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Vale a pena ler Ruth Rocha

Mais um estória divertida de Ruth Rocha para mostrar que as crianças são bem mais espertas do que se imagina e que a sua inteligência não pode ser subestimada.

COMO SE FOSSE DINHEIRO

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Todos os dias Catapimba levava dinheiro para escola para comprar o lanche.

Chegava no bar, comprava um sanduíche e pagava seu Lucas.

Mas seu Lucas nunca tinha troco.

Um dia, Catapimba reclamou de seu Lucas:

- Seu Lucas, eu não quero bala, quero meu troco em dinheiro.

- Ora, menino, eu não tenho troco. Que é que eu posso fazer?

- Ah, eu não sei! Só sei que quero meu troco em dinheiro!

- Ora, bala é como se fossa dinheiro, menino? Ora essa…

Catapimba ainda insistiu umas duas ou três vezes.

A resposta era sempre a mesma:

- Ora, menino, bala é como se fosse dinheiro… Então, leve um chiclete, se não gosta de bala.

Aí, Catapimba resolveu dar um jeito.

No dia seguinte, apareceu com um embrulhão de baixo do braço. Os colegas queriam saber o que era. Catapimba ria e respondia;

- Na hora do recreio, vocês vão ver…

E, na hora do recreio, todo mundo viu.

Catapimba comprou o seu lanche. Na hora de pagar, abriu o embrulho. E tirou de dentro… uma galinha.

Botou a galinha em cima do balcão.

- Que é isso, menino? – perguntou seu Lucas.

- É pra pagar o sanduíche, seu Lucas. Galinha é como se fosse dinheiro… o senhor pode me dar troco, por favor?

Os meninos estavam esperando para ver o que seu Lucas ia fazer.

Seu Lucas ficou um tempão parado, pensando…

Aí colocou uma moedas no balcão:

- Está aí seu troco, menino!

E pegou a galinha, para acabar com a confusão.

No dia seguinte, todas as crianças apareceram com embrulhos debaixo do braço.

No recreio, todo mundo foi comprar lanche.

Na hora de pagar…

Teve gente que queria pagar com raquete de pingue-pongue, com papagaio de papel, com vidro de cola, com geléia de jabuticaba…

O Armandinho quis pagar um sanduíche de mortadela com o sanduíche de goiabada que ele tinha levado…

Teve gente que também levou galinha, pato, peru…

E, quando seu Lucas reclamava, a resposta era sempre a mesma;

- Ué, seu Lucas, é como se fosse dinheiro…

Mas seu Lucas ficou chateado mesmo quando apareceu o Caloca puxando um bode.

Aí, seu Lucas correu e chamou a diretora.

Dona Júlia veio e contaram pra ela o que estava acontecendo.

E sabe o que ela achou?

Pois achou que as crianças tinham razão..

- Sabe, seu Lucas – ela falou -, bode não é como se fosse dinheiro. Galinha também não é. Até aí o senhor tem razão. Mas bala também não é como se fosse dinheiro muito menos chiclete.

Seu Lucas se desculpava:

- É, mas eu não tive troco?

- Aí, o senhor anota, e no outro dia paga.

Os meninos fizeram uma festa, deram pique-pique pra dona Júlia e tudo.

Naquele dia, nem houve mais aula.

Mas o melhor de tudo é que todos do bairro ficaram sabendo do caso.

E, agora, seu Pedro da farmácia não dá mais comprimidos de troco, seu Ângelo do mercado não dá mais mercadoria como se fosse dinheiro.

Afinal, ninguém quer receber um bode em pagamento, como se fosse dinheiro. É, ou não é?

(Fonte: http://www.uol.com.br/ruthrocha/home.htm)

Karina

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O Girassol

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Já deu para perceber que aqui no blog travamos uma luta para que os adultos ofereçam às crianças leitura de qualidade. Por isso, não nos cansamos de trazer dicas de livros em prosa e poesia que instruem e divertem a garotada.

