Posts tagged reflexão

Esperança

O temor combate-se com a Esperança

Não haverá razão para viver, nem termo para as nossas misérias, se for mister temer tudo quanto seja temível. Neste ponto, põe em ação a tua prudência; mercê da animosidade de espírito, repele inclusive o temor que te acomete de cara descoberta. Pelo menos, combate uma fraqueza com outra: tempera o receio com a esperança. Por certo que possa ser qualquer um dos riscos que tememos, é ainda mais certo que os nossos temores se apaziguam, quando as nossas esperanças nos enganam. Estabelece equilíbrio, pois, entre a esperança e o temor; sempre que houver completa incerteza, inclina a balança em teu favor: crê no que te agrada. Mesmo que o temor reuna maior número de sufrágios, inclina-a sempre para o lado da esperança; deixa de afligir o coração, e figura-te, sem cessar, que a maior parte dos mortais, sem ser afetada, sem se ver seriamente ameaçada por mal algum, vive em permanente e confusa agitação. É que nenhum conserva o governo de si mesmo: deixa-se levar pelos impulsos, e não mantém o seu temor dentro de limites razoáveis. Nenhum diz:

- Autoridade vã, espírito vão: ou inventou, ou lho contaram.

Flutuamos ao mínimo sopro. De circunstâncias duvidosas, fazemos certezas que nos aterrorizam. Como a justa medida não é do nosso feitio, instantaneamente uma inquietude se converte em medo.

 

Sêneca, in “Dos Reveses”

 

Karina

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Cecília Meireles

Única sobrevivente

de uma casa desabada

- só eu me achava acordada.

 

E recordo a minha gente,

na noite sem madrugada.

Só eu me achava acordada.

 

Minha morte é diferente:

eles não souberam nada.

Só eu me achava acordada.

 

Mas quem sabe o que se sente,

entre ir na casa afundada

e ter ficado – acordada!?


Cecília Meireles in Canções (1956)
Karina

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Reflexão

Trazemos hoje uma reflexão do saudoso escritor José Saramago sobre o ser humano. A opinião do autor português infelizmente se encaixa no que vemos acontecer todos os dias no mundo:

“Ou a razão, no homem, não faz mais do que dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, é, também indubitavelmente, o mais irracional de todos eles. Vou-me inclinando cada vez mais para a segunda hipótese, não por ser morbidamente propenso a filósofos pessimistas, mas sim porque o espectáculo do mundo é, na minha fraca opinião, uma demonstração explícita e evidente daquilo a que chamo de irracionalidade humana.”

(texto extraído do site http://caderno.josesaramago.org/)

Karina

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Sobre o Riso

Abaixo, selecionamos alguns pensamentos sábios a respeito do riso. E você, nobre leitor, como definiria essa expressão do sentimento humano?

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Nada melhor do que ver as coisas de que se riem os homens, para lhes aquilatar o caráter.” (Goethe)


“Quando os homens riem às gargalhadas, superam todos os outros animais em vulgaridade.” (Nietzsche)


“Neste mundo, fala-se muito levianamente do riso, que, para mim, é uma das mais sérias questões humanas.” (W. Raabe)


“É merecedor do paraíso quem faz rir os companheiros.” (Maomé)


“Quase nunca rimos de nós próprios. Contudo, raro é o dia em que não fazemos coisa digna de provocar o riso. Outros, mais sinceros, riem de nós, e nós não lhe perdoamos tamanha sinceridade.” (Vargas Vila)


“Ri, ri, que o riso é próprio do homem.” (Jean Racine)


“Que haverá de mais vil do que ser objeto de riso?” (Cícero)


“Quem ri de si próprio não se torna objeto de riso.” (Sêneca)


“Ri-te, ri-te, que o mundo

não se pode levar de outra maneira.” (Visconde de Almeida Garret)


“O riso é a mais útil forma de crítica, porque é a mais acessível à multidão.” (Eça de Queirós)

Telma

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Reflexão de Murilo Mendes

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Reflexão n°1
“Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.

Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.”

Karina

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Para pensar: Clarice Lispector

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A incomparável escritora Clarice Lispector nasceu na Ucrânia em 1920, mas veio para o Brasil em 1922. Portanto, podemos dizer que se trata de uma autêntica autora brasileira.

Faleceu em 1977, deixando um maravilhoso legado para a literatura do nosso país.

Trata-se de uma pensadora, uma mulher extremamente culta, com uma visão de mundo muito ampla. Escreveu obras magníficas, como Laços de Família; Perto do Coração Selvagem; A Hora da Estrela;  A Paixão segundo G.H; A Descoberta do Mundo;  e Um Sopro de Vida: pulsações, este último publicado postumamente.

Clarice procurou desvendar a alma humana em seus escritos, bem como seu próprio eu interior, numa busca incessante de se entender e entender os outros.

Abaixo, postamos alguns pensamentos da escritora que certamente servirão de reflexão ao leitor do blog.

“Liberdade é pouco.

O que eu desejo ainda não tem nome”.

 

“Sou como você me vê.

Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania.

Depende de quando e como você me vê passar”.

 

“E se me achar esquisita, respeite também.

Até eu fui obrigada a me respeitar”.

 

“Que minha solidão me sirva de companhia.

Que eu tenha a coragem de me enfrentar.

Que eu saiba ficar com o nada.

E mesmo assim me sentir

Como se estivesse plena de tudo”.

 

“Só o que está morto não muda!

Repito por pura alegria de viver:

A salvação é pelo risco.

Sem o qual a vida não vale a pena”.

 

“A única verdade é que vivo.

Sinceramente, eu vivo.

Quem sou?

Bem, isso já é demais…”

 

“Corro perigo

Como toda pessoa que vive.

E a única coisa que me espera

É exatamente o inesperado”.

 

“Minha força está na solidão.

Não tenho medo nem de chuvas tempestivas

Nem de grandes ventanias

Pois eu também sou o escuro da noite”.

 

“Amor será dar de presente a outro a própria solidão?

Pois é a coisa mais última que se pode dar de si”.

“E nem entendo aquilo que entendo.

Pois estou infinitamente maior que eu mesma

E não me alcanço”.

 

Telma

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