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A Chácara do Chico Bolacha

Para aquecer essa gelada quinta-feira, nada melhor para a criançada do que um chocolate quente e um bom poema. Sim, ler esquenta a imaginação…

Abaixo segue a poesia da inesquecível Cecília Meireles denominada “A Chácara do Chico Bolacha”, escrita em 1964. Além de muito criativa, ensina os pequenos a escreverem as palavras, diferenciando o “x” do “ch”, regra que costuma ser fonte de dúvidas para os aprendizes que se iniciam nos mistérios da escrita. Aliás, a melhor maneira de aprender a ortografia é ler. Bom proveito!

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A CHÁCARA DO CHICO BOLACHA

Na chácara do Chico Bolacha,

o que se procura

nunca se acha!


Quando chove muito,

o Chico  brinca de barco,

porque a chácara vira charco.


Quando não chove nada,

Chico trabalha com a enxada

e logo se machuca

e fica de mão inchada.


Por isso, com o Chico Bolacha,

o que se procura

nunca se acha.


Dizem que a chácara do Chico

só tem mesmo chuchu

e um cachorrinho coxo

que se chama Caxambu.


Outras coisas, ninguém procure,

porque não acha.

Coitado do Chico Bolacha!

Telma

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Poesia para criança II

Dentre os posts mais acessados em nosso blog, estão os relativos à literatura infantil. Tal fato muito nos alegra, pois, para nós, o interesse pela leitura deve começar logo na infância. Crianças que leem desde cedo desenvolvem a imaginação, expressam melhor suas ideias e adquirem mais firmemente o hábito de ler por prazer e não por obrigação.

Assim, procuraremos sempre dedicar um espaço para a literatura infantil neste blog.

Hoje, mais Cecília Meireles para crianças. Divirtam-se:

“Leilão de Jardim

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Quem me compra um jardim
com flores?

borboletas de muitas
cores,

lavadeiras e pas-
sarinhos,

ovos verdes e azuis
nos ninhos?

Quem me compra este ca-
racol?

Quem me compra um raio
de sol?

Um lagarto entre o muro
e a hera,

uma estátua da Pri-
mavera?

Quem me compra este for-
migueiro?

E este sapo, que é jar-
dineiro?

E a cigarra e a sua
canção?

E o grilinho dentro
do chão?

(Este é meu leilão!)”

—//—

“Colar de Carolina

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Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina.

O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.

E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral

nas colunas da colina”.

—//—

“O Mosquito Escreve

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O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.

O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U, e faz um I.

Este mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí,
se arredonda e faz outro O,
mais bonito.

Oh!
Já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever seu nome.

Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?

E ele está com muita fome”.

 

Karina
 

 

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Poesia para criança

Estamos muito felizes em constatar que alguns dos posts mais acessados são os referentes à poesia para crianças. Isso significa que a preocupação no sentido de que nossas crianças se familiarizem com a literatura é constante.

Realmente as poesias infantis são perfeitas para que as crianças se habituem a ler, pois divertem sem ter a densidade de um livro.

Além do extraordinário Vinicius  – já citado em posts anteriores – outros escritores fizeram poesia destinada aos pequenos.

Cecília Meireles, com maestria,  costuma encantar o público infantil (e adulto) com seus poemas. E são dela os textos que postaremos abaixo. Bom divertimento!

O Cavalinho Branco

À tarde, o cavalinho branco
está muito cansado:

mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.

O cavalo sacode a crina
loura e comprida

e nas verdes ervas atira
sua branca vida.

Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos

a alegria de sentir livres
seus movimentos.

Trabalhou todo o dia, tanto!
desde a madrugada!

Descansa entre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada!

 –//–

  Menino Azul

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
- de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

  BOLHAS

Olha a bolha d’água
no galho!
Olha o orvalho!

Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!

Olha a bolha na mão
que trabalha!

Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha
Olha a bolha!

Olha a bolha
que molha
a mão do menino:

A bolha da chuva da calha !

–//–

Ou Isto ou Aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Karina

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