Vinicius de Moraes foi um autor maravilhoso e presenteou os pequenos com inúmeros poemas encantadores e educativos. Abaixo, reproduzimos “O Girassol”, um grande sucesso de Vinicius. Não deixem de apresentar a seus filhos, sobrinhos, netos e amigos.

“O GIRASSOL

Sempre que o Sol

Pinta de anil

Todo o céu

O girassol

Fica um gentil

Carrossel.

O girassol é o carrossel das abelhas.

Pretas e vermelhas

Ali ficam elas

Brincando, fedelhas

Nas pétalas amarelas.

 - Vamos brincar de carrossel, pessoal?

 - “Roda, roda, carrossel

Roda, roda, rodador

Vai rodando, dando mel

Vai rodando, dando flor.”

 - Marimbondo não pode ir que é bicho mau!

 - Besouro é muito pesado!

 - Borboleta tem que fingir de borboleta na entrada!

 - Dona Cigarra fica tocando seu realejo!

 - “Roda, roda, carrossel

Gira, gira, girassol

Redondinho como o céu

Marelinho como o Sol.”

E o girassol vai oirando dia afora…

O girassol é o carrossel das abelhas.”

Telma

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O Reizinho Mandão: aprendizado fundamental para crianças

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Já virou costume no blog darmos sugestões de livros e poemas infantis para atiçar o gosto pela leitura na garotada.

Hoje não será diferente. Convidamos os leitores a oferecerem um belo presente para seus filhos, sobrinhos, netos e amigos de tenra idade: o livro “O Reizinho Mandão” da consagrada escritora e membro da Academia Brasileira de Letras Ruth Rocha.

Ruth é paulistana, nasceu em 1931 e, ao longo de sua vida profissional, escreveu inúmeros títulos para a garotada, tendo recebido diversos prêmios em razão de seu brilhantismo e de sua vocação para falar para crianças. Seu livro mais conhecido é “Marcelo, Marmelo, Martelo”, que atingiu a espetacular marca de vender mais de 1 milhão de exemplares.

Já falamos de passagem neste livro aqui no blog. Mas vale a pena um post só pra ele. O “Reizinho Mandão” narra a estória de um rei arbitrário e prepotente, que cria leis absurdas para serem seguidas em seu reino. Tem mania de mandar as pessoas calarem a boca a todo momento e é tão egoísta e arrogante, que as pessoas passam a ficar cada dia mais caladas, até que não falam mais absolutamente nada, desaprendem a falar.

Neste momento da narrativa, finalmente o déspota percebe que está agindo mal. Trata-se de um livro infantil imperdível, pela narrativa e também pelas interessantes ilustrações, de autoria de Walter Ono. Um maravilhoso aprendizado para a criançada sobre caráter, atitude, liberdade de expressão e mesmo sobre a importância da democracia.

Abaixo, postaremos apenas um trecho da obra apenas a título de aperitivo:

“…

Precisa ver que reizinho chato que ele ficou!

Mandão, teimoso, implicante, xereta!

Ele era tão xereta, tão mandão

que queria mandar em

tudo o que acontecia no reino.

Quando eu digo tudo, era tudo mesmo!

A diversão do reizinho era fazer leis

e mais leis. E as leis que ele fazia

eram as mais absurdas do mundo.

Olhem só esta lei:

“Fica terminantemente proibido cortar a unha

do dedão do pé direito em noite de lua cheia!”

Agora, por que é que o reizinho queria mandar

no dedão das pessoas,

isso ninguém jamais vai saber.

As pessoas, então, foram ficando

cada vez mais quietas,

cada vez mais caladas.

É que todo mundo tinha medo

de levar pito do rei.

E de tanto ficarem caladas

as pessoas foram esquecendo

como é que se falava.”

 

Telma

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Fábulas de Esopo e Bilac

Como já mostramos aqui neste blog, o grande poeta Olavo Bilac escreveu para adultos e para crianças.

Hoje postaremos mais poesia de Bilac para crianças. Desta vez, o poeta da perfeição transformou os ensinamentos contidos nas fábulas do lendário escritor grego Esopo em belos poemas.

