Olavo Bilac para crianças!

Já falamos aqui neste blog que Olavo Bilac foi um dos maiores nomes da literatura brasileira em sua fase parnasiana. Seus poemas são um primor no que diz respeito ao culto da forma e à linguagem elaborada, sem deixar a emoção de lado.

Mas Bilac não escreveu só para gente grande. Aproveitou seu talento para elaborar poemas dedicados às crianças.

A seguir reproduziremos alguns deles que, certamente, encantarão os leitores.

 

A Avó

“A avó, que tem oitenta anos,

Está tão fraca e velhinha! . . .

Teve tantos desenganos!

Ficou branquinha, branquinha,

Com os desgostos humanos.

Hoje, na sua cadeira,

Repousa, pálida e fria,

Depois de tanta canseira:

E cochila todo o dia,

E cochila a noite inteira.

Às vezes, porém, o bando

Dos netos invade a sala . . .

Entram rindo e papagueando:

Este briga, aquele fala,

Aquele dança, pulando . . .

A velha acorda sorrindo,

E a alegria a transfigura;

Seu rosto fica mais lindo,

Vendo tanta travessura,

E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,

Beija-os, e, tremulamente,

Passa os dedos engelhados,

Lentamente, lentamente,

Por seus cabelos, doirados.

Fica mais moça, e palpita,

E recupera a memória,

Quando um dos netinhos grita:

“Ó vovó! conte uma história!

Conte uma história bonita!”

Então, com frases pausadas,

Conta historias de quimeras,

Em que há palácios de fadas,

E feiticeiras, e feras,

E princesas encantadas . . .

E os netinhos estremecem,

Os contos acompanhando,

E as travessuras esquecem,

– Até que, a fronte inclinando

Sobre o seu colo, adormecem . . .”

–//–

A Borboleta

Trazendo uma borboleta,

Volta Alfredo para casa.

Como é linda! é toda preta,

Com listas douradas na asa.

Tonta, nas mãos da criança,

Batendo as asas, num susto,

Quer fuguir, porfia, cansa,

E treme, e respira a custo.

Contente, o menino grita:

“É a primeira que apanho,

“Mamãe! vê como é bonita!

“Que cores e que tamanho!

“Como voava no mato!

“Vou sem demora pregá-la

“Por baixo do meu retrato,

“Numa parede da sala”.

Mas a mamãe, com carinho,

Lhe diz: “Que mal te fazia,

“Meu filho, esse animalzinho,

“Que livre e alegre vivia?

“Solta essa pobre coitada!

“Larga-lhe as asas, Alfredo!

“Vê com treme assustada . . .

“Vê como treme de medo . . .

“Para sem pena espetá-la

“Numa parede, menino,

“É necessário matá-la:

“Queres ser um assassino?”

Pensa Alfredo . . . E, de repente,

Solta a borboleta . . . E ela

Abre as asas livremente,

E foge pela janela.

“Assim, meu filho! perdeste

“A borboleta dourada,

“Porém na estima cresceste

“De tua mãe adorada . . .

“Que cada um cumpra sua sorte

“Das mãos de Deus recebida:

“Pois só pode dar a Morte

“Aquele que dá a Vida!”

–//–

 O Universo
(Paráfrase)


A Lua:

Sou um pequeno mundo;

Movo-me, rolo e danço

Por este céu profundo;

Por sorte Deus me deu

Mover-me sem descanso,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

A Terra:

Eu sou esse outro mundo;

A lua me acompanha,

Por este céu profundo . . .

Mas é destino meu

Rolar, assim tamanha,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

O Sol:

Eu sou esse outro mundo,

Eu sou o sol ardente!

Dou luz ao céu profundo . . .

Porém, sou um pigmeu,

Quer rolo eternamente

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

O Homem:

Por que, no céu profundo,

Não há-de parar mais

O vosso movimento?

Astros! qual é o mundo,

Em torno ao qual rodais

Por esse firmamento?

Todos os Astros:

Não chega o teu estudo

Ao centro disso tudo,

Que escapa aos olhos teus!

O centro disso tudo,

Homem vaidoso, é Deus!

 

 Karina

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