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Soneto para oferecer ao seu amor

Depois de amanhã já é o dia dos namorados. Os amantes-amados costumam dar vários tipos de presentes, como roupas, perfumes, flores e bombons. Mas, como não podia ser diferente, acreditamos que o presente mais especial é um belo poema! Se você tiver o dom, escreva por si mesmo; deixe seu coração falar mais alto. Porém, se achar que escrever poesias amorosas não é muito o seu forte, não faltam opções para te socorrer. Seu amor com certeza vai adorar um cartão com um poema apaixonante!

Abaixo segue um belo presente: um dos inúmeros sonetos de amor do inspiradíssimo Pablo Neruda.

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“Não te quero senão porque te quero

e de querer-te a não querer-te chego

e de esperar-te quando não te espero

passa meu coração do frio ao fogo.


Te quero só porque a ti te quero

te odeio sem fim, e odiando-te rogo-te

e a medida de meu amor viageiro

é não ver-te e amar-te como um cego.


Talvez consumirá a luz de janeiro

seu raio cruel, meu coração inteiro,

roubando-me a chave do sossego.


Nesta história só eu morro

e morrerei de amor porque te quero

porque te quero, amor a sangue e fogo.”

Telma

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Lirismo de Pablo Neruda

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Em posts anteriores revelamos nossa intensa admiração pelo consagradíssimo escritor Pablo Neruda, não só no que se refere à sua veia política, como também aos maravilhosos sonetos de amor publicados pelo autor.
Hoje, adicionamos mais um belo poema romântico de Neruda para degustação do assíduo leitor.

Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como o âmbar dormido.

Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos.
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma viajará pela sombra comigo,
só tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.

Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo
teus olhos se fecharam como duas asas cinzas,

enquanto eu sigo a água que levas e me leva:
a noite, o mundo, o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho.

Telma

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Ode ao gato, de Pablo Neruda

Mais uma homenagem aos gatos: a visão do brilhante poeta Pablo Neruda sobre os bichanos…

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Ode ao Gato

“Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.

O homem quer ser peixe e pássaro
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.

Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa
de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite

Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.

Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertence
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.

Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos têm números de ouro.”

Karina

 

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2009 cheio de amor!

Nós, aqui do blog, desejamos que todos os leitores iniciem 2009 cercados de bons sentimentos. Principalmente muito amor, amor intenso e verdadeiro, forte e inesgotável.

Por isso, hoje decidimos presentear vocês com mais um belo soneto de Pablo Neruda, um mestre ao falar de amor.

Aproveitem!

Porque é o amor que colore a vida!

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“Se não fosse porque têm cor-de-lua teus olhos,

de dia com argila, com trabalho, com fogo,

e aprisionada tens a agilidade do ar,

se não fosse porque uma semana és de âmbar.

 

se não fosse porque és o momento amarelo

em que o outono sobe pelas trepadeiras

e és ainda o pão que a lua fragrante

elabora passeando sua farinha pelo céu,

 

oh, bem-amada, eu não te amaria!

Em teu abraço eu abraço o que existe,

a areia, o tempo, a árvore da chuva.

 

e tudo vive para que eu viva:

sem ir tão longe posso ver tudo:

vejo em tua vida todo o vivente”.

Telma

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5 coisas…

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QUERO APENAS CINCO COISAS

“Quero apenas cinco coisas….
Primeiro o amor sem fim….
A segunda ver o outono….
A terceira o grave inverno….
Em quarto lugar o verão…..
A quinta coisa são teus olhos….
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que
continues me olhando”.

Belo poema de Pablo Neruda para  inspirar os apaixonados…

Karina

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Inspire-se com Pablo Neruda

  Que o poeta chileno Pablo Neruda, merecidíssimo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1971, foi um dos maiores nomes da literatura mundial é algo indiscutível. Ele foi um poeta ímpar, à frente de seu tempo.

A morte de Pablo em 1973 deixou uma lacuna no mundo literário que jamais será preenchida. Sorte que o indescritível poeta nos legou um sem-número de escritos e poesias, para consolar-nos da falta que ele faz.

Além dos escritos de cunho político e social e poesias engajadas na causa da liberdade, suas poesias românticas  também são muito famosas, sendo certo que a musa inspiradora do gênio era sua amada Matilde.

Abaixo, transcrevemos um desses sonetos românticos de autoria de Neruda, cujo romantismo e originalidade encantam qualquer apaixonado. Soneto incomparável:

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio

ou flecha de cravos que propagam o fogo:

te amo como se amam certas coisas obscuras,

secretamente, entre a sombra e a alma.