Confiram:

“O Leão e o Camundongo

Um camundongo humilde e pobre
Foi um dia cair nas garras de um leão.
E esse animal possante e nobre
Não o matou por compaixão.

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Ora, tempos depois, passeando descuidoso,
Numa armadilha o leão caiu:
Urrou de raiva e dor, estorceu-se furioso…
Com todo o seu vigor as cordas não partiu.

Então, o mesmo fraco e pequenino rato
Chegou: viu a aflição do robusto animal,
E, não querendo ser ingrato,
Tanto as cordas roeu, que as partiu afinal…

Vede bem: um favor, feito aos que estão sofrendo,
Pode sempre trazer em paga outro favor.
E o mais forte de nós, do orgulho esquecendo,
Deve os fracos tratar com caridade e amor.”

 …

A Rã e o Touro

Pastava um touro enorme e forte, à beira d’água.
Vendo-o tão grande, a rã, cheia de inveja e mágoa,
Disse: “Por que razão hei de ser tão pequena,
Que aos outros animais só faça nojo e pena?

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Vamos! quero ser grande! incharei tanto, tanto,
Que, imensa, causarei às outras rãs espanto!”
Pôs-se a comer e a inchar. E às rãs interrogava:
Já vos pareço um touro?” E inchava, inchava, inchava!

Mas em vão! tanto inchou que, num tremendo estouro,
Rebentou e morreu, sem ficar como o touro.
Essa tola ambição da rã que quer ser forte
Muitos homens conduz ao desespero e à morte.

Gente pobre, invejando a gente que é mais rica,
Quer como ela gastar, e inda mais pobre fica:
- Gasta tudo o que tem, o que não tem consome,
E, por querer ter mais, vem a morrer de fome
.”

 Karina

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Monteiro Lobato e Literatura Infantil

lobatoJosé Bento Monteiro Lobato nasceu na cidade paulista de Taubaté no dia 18 de abril de 1882. Cursou a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Formado, exerceu a Promotoria Pública durante alguns anos na região do Vale do Paraíba. Em 1911 recebe uma fazenda de herança de seu avô e passa a se dedicar à agricultura.

 Desde a faculdade Monteiro Lobato participava de grupos literários, mas a sua veia literária se concretizou de fato após o envio por ele de uma reclamação sobre as queimadas ao jornal O Estado de S.Paulo. A carta de Lobato causou polêmica e deu ensejo a elaboração de outros artigos. A partir de então, o escritor não parou mais de escrever: publicou diversos livros de contos tais como: Urupês, Idéias de Jeca Tatu, Cidades Mortas e Negrinha, todos com temas adultos e tendo como principais características o regionalismo e a preocupação social. Foi Lobato quem fundou a primeira editora nacional, a Editora Monteiro Lobato & Cia e posteriormente a Companhia Editora Nacional e a Editora Brasiliense.

Mas o que nos interessa hoje é a extensa obra dedicada ao público infantil que nos deixou Monteiro Lobato. Seu primeiro livro para crianças foi publicado em 1921 com o título Narizinho Arrebitado, que depois seria renomeado como Reinações de Narizinho. Os livros infantis de Lobato possuem caráter pedagógico e moralista. A maior parte das histórias contadas por  Monteiro Lobato se passa no famoso Sítio do Picapau Amarelo, um sítio no interior do Brasil. Os personagens principais são Dona Benta -proprietária do sítio e avó de Pedrinho e Narizinho, a empregada – Tia Nastácia e outros personagens que ganham vida através da imaginação das crianças, como Emília, a irreverente boneca falante, o boneco de sabugo de milho, Visconde de Sabugosa, o porquinho Rabicó, dentre outros.

Vale a pena ler para as crianças, tanto pela diversão como pelo caráter educativo:

Coleção Sítio do Picapau Amarelo:

- O Saci;
- Fábulas;
- As aventuras de Hans Staden;
- Peter Pan;
- Reinações de Narizinho;
- Viagem ao céu;
- Caçadas de Pedrinho;
- História do mundo para as crianças;
- Emília no país da gramática;
- Aritmética da Emília;
- Geografia de Dona Benta;
- História das invenções;
- Dom Quixote das crianças;
- Memórias da Emília;
- Serões de Dona Benta;
- O poço do Visconde;
- Histórias de Tia Nastácia;
- O Picapau Amarelo;
- O minotauro;
- A reforma da natureza;
- A chave do tamanho;
- Os doze trabalhos de Hércules;
- Histórias diversas.

