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Dia Nacional do Livro

Hoje é o Dia Nacional do Livro. Para nós, do Literatura em Conta-Gotas embora todo dia seja dia do livro e da leitura, prestaremos uma pequena homenagem a esse objeto de valor inestimável, com um texto de Montaigne:

books000 (ilustração by Quentin Blake)

“(…) A companhia dos livros é a mais segura. Não se compara às outras (de homens e de mulheres), mas apresenta a vantagem de estar sempre ao nosso alcance.

O convívio com o livro sempre me ajudou, em todas as circunstâncias; consola-me na velhice e na solidão. suaviza uma ociosidade que poderia ser aborrecida e livra-me das pessoas inoportunas; amortece, enfim, os latejos da dor quando não é demasiado aguda e é mais forte do que qualquer paliativo. Para afastar uma idéia desagradável, nada como recorrer aos livros; apossam-se de mim e fazem-me esquecê-la. Jamais se ressentem por só os procurarmos na falta de prazeres mais reais, mais vivos e naturais, que outorga a companhia dos homens e das mulheres; e sempre mostram a mesma expressão.

(…) Nunca viajo sem livros, haja paz ou haja guerra. Entretanto, passam dias e meses sem que os abra. Eu o farei daqui a pouco, digo, ou amanhã, ou quando assim decidir; e o tempo passa sem que me pese. Não posso dizer quanto me descansa o pensamento tê-los à mão. nem quanto me têm sido úteis na vida. Constituem a melhor provisão que pude obter para essa viagem que é a vida e tenho realmennte pena das pessoas inteligentes que não os possuem. E por saber que esse passatempo não me pode faltar, aceito com prazer qualquer outro.”

Michel de Montaigne, in Na companhia dos homens, das mulheres e dos livros

Michel Eyquem nasceu  em 1533, no Castelo de Montaigne, de propriedade de seu pai, na Dordonha – França. Adotou o nome da propriedade, depois da morte de seu pai.

Estudou direito e foi prefeito em Bordaux. Mas foram os seus Ensaios, publicados entre 1580 e 1588, que lhe trouxeram fama. Montaigne foi um grande pensador de sua época e e seus Ensaios, que analisam o homem em geral, são atuais e repletos de sabedoria.

Karina

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1 ano de Blog!

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Hoje faz um ano que o nosso blog está no ar!

Estamos muito felizes pois, por ser um blog voltado para a literatura, no início pensamos que não haveria tanta procura, já que sabemos que nosso povo é muito carente de cultura e não gosta de ler.  Porém, surpreendentemente e para nosso imenso orgulho, o número de visitantes cresce a cada dia e isso nos dá ânimo para continuar procurando textos e fragmentos literários de qualidade para entreter os  nossos leitores.

Para comemorar, não podemos deixar de postar um texto sobre livros e o prazer da leitura, tema principal do blog.

Um abraço a todos e boa leitura!

Loucura Mansa

José Mindlin

Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros,porque em matéria de livros meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem acompanhado a vida inteira, e ainda acima disto, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem acompanhado em todo este longo percurso, faz com que tenha procurado, permanentemente,  desejar que muito mais pessoas possam também desfrutá-los. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não tenham adquirido anteriormente.

O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspectos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo  exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro, informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção, é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.

Brincadeiras à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro, não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior à que resultou da informática, pelo menos até agora.

De lá para cá, foram se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia, ou encadernação. O primeiro livro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por suas vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.

Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la.

José Mindlin é o mais importante bibliófilo brasileiro e sua biblioteca possui mais de 30.000 volumes, incluindo-se aí raridades e exemplares únicos. O público pode conferir seu acervo na Universidade de São Paulo, na “Biblioteca de Guta e José Mindlin”.

Karina e Telma

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Da Areopagítica, por John Milton

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                                                   Ilustração de Leticia Plate  

“Livros não são coisas absolutamente mortas; contêm um espécie de vida em potência tão prolífica quanto a da alma que os engendrou. E mais: eles preservam, como num frasco, o mais puro e eficaz extrato do intelecto que os produziu. Estou convencido de que eles são tão vivos e tão vigorosamente fecundos quanto aqueles dentes de dragão da fábula. E que, uma vez semeados aqui e ali, podem dar nascimento a homens armados. E, por outro lado, vale refletir que matar um homem pode ser até melhor que matar um bom livro. Quem mata um homem mata uma criatura racional, feita à imagem de Deus, mas aquele que destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus como no olho. Muitos homens não passam de um fardo sobre a Terra. Mas um bom livro é o precioso sangue do espírito superior, conservado e guardado com vistas a uma vida para além da vida.”

