Como já dissemos aqui no blog, o escritor francês Charles Baudelaire foi amplamente censurado na ocasião em que divulgou a sua obra mais famosa – “As Flores do Mal”. O livro, de fato, só foi publicado na íntegra após a morte do poeta.
O poema trazido abaixo foi um dos quais Baudelaire teve que retirar do livro em decorrência de ordem judicial e se refere, segundo estudiosos, a uma animadora parisiense de nome Apollonia Sabatier, que inclusive teria tido um caso com o poeta.
Vejam o estilo ousado e violento do escritor francês que mostrou o lado podre e miserável da sociedade parisiense e aguardem novos posts sobre a sua obra:

A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE
Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.
A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.
As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.
Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!
Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;
E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.
Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,
Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,
E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!
Karina
lindo disse,
Junho 25, 2009 @ 12:02 am
amante