Há também outros livros que foram incluídos, posteriormente, no volume Reinações de Narizinho:

- A menina do narizinho arrebitado;
- Fábulas de Narizinho;
- Narizinho arrebitado (incluído em Reinações de Narizinho);
- O marquês de Rabicó (incluído em Reinações de Narizinho);
- A caçada da onça;
- Jeca Tatuzinho;
- O noivado de Narizinho (incluído em Reinações de Narizinho);
- Aventuras do príncipe (incluído em Reinações de Narizinho);
- O Gato Félix (incluído em Reinações de Narizinho);
- A cara de coruja (incluído em Reinações de Narizinho);
- O irmão de Pinóquio (incluído em Reinações de Narizinho);
- O circo de escavalinho (incluído em “Reinações de Narizinho);
- A pena de papagaio (incluído em Reinações de Narizinho);
- O pó de pirlimpimpim (incluído em Reinações de Narizinho);
- Novas reinações de Narizinho;
- O museu da Emília.

Títulos não faltam. É diversão garantida!

Karina

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Olavo Bilac para crianças!

Já falamos aqui neste blog que Olavo Bilac foi um dos maiores nomes da literatura brasileira em sua fase parnasiana. Seus poemas são um primor no que diz respeito ao culto da forma e à linguagem elaborada, sem deixar a emoção de lado.

Mas Bilac não escreveu só para gente grande. Aproveitou seu talento para elaborar poemas dedicados às crianças.

A seguir reproduziremos alguns deles que, certamente, encantarão os leitores.

 

A Avó

“A avó, que tem oitenta anos,

Está tão fraca e velhinha! . . .

Teve tantos desenganos!

Ficou branquinha, branquinha,

Com os desgostos humanos.

Hoje, na sua cadeira,

Repousa, pálida e fria,

Depois de tanta canseira:

E cochila todo o dia,

E cochila a noite inteira.

Às vezes, porém, o bando

Dos netos invade a sala . . .

Entram rindo e papagueando:

Este briga, aquele fala,

Aquele dança, pulando . . .

A velha acorda sorrindo,

E a alegria a transfigura;

Seu rosto fica mais lindo,

Vendo tanta travessura,

E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,

Beija-os, e, tremulamente,

Passa os dedos engelhados,

Lentamente, lentamente,

Por seus cabelos, doirados.

Fica mais moça, e palpita,

E recupera a memória,

Quando um dos netinhos grita:

“Ó vovó! conte uma história!

Conte uma história bonita!”

Então, com frases pausadas,

Conta historias de quimeras,

Em que há palácios de fadas,

E feiticeiras, e feras,

E princesas encantadas . . .

E os netinhos estremecem,

Os contos acompanhando,

E as travessuras esquecem,

- Até que, a fronte inclinando

Sobre o seu colo, adormecem . . .”

–//–

A Borboleta

Trazendo uma borboleta,

Volta Alfredo para casa.

Como é linda! é toda preta,

Com listas douradas na asa.

Tonta, nas mãos da criança,

Batendo as asas, num susto,

Quer fuguir, porfia, cansa,

E treme, e respira a custo.

Contente, o menino grita:

“É a primeira que apanho,

“Mamãe! vê como é bonita!

“Que cores e que tamanho!

“Como voava no mato!

“Vou sem demora pregá-la

“Por baixo do meu retrato,

“Numa parede da sala”.

Mas a mamãe, com carinho,

Lhe diz: “Que mal te fazia,

“Meu filho, esse animalzinho,

“Que livre e alegre vivia?

“Solta essa pobre coitada!

“Larga-lhe as asas, Alfredo!

“Vê com treme assustada . . .

“Vê como treme de medo . . .

