said,

    eu adoro essa estoria já vi muitas vezes


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