Abaixo um texto escrito por Eça de Queirós no folheto mensal intitulado ” As Farpas” no longínquo ano de 1871, mas que continua absolutamente atual e cai como uma luva para a situação de certo país…
“Estamos perdidos há muito tempo.
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os caracteres, corrompidos.
A prática da vida tem por única direção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas, felizes, exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!
Algum opositor do actual governo? Não!”
José Maria Eça de Queirós, nasceu em 1845 em Portugal e foi, sem dúvida, o maior escritor realista português. Vamos falar com mais frequência sobre Eça de Queirós neste blog e comentaremos mais sobre suas obras, que são imperdíveis.
Karina
O “Velho e o Mar” tem como personagem central um velho pescador cubano chamado Santiago. Santiago está há 84 dias sem fisgar nenhum peixe e, por essa razão, completamente desacreditado por seus companheiros pescadores.