“Para sem pena espetá-la

“Numa parede, menino,

“É necessário matá-la:

“Queres ser um assassino?”

Pensa Alfredo . . . E, de repente,

Solta a borboleta . . . E ela

Abre as asas livremente,

E foge pela janela.

“Assim, meu filho! perdeste

“A borboleta dourada,

“Porém na estima cresceste

“De tua mãe adorada . . .

“Que cada um cumpra sua sorte

“Das mãos de Deus recebida:

“Pois só pode dar a Morte

“Aquele que dá a Vida!”

–//–

 O Universo
(Paráfrase)


A Lua:

Sou um pequeno mundo;

Movo-me, rolo e danço

Por este céu profundo;

Por sorte Deus me deu

Mover-me sem descanso,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

A Terra:

Eu sou esse outro mundo;

A lua me acompanha,

Por este céu profundo . . .

Mas é destino meu

Rolar, assim tamanha,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

O Sol:

Eu sou esse outro mundo,

Eu sou o sol ardente!

Dou luz ao céu profundo . . .

Porém, sou um pigmeu,

Quer rolo eternamente

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.

O Homem:

Por que, no céu profundo,

Não há-de parar mais

O vosso movimento?

Astros! qual é o mundo,

Em torno ao qual rodais

Por esse firmamento?

Todos os Astros:

Não chega o teu estudo

Ao centro disso tudo,

Que escapa aos olhos teus!

O centro disso tudo,

Homem vaidoso, é Deus!

 

 Karina

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Poesia para criança

Estamos muito felizes em constatar que alguns dos posts mais acessados são os referentes à poesia para crianças. Isso significa que a preocupação no sentido de que nossas crianças se familiarizem com a literatura é constante.

Realmente as poesias infantis são perfeitas para que as crianças se habituem a ler, pois divertem sem ter a densidade de um livro.

Além do extraordinário Vinicius  – já citado em posts anteriores – outros escritores fizeram poesia destinada aos pequenos.

Cecília Meireles, com maestria,  costuma encantar o público infantil (e adulto) com seus poemas. E são dela os textos que postaremos abaixo. Bom divertimento!

O Cavalinho Branco

À tarde, o cavalinho branco
está muito cansado:

mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.

O cavalo sacode a crina
loura e comprida

e nas verdes ervas atira
sua branca vida.

Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos

a alegria de sentir livres
seus movimentos.

Trabalhou todo o dia, tanto!
desde a madrugada!

Descansa entre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada!

 –//–

  Menino Azul

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
- de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

  BOLHAS

Olha a bolha d’água
no galho!
Olha o orvalho!

Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!

Olha a bolha na mão
que trabalha!

Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha
Olha a bolha!

Olha a bolha
que molha
a mão do menino:

A bolha da chuva da calha !

–//–

Ou Isto ou Aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Karina

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Mais Vinicius de Moraes Para Crianças

A veia literária de Vinicius de Moraes realmente foi muito diversificada. Como já esclarecemos em um post anterior, o mestre da poesia não escreveu só para adultos. Tocou também o coração das crianças. Mas seus poemas infantis devem ser apreciados por pessoas de todas as idades, verdadeiras obras-primas que são.

A seguir, reproduzimos mais alguns deles, para deleite dos leitores:

São Francisco

Lá vai São Francisco

Pelo caminho

De pé descalço

Tão pobrezinho           

Dormindo à noite

Junto ao moinho

Bebendo a água                                

Do ribeirinho.

Lá vai São Francisco

De pé no chão

Levando nada

No seu surrão

Dizendo ao vento

Bom dia, amigo

Dizendo ao fogo

Saúde, irmão.

Lá vai São Francisco

Pelo caminho

Levando ao colo

Jesuscristinho

Fazendo festa no menininho

Contando histórias

Pros passarinhos.

 

O Pinguim

Bom dia, Pinguim

Onde vai assim

Com ar apressado?

Eu não sou malvado

Não fique assustado                   

Com medo de mim.                          

Eu só gostaria                                   

De dar um tapinha

No seu chapéu jaca

Ou bem de levinho

Puxar o rabinho

Da sua casaca.

