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Reflexões de Victor Hugo

Presentearemos os leitores do blog com mais trechos da grande obra “Os Trabalhadores do Mar”, de Victor Hugo.

Para ler, pensar e se curvar diante da genialidade do escritor francês:

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Nada se compara à timidez da ignorância, a não ser a sua temeridade. Quando a ignorância começa a ousar é que tem uma bússola consigo. Essa bússola é a intuição da verdade, mais clara às vezes num espírito simples que num espírito complicado.

Ignorar convida a tentar. A ignorância  é um devaneio e o devaneio curioso é uma força. Saber, desconcerta às vezes, e desaconselha muitas.

(…) O ignorante pode achar, só o sábio inventa.” (Livro Segundo – O Trabalho – capítulo II)

O olho do homem é feito de modo que se lhe vê por ele a virtude. A nossa pupila diz que quantidade de homens há dentro de nós. Afirmamo-nos pela luz que fica debaixo da sobrancelha. As pequenas consciências piscam o olho, as grandes lançam raios. Se não há nada que brilhe debaixo da pálbebra, é que nada há que pense dentro do cérebro, é que nada há que ame no coração. Quem ama quer e aquele que quer relampeja e cintila. A resolução enche os olhos de fogo; admirável fogo que se compõe da combustão de pensamentos tímidos.

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Os teimosos são os sublimes. Quem é apenas bravo tem só um assomo, quem é apenas valente tem só um temperamento, quem é apenas corajoso tem só uma virtude; o obstinado na verdade tem a grandeza. Quase todo segredo dos grandes corações está numa palavra: perseverando. A perseverança está para a coragem como a roda está para a alavanca: é a renovação perpétua do ponto de apoio. Esteja na terra ou no céu o alvo da vontade, a questão é ir a esse alvo.

(…) Não deixar discutir a consciência, nem desarmar a vontade, é assim que se obtêm o sofrimento e o triunfo. Na ordem dos fatos morais o cair não exclui o o pairar. Da queda sai a ascensão. Os medíocres deixam-se perder pelo obstáculo especioso; não assim os fortes. Parecer é o talvez dos fortes, conquistar é a certeza deles.

(…) A perda das forças não esgota a vontade. Crer é apenas a segunda potência; a primeira é querer; as montanhas proverbiais que a fé transporta nada valem ao lado do que a vontade produz.” (Livro Segundo – O Trabalho – capítulo IV)

Karina

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Indicação de livro

O escritor francês Victor Hugo é um dos preferidos das autoras deste blog. Não nos cansamos de ler sua obra e seus ensinamentos.

Acabo de ler o livro “Os Trabalhadores do Mar”, com tradução de Machado de Assis. Nem é preciso dizer que Victor Hugo traduzido pelo gênio Machado, é imperdível…

O livro conta a estória do corajoso e íntegro marinheiro Gilliatt, que, tomado de amor pela bela e jovem Déruchette, trava, em um local considerado extremamente perigoso por navegadores de todo o mundo (o escolho Douvres), verdadeira luta contra as poderosas forças da natureza, ao tentar impedir que a máquina essencial de uma embarcação a vapor acabe no fundo do mar.

A narrativa é permeada de detalhes precisos sobre o universo náutico, além de analisar, com sensibilidade e sabedoria, o coração humano, com todas as suas lutas internas, suas esperanças, seus medos e suas paixões.

É uma obra emocionante e belíssima. Um clássico atemporal que não pode deixar de ser lido.

Abaixo alguns trechos do livro para aguçar a vontade dos leitores em ler ou reler essa obra-prima:

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“Havia outro banco visível e próximo, no fim de uma alameda. Déruchette assentava-se ali algumas vezes.

Pelas flores que ele via Déruchette colher e cheirar, adivinhou as preferências da moça a respeito de perfumes.

A moça preferia antes de tudo a campânula, depois o cravo, depois a madressilva, depois o jasmim. A rosa estava em quinto lugar. Quanto aos lírios, olhava para eles, mas não os cheirava. A vista da escolha dos perfumes, Gilliatt compunha-a no seu pensamento.”

(…)

“Passaram-se quatro anos.

Déruchette aproximava-se dos 21 anos e conservava-se solteira.

Já alguém escreveu algures: Uma idéia fixa é uma verruma. Vai-se enterrando de ano para ano. Para extirpá-la no primeiro ano é preciso arrancar os cabelos; no segundo rasga-se a pele; no terceiro ano quebra o osso; no quarto saem os miolos. Gilliatt estava no quarto ano.

Não tinha trocado uma só palavra com Déruchette. Pensava nela; era tudo.”

 (…)

“Arquitetura que tem terríveis obras-primas. O escolho Douvres era uma delas.

Esse foi construído e aperfeiçoado pelo mar com um amor formidável. Lambia-o a água rabugenta. Era hediondo, pérfido, obscuro; cheio de cavas.

Tinha um sistema de veias que eram fendas submarinas, ramificando- se em profundezas insondáveis. Muitos orifícios desse rasgão inextricável ficavam a seco nas vazantes.

Podia-se entrar, então, com risco.

