Posts tagged poemas infantis

Os Meses, de Bilac: Março

Poema sobre o mês de março, da coletânea infantil “Os Meses”, de Olavo Bilac:

“Março:

(Coro das crianças:)

Venham os meses desfilando!
Venha cada um por sua vez!
Dancemos todos, escutando
O que nos conta cada mês.

Março:

Março, que se adianta,
Traz a Semana Santa,
Em que Jesus morreu:
Foi pela Humanidade
Que ele, todo bondade
Viveu e padeceu.
Há luto na cidade…
Quem se humilhar não há-de,
Pensando na Paixão?
Na igreja os órgãos cantam,
E as almas se levantam,
Cheias de gratidão.
Orai também, crianças!
E, suspendendo as danças,
Lembrai-vos de Jesus,
Que, mártir voluntário,
Morreu sobre o Calvário,
Nos braços de uma cruz.

(Coro de crianças:)

Março morreu! Prossiga a dança!
Prossiga a ronda juvenil!
E vamos ver que mês avança:
É o mês de Abril!
É o mês de Abril!”

Karina

 

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Poesia para criança II

Dentre os posts mais acessados em nosso blog, estão os relativos à literatura infantil. Tal fato muito nos alegra, pois, para nós, o interesse pela leitura deve começar logo na infância. Crianças que leem desde cedo desenvolvem a imaginação, expressam melhor suas ideias e adquirem mais firmemente o hábito de ler por prazer e não por obrigação.

Assim, procuraremos sempre dedicar um espaço para a literatura infantil neste blog.

Hoje, mais Cecília Meireles para crianças. Divirtam-se:

“Leilão de Jardim

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Quem me compra um jardim
com flores?

borboletas de muitas
cores,

lavadeiras e pas-
sarinhos,

ovos verdes e azuis
nos ninhos?

Quem me compra este ca-
racol?

Quem me compra um raio
de sol?

Um lagarto entre o muro
e a hera,

uma estátua da Pri-
mavera?

Quem me compra este for-
migueiro?

E este sapo, que é jar-
dineiro?

E a cigarra e a sua
canção?

E o grilinho dentro
do chão?

(Este é meu leilão!)”

—//—

“Colar de Carolina

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Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina.

O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.

E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral

nas colunas da colina”.

—//—

“O Mosquito Escreve

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O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.

O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U, e faz um I.

Este mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí,
se arredonda e faz outro O,
mais bonito.

Oh!
Já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever seu nome.

Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?

E ele está com muita fome”.

 

Karina
 

 

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Leia Vinicius de Moraes para seus filhos

A obra do mestre Vinicius de Moraes, por nós sempre lembrada, é uma fonte inesgotável de delícias, para adultos e para crianças.

Atendendo a pedidos, dedicamos mais um post aos poemas infantis do “poetinha”, recomendando aos papais e mamães que leiam para seus filhos, iniciando-os no bom caminho da literatura. Apresentar Vinicus de Moraes às crianças é quase uma obrigação, tamanha a importância e magnitude de suas criações na seara infantil.

Assim, reproduzimos abaixo mais algumas maravilhas de Vinicius dedicadas aos pequenos. Podem esperar por mais em breve, caros leitores

 

NATAL

De repente o sol raiou

E o galo cocoricou:

 - Cristo nasceu!

O boi, no campo perdido

Soltou um longo mugido:

 - Aonde? Aonde?

Com seu balido tremido

Ligeiro diz o cordeiro:

 - Em Belém! Em Belém!

Eis senão quando, num zurro

Se ouve a risada do burro:

 - Foi sim que eu estava lá!

E o papagaio que é gira

Pôs-se a falar: – É mentira!

Os bichos de pena, em bando

Reclamaram, protestando.

O pombal todo arrulhava:

 - Cruz credo! Cruz credo!

Brava a arara a gritar começa:

 - Mentira? Arara. Ora essa!

 - Cristo nasceu! canta o galo.

 - Aonde? pergunta o boi.

 - Num estábulo! – o cavalo

Contente rincha onde foi.

Bale o cordeiro também:

 - Em Belém – Mé! Em Belém

E os bichos todos pegaram

O papagaio caturra

E de raiva lhe aplicaram

Uma grandíssima surra”.

 

A CACHORRINHA

Mas que amor de cachorrinha!

Mas que amor de cachorrinha!

Pode haver coisa no mundo

Mais branca, mais bonitinha

Do que a tua barriguinha

Crivada de mamiquinha?

Pode haver coisa no mundo

Mais travessa, mais tontinha

Que esse amor de cachorrinha

Quando vem fazer festinha

Remexendo a traseirinha?”

 

“O GATO

Com um lindo salto

Lesto e seguro

O gato passa

Do chão ao muro

Logo mudando

De opinião

Passa de novo

Do muro ao chão

E pega corre

Bem de mansinho

Atrás de um pobre

De um passarinho

Súbito, pára

Como assombrado

Depois dispara

Pula de lado

E quando tudo se lhe fatiga

Toma o seu banho

Passando a língua

Pela barriga”.

 

Telma

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Vinicius de Moraes em sua faceta infantil

Vinicius de Moraes, sem sombra de dúvidas, dispensa comentários ou apresentações. Foi um dos grandes gênios de nossa literatura, tendo colhido os frutos do sucesso também no teatro, no cinema e na música. A obra literária do “poetinha”, como era conhecido, é vasta e riquíssima e seus sonetos ganharam o mundo.

O que nem todos comentam é que Vinicius não escrevia somente para adultos e fez poemas infantis espetaculares. Aliás, eu e a Karina, autoras deste blog, quando pequenas, líamos e relíamos tais preciosidades com avidez e entusiasmo.

Mas chega de introduções. Lhes dou um pouco de Vinicius de Moraes para crianças:

O RELÓGIO

Passa, tempo, tic-tac

Tic-tac, passa, hora

Chega logo, tic-tac

Tic-tac, e vai-te embora

Passa, tempo

Bem depressa

Não atrasa

Não demora

Que já estou

Muito cansado

Já perdi

Toda a alegria

De fazer

Meu tic-tac

Dia e noite

Noite e dia

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac…

 

A PORTA

Eu sou feita de madeira

Madeira, matéria morta

Mas não há coisa no mundo

Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho

Pra passar o menininho

Eu abro bem com cuidado

Pra passar o namorado

Eu abro bem prazenteira

Pra passar a cozinheira

Eu abro de sopetão

Pra passar o capitão

Só não abro pra essa gente 

Que diz (a mim bem me importa…)

Que se uma pessoa é burra

É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa

Fecho a frente do quartel

Fecho tudo nesse mundo

Só vivo aberta no céu!

 

O PATO

Lá vem o pato

Pata aqui, pata acolá

Lá vem o Pato

Para ver o que é que há.

O pato pateta

Pintou o caneco

Surrou a galinha

Bateu no marreco

Pulou do poleiro

No pé do cavalo

Levou um coice

Criou um galo

Comeu um pedaço

De jenipapo

Ficou engasgado

Com dor no papo

Caiu no poço

Quebrou a tigela

Tantas fez o moço

Que foi pra panela.

 

Telma

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