 

John Milton (1608-1678) foi poeta, orador e político inglês. Areopagítica, publicada em 1644, foi um manifesto em favor da liberdade de imprensa e contra a censura imposta pelo Parlamento.

A obra mais famosa de Milton foi Paraíso Perdido, poema editado em 10 volumes e que fala sobre o mal no mundo e suas consequências.

Karina

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Livros: os melhores amigos

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Tenho amigos cuja companhia me é extremamente agradável: são de todas as idades e vêm de todos os países. Eles se distinguiram tanto nos escritórios quanto nos campos, e obtiveram altas honrarias por seu conhecimento nas ciências. É fácil ter acesso a eles: estão sempre à disposição, e eu os admito em minha companhia, e os despeço, quando bem entendo. Nunca dão problemas, e respondem prontamente a cada pergunta que faço. Alguns me contam histórias de eras passadas, enquanto outros me revelam os segredos da natureza. Alguns, pela sua vivacidade, levam embora minhas preocupações e estimulam meu espírito, enquanto outros fortificam minha mente e me ensinam a importante lição de refrear meus desejos e de depender só de mim. Eles abrem, em resumo,  as várias avenidas de todas as artes e ciências, e eu confio em suas informações inteiramente, em todas as emergências. Em troca de todos esses serviços, apenas pedem que eu os acomode em algum canto de minha humilde morada, onde possam repousar em paz – pois esses amigos deleitam-se mais com a tranquilidade da solidão do que com os tumiltos da sociedade.

O texto acima, de Francesco Petrarca, foi retirado do livro  “A Paixão pelos Livros” – Editora Casa da Palavra e organização de Martha Ribas e Júlio Silveira.

Petrarca (1304-1374) nasceu na Itália e foi um dos poetas mais reconhecidos de sua época, tendo influenciado positivamente a literatura ocidental com a sua obra. Seus textos mais conhecidos são os dedicados a sua musa inspiradora Laura de Noves.

Karina

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O incomparável prazer da leitura

Marcel Proust, no fragmento abaixo, extraído de sua obra ”O prazer da leitura”, nos transmite como um livro pode ser capaz de nos marcar pela vida toda.

Vejam:

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“Não há talvez dias da nossa infância que tenhamos tão intensamente vivido como aqueles que julgamos passar sem tê-los vivido, aqueles que passamos com um livro preferido. Tudo quanto, ao que parecia, os enchia para os outros, e que afastávamos como um obstáculo vulgar a um prazer divino: a brincadeira para a qual um amigo nos vinha buscar na passagem mais interessante, a abelha ou o raio de sol incomodativos que nos obrigavam a erguer os olhos da página ou a mudar de lugar, as provisões para o lanche que nos obrigavam a levar e que deixávamos ao nosso lado no banco, sem lhes tocar, enquanto, sobre a nossa cabeça, o sol diminuía de intensidade no céu azul, o jantar que motivara o regresso a casa e durante o qual só pensávamos em nos levantarmos da mesa para acabar, imediatamente a seguir, o capítulo interrompido, tudo isto, que a leitura nos devia ter impedido de perceber como algo mais do que a falta de oportunidade, ela pelo contrário gravava em nós uma recordação de tal modo doce (de tal modo mais preciosa no nosso entendimento atual do que o que líamos então com amor) que, se ainda hoje nos acontece folhear esses livros de outrora, é apenas como sendo os únicos calendários que guardamos dos dias passados, e com a esperança de ver refletidas nas suas páginas as casas e os lagos que já não existem.”

Marcel Proust nasceu em 1871, em Auteuil, subúrbio de Paris. Tinha a saúde muito debilitada desde a infância, o que o levou a mudar-se na adolescência para  as Champs-Élysées, onde o ar menos poluído melhorava suas crises de asma.

Ingressou na faculdade de Direito mas não seguiu carreira, tendo em vista sua dedicação à literatura. Juntamente com amigos fundou a revista literária Le Banquet, ao mesmo tempo em que atuava como colaborador em outros periódicos.

Considerado um dos maiores nomes da literatura mundial, Proust é famoso por sua obra “Em Busca do Tempo Perdido”, com oito volumes.