Gilliatt, pela necessidade do trabalho, teve de explorar todas essas grotas. Nenhuma delas deixava de ser terrível. Em todas as cavas, reproduzia-se, com as dimensões exageradas do oceano, aquele aspecto de matadouro e açougue estranhamente imitado do centro das Douvres. Quem não viu as escavações desse gênero, na parede do eterno granito, esses horríveis frescos da natureza, não pode fazer uma idéia do que é.”

(…)

“Acreditar-se-ia ver torcer-se nessa diafaneidade auroreal pedaços de arco-íris afogados. Em outros lugares havia na água um certo luar. Todos os esplendores pareciam amalgamados ali para fazer um que de cego e de noturno. Nada mais impossível e enigmático do que aquele fasto naquela cava. O que dominava ali era o encanto. A vegetação fantástica e a estratificação informe acordavam-se e compunham uma harmonia. Era de belo efeito aquele consórcio de coisas medonhas.”

(…)

“Era, em pleno dia, a ascensão da noite.

Havia no ar um calor de fogão. Uma lixívia de estufa saía daquele amontoado misterioso. O céu, que de azul tornara-se branco, de branco tornou-se cinzento. Dissera-se uma grande ardósia. Embaixo o mar escuro e de chumbo era outra ardósia enorme. Nem um sopro, nem um rumor. Ao longe o mar deserto. Nenhuma vela.

Os pássaros tinham-se escondido. Sentia-se a traição do infinito.

O crescimento de toda aquela sombra amplificava-se insensivelmente.

A montanha movediça de vapores que se dirigia para a Douvres era uma dessas nuvens que se podem chamar nuvens de combate.

Nuvens vesgas.

Temível era a aproximação.

Gilliatt examinou firmemente a nuvem e murmurou entre dentes: Tenho sede, vais dar-me água.”

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(…)

 ”Gilliatt cismava trêmulo.

Mas não se desconcertou. Para aquela alma não havia derrota possível.

O furacão engolfava-se agora freneticamente entre as duas muralhas do estreito.”

Eis alguns trechos de “Os Trabalhadores do Mar”. Impossível postar de uma só vez. Hoje postamos trechos referentes ao enredo do livro, contando um pouco do personagem principal e suas agruras. Brevemente colocaremos outras partes que refletem o pensamento do grande Victor Hugo.

Karina

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Mais Victor Hugo

Mais um trecho extraído do livro Os trabalhadores do mar, do magnífico escritor francês Victor Hugo. Aqui ele discorre sobre os seres que possuem o atributo da beleza, ao descrever uma personagem do romance:

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“(…) Neste mundo o lindo é o necessário. Há mui poucas funções tão importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se não houvesse o colibri! Exalar alegrias, irradiar venturas, possuir no meio das coisas sombrias uma transudação de luz, ser o dourado do destino, a harmonia, a gentileza, a graça, é favorecer-te. A beleza basta ser bela para fazer bem. A criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quanto a rodeia; às vezes nem ela mesmo o sabe, e é quando o prestígio é mais poderoso; a sua presença ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se para, és feliz; contemplá-la é viver; é a aurora com figura humana …”

Karina

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O corpo e a alma – Victor Hugo

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“O corpo humano é talvez uma simples aparência, escondendo a nossa realidade, e condensando-se sobre a nossa luz ou sobre a nossa sombra. A realidade é a alma. A bem dizer, o rosto é uma máscara. O verdadeiro homem é o que está debaixo do homem. Mais de uma surpresa haveria se pudesse vê-lo agachado e escondido debaixo da ilusão que se chama carne. O erro comum é ver no ente exterior um ente real.” (trecho de “Os Trabalhadores do Mar ” – Victor Hugo - Ed. Abril – tradução de Machado de Assis).

O trecho acima mostra a reflexão do escritor francês Victor Hugo sobre a aparência que, para ele, é mera ilusão, pois a essência do homem é a sua alma.

victor_hugo1Victor-Marie Hugo nasceu em 26 de fevereiro de 1802 em Besançon, na França, mas passou a infância em Paris. Estudou Direito na capital francesa e antes de completar dezoito anos escreveu seu primeiro livro: o romance Bug-Jargal. Ainda jovem escreveu diversas poesias e fundou em 1819 a revista literária  Conservateur Littéraire. No mesmo ano ganhou o concurso da Académie des Jeux Floraux, renomada instituição literária francesa. 

Aos vinte anos publicou “Odes e Poesias Diversas”, livro que reunia vários poemas. No entanto, sua projeção como ícone do movimento romântico na França se deu com o prefácio de sua peça teatral “Cromwell”.

Autor de obras mundialmente conhecidas como “Notre Dame de Paris” (romance histórico conhecido como O Corcunda de Notre Dame) e o belíssimo “Les Misérables”  (Os Miseráveis), Victor Hugo  influenciou fortemente a literatura ocidental.

Paralelamente à atividade literária, Victor Hugo dedicou-se à política e, embora tivesse sido criado em ambiente favorável à monarquia, optou por ser partidário da Repúbica, fato que influenciou muito a sua obra.

Morreu em Paris, em 22 de maio de 1885 e nos deixou um legado literário maravilhoso.

Victor Hugo terá  lugar especial no nosso blog e sempre que possível postaremos trechos de sua obra fascinante e de suas sábias reflexões.

Karina

 

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