 

O Peru

Glu! Glu! Glu!

Abram alas pro Peru!

O Peru foi a passeio

Pensando que era pavão

Tico-tico riu-se tanto

Que morreu de congestão.

O Peru dança de roda

Numa roda de carvão

Quando acaba fica tonto

De quase cair no chão.                   

O Peru se viu um dia                            

Nas águas do ribeirão

Foi-se olhando, foi dizendo

Que beleza de pavão!

Glu! Glu! Glu!

Abram alas pro Peru!

 

Telma

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Indicação de Livros para Crianças

Como já dissemos neste blog, as crianças estão lendo cada vez menos! Precisamos incentivá-las a adotar o hábito da leitura por prazer. A seguir indicamos alguns livros e autores interessantes  que agradam aos pequenos e aos adultos também!

- Fábulas de Esopo e Fábulas de La Fontaine: breves estórias, onde os principais personagens são animais. No desfecho, sempre uma lição de moral.

- Monteiro Lobato: nem é preciso dizer muito sobre esta indicação. Monteiro Lobato, reúne educação e diversão em seus livros. A coleção Sítio do Pica-Pau Amarelo é imperdível e no livro “Fábulas”, Lobato reescreve as fábulas de Esopo e La Fontaine, mas com comentários dos personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo - Emília, Pedrinho, Narizinho, Dna. Benta etc.

Outros livros interessantes:

- A Fada que tinha idéias, de Fernanda Lopes de Almeida – o livro conta a estória da revolucionária fadinha Clara Luz, que se rebela contra o superado livro de lições das fadas. Num texto muito divertido e com ótimas ilustrações, o que a autora pretende é levar o leitor a uma reflexão sobre o poder da capacidade de “inventar” e sobre a importância de ter idéias e opiniões próprias.

- Raul da Ferrugem Azul, de Ana Maria Machado – conta a estória do menino Raul que, intrigado com as manchas azuis que lhe saem frequentemente no corpo (e que só ele vê), resolve ir atrás de respostas para solucionar o problema. Acaba percebendo que a “ferrugem” aparece toda vez que ele se omite diante de alguma situação em que seria correto agir. É um ótimo livro que, com simplicidade, ensina as crianças a não se acovardarem diante dos obstáculos.

- O Reizinho Mandão, de Ruth Rocha – conta a estória de um rei mimado e autoritário que obriga todos os seus súditos a se calarem. Fala sobre autoritarismo e da importância da liberdade de expressão.

- A Bolsa Amarela, de Lígia Bojunga – estória de uma menina – Raquel - que vive conflitos interiores. Ela tem 3 vontades: ser homem, crescer e escrever. A bolsa amarela é o local onde Raquel guarda as suas vontades secretas. O livro prossegue com muita fantasia e principalmente muitas metáforas que ensinam a criança a superar os medos e a assumir seus desejos e sonhos.

Estes são alguns exemplos de títulos e de autores que realmente entendem de crianças. Mas o adultos também costumam se encantar com a leveza e com as lições que eles passam.

Boa leitura a todos!

Karina

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Começar desde cedo…

Quem gosta de ler, normalmente toma gosto pela leitura já na infância, mas atualmente, com a internet e suas inesgotáveis opções de lazer, muitas crianças passam longe dos livros e só lêem por obrigação escolar. As consequências são visíveis: vocabulário pobre, ortografia sofrível e visão de mundo limitada.

As crianças de hoje precisam de estímulo para ler! Não é fácil concorrer com o computador, mas há meios de tornar a leitura mais interessante.  O hábito de “contar histórias” foi esquecido por muita gente, mas é uma forma de incentivar a criança a gostar de ler, já que mexe muito com o imaginário dos pequenos. 

Livros de todos os tipos e para todas as idades é o que não falta! Há desde fábulas e contos de fadas, contos e pequenos romances, adaptações de clássicos etc! Então mãos à obra! Vamos colocar esses meninos para ler! Não podemos deixar que este prazeroso e utilíssimo hábito seja visto apenas como obrigação, já que o futuro pertence às crianças!

Karina

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