Marcel Proust faleceu em 1922, na cidade de Paris.

Karina

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Ler: conhecimento e diversão

 

Já dissemos aqui que ler é essencial para abrir novos horizontes. Algumas pessoas, entretanto, dizem que não conseguem ter vontade de sequer abrir um livro. Será preguiça? Coisas mais interessantes para fazer? Falta de tempo?

Seja o que for, nunca é tarde para começar. E, descoberto o mundo maravilhoso contido nos livros, o vício é para sempre.

Abaixo colacionamos algumas frases e pensamentos sobre a riqueza que nos oferecem os livros:

Outro dia me perguntaram por que eu gostava tanto de ler. Vejamos.

Ler é melhor do que ir ao cinema, viajar ou usar porcarias que tiram o sujeito do sério. Ao ler você produz, dirige e estrela o filme dentro de sua cabeça; viaja sem os inconvenientes da viagem; e penetra em mundos dos quais volta mais humano e mais sábio. Nada expande mais a consciência do que um bom romance ou qualquer livro inteligente…” Ruy Castro (jornalista)

O vírus do amor ao livro é incurável, e eu procuro inocular esse vírus no maior número possível de pessoas.” José Mindlin (jornalista e escritor)

Mostre-me uma família de leitores, e lhe mostrarei o povo que dirigirá o mundo“. Napoleão Bonaparte

O país se faz com homens e livros“.

Os livros não podem mudar o mundo. As pessoas podem mudar o mundo. Os livros podem mudar as pessoas

“Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar.” Monteiro Lobato

Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.” Nelson Rodrigues

Quando o homem quis ser como Deus, criador do mundo, inventou os livros que multiplicam o mundo. Graças a esse engenhoso artifício de tinta e de papel, podemos sentir tudo, de todas as maneiras, observar o universo com cem olhos, viajar no tempo, descer ao interior da terra e ao outro interior, mais remoto, de nós mesmos.” José Luís Garcia Martin (escritor espanhol)

“O cinema e a televisão criam imagens, a leitura cria imaginação” Jorge Furtado (diretor de cinema)

“O livro é uma extensão da memória e da imaginação”

“Creio que uma forma de felicidade é a leitura.”

“Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.” Jorge Luis Borges (escritor argentino)

“Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não lêem.”

“O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.” Mário Quintana

“O mundo dos livros
É a criação mais notável do homem,
Nada que ele constrói perdura.
Os monumentos ruem,
As nações perecem,
As civilizações envelhecem e morrem
E depois de uma era de obscurantismo,
Novas raças constroem outras.
Mas no mundo dos livros, há volumes
Que viram isto acontecer repetidas vezes
E continuam vivos
E continuam novos.
Continuam tão vigorosos como no dia em que foram escritos.
Falando ainda aos corações dos vivos
Dos corações dos mortos, há séculos.”
Clarence Day  (escritor americano)

Leio e estou liberto, adquiro objectividade. Deixei de ser eu e disperso. E o que leio, em vez de ser um trajo meu que mal vejo e por vezes me pesa, é a grande clareza do mundo externo.” Fernando Pessoa

“O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler”. Mark Twain

“Há crimes piores do que queimar livros. Um deles é não lê-los.” Joseph Brodsky (poeta russo)

“Caminhais em direção da solidão. Eu, não, eu tenho os livros.” Marguerite Duras (escritora)

  É isso aí! Vamos ler!

  Karina

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Começar desde cedo…

Quem gosta de ler, normalmente toma gosto pela leitura já na infância, mas atualmente, com a internet e suas inesgotáveis opções de lazer, muitas crianças passam longe dos livros e só lêem por obrigação escolar. As consequências são visíveis: vocabulário pobre, ortografia sofrível e visão de mundo limitada.

As crianças de hoje precisam de estímulo para ler! Não é fácil concorrer com o computador, mas há meios de tornar a leitura mais interessante.  O hábito de “contar histórias” foi esquecido por muita gente, mas é uma forma de incentivar a criança a gostar de ler, já que mexe muito com o imaginário dos pequenos. 

Livros de todos os tipos e para todas as idades é o que não falta! Há desde fábulas e contos de fadas, contos e pequenos romances, adaptações de clássicos etc! Então mãos à obra! Vamos colocar esses meninos para ler! Não podemos deixar que este prazeroso e utilíssimo hábito seja visto apenas como obrigação, já que o futuro pertence às crianças!

Karina

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