 

Te amo como a planta que não floresce e leva

dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,

e graças a teu amor vive escuro em meu corpo

o apertado aroma que ascendeu da terra.

 

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,

te amo diretamente sem problemas nem orgulho:

assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

 

senão assim deste modo em que não sou nem és

tão perto que tua mão sobre meu peito é minha

tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho“.

 

Telma

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Sensibilidade de Pablo Neruda

Abaixo belíssimo poema de Neruda, um dos meus prediletos:

Os teus pés

Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.”

 Pablo Neruda é o pseudônimo adotado por Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto, nascido em 12 de julho de 1904 em Parral, povoado da zona central do Chile e falecido em 23 de setembro de 1973.

Desde cedo, Neruda participou de movimentos políticos estudantis, o que o levou a seguir carreira diplomática. Muitas de suas poesias abordavam temas líricos como o amor, a mulher amada etc e outras tinham cunho político, tendo em vista sua ativa participação na política. Fez muitos versos com características épicas também.

Em decorrência de sua atuação na política foi nomeado senador e teve muitos inimigos, chegando mesmo a ser exilado na Europa em razão de seus discursos inflamados contra o governo.

Neruda foi um dos maiores poetas chilenos contemporâneos e influenciou muitos escritores. Em 1971 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, além do Prêmio Nobel da Paz. Sua obra é vasta e merece ser lida e relida.

Karina

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Para morrer de amor!

Eu e a Karina somos muito românticas, sensíveis ao extremo e estamos permanentemente apaixonadas, seja pelas pessoas, pela vida, pelos livros, pelos animais.

Claro que também cultuamos o amor romântico e não resistimos a um buquê de flores,  a uma musiquinha de amor, a um poema de derreter o coração, a filmes do gênero e tudo o mais que possa balançar as estruturas e mexer com a emoção.

Por isso, resolvemos postar algumas poesias românticas, daquelas quase tristes de tão doídas, e bem melosas mesmo, para ver se todos os leitores entram no clima do amor.

Mas aqui vocês só vão encontrar aquilo que consideramos a nata dos poemas amorosos, tanto hoje como em outros posts que certamente dedicaremos ao sentimento mais importante do mundo: o amor. Somente autores conceituados e textos vibrantes passarão pelo blog.

Deixem o coração bater mais forte com as palavras abaixo, colhidas dentre milhares de jóias preciosas da literatura universal:

“O grande momento.

A varanda era batida pelos ventos do mar

As árvores tinham flores que desciam para a morte,

Com a lentidão das lágrimas.

Veleiros seguiam para crepúsculos

Com as asas cansadas e brancas se despedindo.

O tempo fugia com uma doçura jamais de novo experimentada.

Mas o grande momento era quando os meus olhos

Conseguiam entrar pela noite fresca dos teus olhos”

(Augusto Frederico Schmidt)

“Sempre que te possuo, amor, entre os meus braços

Não sei como é que chegas nem sei como te vais.

Quando vou procurar-te, te encontro tão distante

Que me parece que não voltarás mais.

Era inverno de angústia a derradeira vez.

Vieste.

E rebrotou meu corpo de um pouco de alegria.

E quando eu já pensava que nem tudo era triste,

Estremeci de novo com minhas mãos vazias!”

(Pablo Neruda)

“Quanto mais eu fecho os olhos, melhor vejo:

Meu dia é noite quando estás ausente

E à noite eu vejo o sol se estás presente”

(William Shakespeare)

“Não, tu não és sonho.

És a existência.

Tens carne, tens fadiga e tens pudor

No calmo peito teu.

Tu és a estrela sem nome.

És a morada, és a cantiga do amor

És luz, és lírio, namorada!

Tu és todo o esplendor.

O último claustro da elegia sem fim, anjo!

Mendiga do triste verso meu.”

(Vinicius de Moraes)

“Apaga-me os olhos

E inda posso ver-te

Tranca-me os ouvidos

E inda posso ouvir-te.

E sem pés posso ainda ir para ti.

E sem boca posso ainda invocar-te.

Quebra-me os braços e posso apertar-te

Com o coração como com a mão.

Tapa-me o coração e o cérebro baterá.

E se me deitares fogo ao cérebro

Hei de continuar a trazer-te no sangue.”

(Rainer Maria Rilke)

Telma

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